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Casa das Beiras foi palco de Carnaval de sucesso

Por Avelino Teixeira
Sol Português

Por iniciativa de Armindo Amarante e família, no passado sábado (2) assistiu-se pela vez primeira a uma maratona carnavalesca na Casa das Beiras de Toronto, evento que se realizou graças também ao bom entendimento e colaboração do presidente do Executivo da colectividade, Bernardino Nascimento.

A sala encheu-se de convivas, na sua maioria açorianos, que não esconderam o seu entusiasmo e apreço pelas cenas divertidas e bem concebidas que se sucediam no palco, pelo colorido das preciosas indumentárias e trajes de luzes dos actores, e pela extraordinária teatralização e criatividade musical.

O espectáculo foi metodicamente conduzido pelo associativista, veterano e perito em matéria carnavalesca José da Silva que começou por introduzir Armindo Amarante para as saudações da praxe tendo este, por sua vez, entregue lembranças de reconhecimento a Johnny Homem, Emanuel da Silva e José da Silva.

Agradeceu depois o trabalho e colaboração de Teresa e António Ferreira, Rosa Salgado, Luísa Silva, Ana Leonardo Borges, Natal Ficher, Lídia e José de Sousa, José Borges, Emanuel e Sandra Silva, Mena Pimentel, António e Lúcia Ferreira, bem como à firma patrocinadora do evento, a Golden Wheat, e finalmente a Bernardino Nascimento que, por sua vez, fez referência à iniciativa do organizador do evento e à importância da tradição carnavalesca açoriana.

Momentos depois, era o mestre-de-cerimónias quem minuciosa e cuidadosamente comentava sobre os grupos que ia apresentando, incentivando-os simultaneamente a darem o seu melhor sem negar aquele franco sorriso que dizia "ser muito importante".

No final de cada actuação, José da Silva reconhecia docilmente o esforço e a graça de cada actor, com especial atenção para os mais jovens, enquanto Bruno Amarante entregava as placas de agradecimento.

O esmerado trabalho indubitavelmente enalteceu o espectáculo que envolveu as intervenções de cinco grupos, designadamente: Dança de Pandeiro dos jovens e Bailinho dos amigos do Carnaval, do Graciosa Community Centre; Dança de Pandeiro da Alta Sociedade, grupo constituído apenas por mulheres; Dança de Pandeiro da Irmandade do Espírito Santo do Imigrante; Bailinho dos Amigos das Tradições Terceirenses, fundado pelo saudoso José Ramos; e Bailinho da Banda de Santo Cristo de Toronto, inventado e coreografado por Jonathan Silva.

Os agrupamentos eram constituídos, na sua totalidade, por aproximadamente 300 figurantes e representaram assuntos variados que se debruçavam divertidamente sobre temas como a saga e situação caricata da SATA (Azores Airlines), as actividades de Zé Nandes (Só Forró), Johnny Homem (On wheels) e ganaderos locais, passando pelo infeliz desaparecimento de alguns clubes e associações comunitárias, pelo apego das mulheres ao bem vestir e às jóias e bijuterias, e pelo desmazelo dos homens e

suas saídas à noite em grupo, sem esquecerem, humoristicamente, de brincar com a falta de libido do homem, que é quem sempre "paga as favas".

Os assuntos e rábulas eram da autoria de: Hélio Costa, Lisa da Silva, João Mendonça e João das Calças de Toronto.

As cantigas foram de: Manny Ramos, Carla Branco, Délia Machado, José Esteves, Álamo Oliveira e Zé Nandes.

As músicas de: Manny Ramos, Andrew Oliveira, Paulo Pato, John Freitas, Frank Rego, Roberto Picanço e Andy Melo.

Os mestres, com acentuada elegância – alguns deles ainda crianças – eram; Raul Picanço, Vitória Almeida, Alexa Sarmento, Armanda Carreiro, Marta Medeiros, Ronaldo Homem, Tyler Leal, Artur Freitas, Ellah Medeiros e Nikita Sarmento.

A abrilhantação ficou a cargo da Banda Filarmónica da Igreja de Santa Helena.

Numa breve panorâmica do que transpareceu no palco, o Carnaval na Casa das Beiras foi um espectáculo divertido com as habituais referências humorísticas a funções corporais, órgãos genitais e gorduras que encobrem partes privadas, envolvendo toda uma série de termos usados no Teatro de Rua e que não utilizaremos aqui mas que, como soe dizer-se, "para quem é bom entendedor, meia palavra basta".

Claro que, como era de esperar, tudo isto instigava intermináveis gargalhadas – o Carnaval é mesmo assim e... nada se leva a mal, ainda que por vezes a terminologia carnavalesca possa tornar-se um pouco exagerada.

Para o ano haverá mais!


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