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Quebeque abre inquérito à morte de nativa que nos momentos finais da vida gravou impropérios racistas das enfermeiras

A ministra de Segurança Pública do Quebeque, Geneviève Guilbault, anunciou sábado (3) que tinha pedido à directora de medicina legal que abrisse um inquérito público sobre as circunstâncias em torno da morte de Joyce Echaquan, uma indígena do povo Atikamekw de Manawan que colocou no Facebook uma gravação dos seus últimos momentos de vida enquanto era achincalhada por comentários racistas das enfermeiras que dela cuidavam no Hospital de Joliette.

O caso chocou a opinião pública quando foi revelado que a paciente pediu ajuda às enfermeiras e se queixou de que lhe estavam a dar morfina a mais antes de morrer.

Em resposta, como se pode ouvir no final dos sete minutos do vídeo que gravou e transmitia ao vivo no Facebook ao morrer, as duas enfermeiras que lhe deveriam prestar cuidados médicos chamaram-na "estúpida", questionaram as escolhas que fez na vida, afirmaram que apenas servia para fazer sexo e que estava melhor se estivesse morta, podendo ainda ouvir-se uma delas dizer: "e quem é que acham que vai pagar por isto?".

Joyce Echaquan, que deu entrada no hospital no pretérito sábado (26), vindo a falecer na segunda-feira (28) seguinte, há muito que sofria de problemas de coração e a família suspeita que a mãe de sete filhos tenha tido uma reacção adversa à morfina que lhe deram.

Um médico-legista já tinha sido designado para investigar o ocorrido e a directora de medicina legal viria a confirmar ainda na tarde de sábado que tinha mandado abrir um inquérito.

Entretanto, milhares de pessoas manifestaram-se em Montreal e na cidade de Quebeque para pedir "justiça para a Joyce", e a responsável pelo Abrigo para Mulheres Nativas e uma das organizadoras da marcha que se realizou em Montreal, Nakuset, quer que toda a equipa do hospital seja avaliada para determinar se tem preconceitos anti-indígenas, além de exigir que sejam feitas reparações ao povo Atikamekw de Manawan.

A família de Joyce Echaquan disse que ela tinha gravado vários vídeos por desconfiar que não lhe iam prestar os cuidados necessários no hospital e que os comentários racistas terão sido a última coisa que ouviu antes de falecer.

Até ao momento foram despedidos uma enfermeira e um assistente do hospital e a família da falecida afirmou tencionar processar aquela instituição e o seu quadro de pessoal.


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