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Clara Santos:

Gala de Fado em Hamilton "por uma boa causa"

Por António Perinú
Sol Português

Toronto e Mississauga são cidades onde o fado está frequentemente em evidência, com vários espectáculos ao longo do ano.

Em Hamilton, uma cidade onde a comunidade portuguesa é já significativa mas ainda assim com poucas associações e clubes, as oportunidades para assistir a esta que é uma das mais características expressões musicais portuguesas é muito reduzida.

Foi por isso mesmo, e por haver quem tanto o desejasse, que a fadista Clara Santos começou há quatro anos a organizar uma grande gala do fado anual, espectáculo que se tornou muito popular entre os adeptos da canção nacional local.

Este ano, e pela primeira vez, o certame vai ter também um cariz beneficente uma vez que a sua organizadora pretende que este encontro possa servir para angariar fundos a favor da Luso Canadian Charitable Society, um organismo caritativo que opera centros de apoio a deficientes, um dos quais em Hamilton e que serve um grande número de luso-descendentes.

Foi a propósito desta iniciativa que com ela conversámos recentemente na nossa redacção.

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Sol Português – Sabemos que está a organizar uma Gala de Fado com um intuito especial. Já realizou algumas anteriormente mas esta tem outro objectivo, que é o de solidariedade e apoio ao Luso Canadian Charitable Society. Quer-nos dizer como é que surgiu esta iniciativa e o que é que vai acontecer?

Clara Santos – Esta Gala de Fado começou há quatro anos. Na altura tive a ideia de trazer o fado até Hamilton porque não temos muitos espectáculos de fado por lá e tinha várias pessoas que chegavam até mim e me perguntavam: "quando é que vai haver fados em Hamilton..., quando é que organizas uma noite de fados..." Tantas foram as vezes que comecei a organizar [este espectáculo], já lá vão quatro anos.

No ano passado comecei como voluntária no Luso Canadian Charitable Society em Hamilton, na Barten Street. Conheci esta organização através de uma cliente minha, simplesmente porque tenho um sobrinho que tem autismo, e assim sendo, este ano pensei em angariar fundos para eles pois as necessidades são muitas – por exemplo, precisam de um veículo maior para transportar os utentes e levá-los ao banco e a outros locais.

S.P. – Será então mais uma ajuda para suprir as necessidades que o centro tem...

C.S. – Exactamente.

S.P. – Sabemos que o espectáculo vai ser no dia 7 de Abril. Quer-nos falar um pouco sobre isso?

C.S. – Sim, a Gala de Fado vai ser no dia 7 de Abril, as portas abrem às 18h00 e o jantar é servido às 19h00, e vai ter lugar na LIUNA Station, Grand Central Ballroom, no 360 da James Street North, em Hamilton – para não ser confundido com a sede da LIUNA Local 183, porque há muitas pessoas que confundem, como aconteceu nas vezes anteriores, por isso faço esta referência.

S.P. – Para além da sua actuação, o espectáculo vai contar com um naipe de outros fadistas. Quem são?

C.S. - Vão ser Sónia Tavares, Teresa Santos, Jennifer Bettencourt, Rui Furtado, Luís Ferraz e eu.

S.P. – E musicalmente? Vão ser acompanhados por quem?

C.S. – Por Hernâni Raposo à guitarra, Pedro Joel na viola de fado e Sérgio Santos na viola-baixo.

S.P. – Como é que está a decorrer a venda de bilhetes? Já têm muitas marcações?

C.S. – As pessoas têm demonstrado muito interesse, só que ainda não estão a fazer as reservas e a marcar bilhetes, mas desde a primeira Gala que realizei, e nas seguintes, têm vindo sempre. Claro que estou a contar com eles, assim como com outras pessoas que nunca vieram [ao espectáculo]. O salão leva 600 pessoas e ainda temos muitos lugares livres. Nos anos anteriores tivemos cerca de 200 pessoas. Este ano, pelo facto de ser uma noite solidária, seria bom encher o salão – e não só: assim demonstram que estão a apoiar o fado em Hamilton, como tanto queriam.

S.P. – Assim sendo, qual é a mensagem que quer deixar à comunidade luso-canadiana – afinal, somos muitos e é importante as pessoas compreenderem que este espectáculo é por uma boa causa, que pode afectar qualquer um de nós?

C.S. – É verdade. Basicamente, não é por mim, nem pelos meus colegas fadistas e músicos, mas sim pela razão que é. Todos podemos dar as mãos pois só com a ajuda de cada um de nós podemos contribuir para uma casa cheia. Eu sozinha, por muito que queira, não consigo. É preciso a ajuda de todos. Só assim então, todos juntos, podemos contribuir para a prestação de cuidados especiais através da Luso Canadian Charitable Society em Hamilton. E aproveito também para desde já deixar a todos os meus agradecimentos e o meu bem-hajam.


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