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18 anos da Casa das Beiras de Toronto:

Colectividade beirã recorda sucessos e apela à renovação ao celebrar a "maioridade"

Por João Vicente

Sol Português

A Casa das Beiras de Toronto, uma das colectividades mais proeminentes da comunidade portuguesa no Canadá, celebrou no passado sábado (3) o seu 18.º aniversário com um jantar de gala e espectáculo que decorreu no salão Gerry Gallagher, da LIUNA Local 183.

Designado oficialmente por Casa das Beiras Cultural Community Centre of Toronto, este centro cultural evoluiu a partir do antigo Clube Académico de Viseu, fundado anos antes nesta cidade, mas que a partir do ano 2000 assumiu uma identidade abrangente caracterizada por reunir sob o mesmo tecto elementos de três regiões portuguesas – Beira Alta, Beira Baixa e Beira Litoral.

O aniversário contou com a presença de várias entidades representativas dos três níveis de governação canadiana – municipal, provincial e federal – e registou ainda a visita do presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, que se fez acompanhar do filho nesta deslocação ao Canadá.

Após as boas-vindas expressas pela mestre-de-cerimónias Fátima Martins, da emissora CHIN Radio, as cerimónias abriram com uma interpretação dos hinos nacionais do Canadá e de Portugal pela artista luso-canadiana Tânia Barbosa.

Escutaram-se de seguida algumas palavras do presidente da Assembleia-Geral desta colectividade, Alberto Costa, que entre uma manifestação de orgulho e de satisfação pela efeméride considerou o momento particularmente memorável por poder ser celebrado na presença de alguns dos sócios fundadores.

Sendo a noite de festa e comemoração, vários oradores viriam a congratular publicamente a colectividade aniversariante, incluindo um representante da Casa do Alentejo que deixou também uma oferta.

Demonstraram ainda o seu apoio com a sua presença a presidente do núcleo do PSD de Toronto, Paula Medeiros, acompanhada de alguns elementos do partido, bem como representantes da Casa da Madeira, do grupo de Amigos de Rabo de Peixe, do Gil Vicente, do Peniche e do Transmontano, embora optassem por não discursar publicamente.

Impossibilitada de participar neste jantar, para o qual tinha sido convidada, a presidente da Câmara de Cantanhede, Maria Helena Oliveira, enviou uma carta com votos de parabéns à organização, mensagem que foi lida publicamente por Fátima Martins.

Entretanto, o vereador César Palácio, que é também membro honorário desta colectividade, expressou o "enorme orgulho e alegria" que representa para si ter a sede da Casa das Beiras situada no coração de Davenport, distrito que representa na Assembleia Municipal, secundado pela vereadora e vice-presidente da Câmara, Ana Bailão, que enalteceu também o esforço dos dirigentes, todos eles voluntários, que ao fortalecerem a colectividade promovem a cultura portuguesa e contribuem para realçar o carácter multicultural da cidade.

A deputada provincial Cristina Martins, por seu turno, referiu o quanto foi importante para ela, como beirã natural de Gouveia, na Serra da Estrela, poder estar ali nessa noite a celebrar esta ocasião especial com os seus conterrâneos, enquanto a deputada federal Julie Dzerowicz – que recebeu as insígnias de comendadora da Confraria Saberes e Sabores Grão Vasco – fez menção dos estreitos laços que mantém com a colectividade, relembrando a visita que efectuou o ano passado a esta região com o apoio logístico da comunidade beirã local.

Uma das paragens que esta deputada fez em Portugal foi na cidade de Viseu, onde se encontrou com o presidente da Câmara, Almeida Henriques, o qual aludiu a esse facto no seu discurso, deixando ainda um agradecimento à colectividade, em nome do povo das beiras, pela solidariedade demonstrada ao angariarem fundos para ajudar as vítimas dos incêndios que assolaram a região em 2017.

Dado Viseu ser este ano a Capital Europeia do Folclore, Almeida Henriques dirigiu um convite a todos para que se desloquem até lá no final do mês de Julho, passando de seguida a apresentar um vídeo promocional da cidade.

Usaram ainda da palavra três representantes do concurso Miss Portuguesa Canadá, nomeadamente a organizadora, Patrícia Fino, a vencedora da competição em 2017, Ryan Durão, e a primeira dama de honor, Mariana Franco, que deixaram um convite a potenciais candidatas, jovens entre os 17 e os 25 anos, para que concorram à edição deste ano, salientando que a Casa das Beiras será uma de quatro colectividades luso-canadianas que irão participar na competição.

No final do jantar de gala, confeccionado pela Churrasqueira Martins, procedeu-se ao corte do bolo de aniversário, cerimónia que esteve a cargo dos membros da confraria e que, trajados a rigor, entoaram o seu brado tradicional: "Arraial, arraial, pela Beira, por Portugal" ao brindarem à ocasião.

O resto do serão foi preenchido pelos espectáculos programados para essa noite, a começar pela actuação de Tânia Barbosa e continuando depois com o concerto de Luizinho de Portugal, pelo que já a hora cruzava o limiar de um novo dia quando se procedeu ao sorteio das rifas que haviam sido vendidas durante o jantar.

António Neiva, que já há três anos está envolvido na Casa das Beiras, onde toca cavaquinho no rancho, foi uma das muitas pessoas que fizeram questão de comparecer a este encontro, salientando estar ali para comemorar a data e para dar apoio ao seu amigo, Bernardino Nascimento, que preside à colectividade.

Sócio fundador da Associação Cultural do Minho e do Futebol Clube do Porto de Toronto, diz-nos sucintamente que o que o atraiu e leva a frequentar esta casa é "o convívio e a camaradagem" que ali existe, considerando que "é como se fosse uma família", e apenas lamenta não ver tantos jovens envolvidos como gostaria pois seria ideal que participassem mais "para assegurar a continuidade".

Uma das presenças jovens, Kátia Caramujo – que integra a Direcção da Casa das Beiras bem como o rancho folclórico – considera que a representação de jovens no rancho é forte e que é na Direcção que se sente mais essa lacuna, mas que se trata de um fenómeno que não é exclusivo desta Casa e que se verifica um pouco por todas as colectividades.

Na sua opinião, um dos principais factores dissuasores da participação dos jovens em cargos administrativos ou executivos será a quantidade de tempo que têm de dedicar à colectividade, sobretudo às sextas-feiras e aos fins-de-semana, enquanto que a falta de participação, em geral, dever-se-á à repetitividade dos festejos, que levará à saturação.

Também Bernardino Nascimento considera que não faltam jovens, mas que existe, isso sim, uma falta de representatividade na Direcção que urge preencher, destacando que os sintomas estão à vista pois, como é o seu caso, quando assumiu a presidência do Executivo fez-lo com a intenção de ficar dois anos, e hoje, passados sete, prevê que continuará a ser difícil encontrar quem o substitua quando decorrer a próxima Assembleia-Geral, no fim deste mês.

Apesar de tudo, orgulha-se do muito que tem sido possível realizar e embora o objectivo tenha sido sempre no sentido de preservar os festejos tradicionais da casa, ressalta que se tem tentado levar avante novos projectos, como é exemplo a criação da Confraria Saberes e Sabores Grão Vasco, entre outros.

Como nos diz, gostaria de ceder a presidência da Casa das Beiras a outra pessoa, para que possa haver uma renovação na Direcção, pelo que apela à comparência dos sócios na Assembleia-Geral, marcada para o dia 25 de Fevereiro.


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