PENA & LÁPIS


Geopolítica e Portugal

União Europeia entre os EUA e a Rússia a serem empurrados pela China

Por António Justo
Sol Português

George Glass, embaixador dos EUA em Lisboa, em entrevista ao Expresso, publicada no pretérito sábado, admitiu consequências em matéria de segurança e Defesa para Portugal se o país escolher trabalhar com a China.(1)

O embaixador falou claro (sem diplomacia, tal como fez o seu homólogo na Alemanha) das forças e interesses económico-geopolíticos; isto é: daquilo que geralmente os políticos nacionais não gostam que se fale.

Portugal encontra-se na ressaca das ondas em que os conflitos de interesses mais se manifestarão. Incomoda, mas chama a atenção para as circunstâncias que nos movem e moverão: a realidade económica motivadora de guerras, da determinação de zonas de influência política e de agendas internacionais.

Não se trata aqui de pintar a realidade com as tintas de Belzebu ou do Diabo, porque essas discussões sentimentais só ajudam um e outro a levar o seu negócio à frente.

A guerra em Portugal tem acontecido no dia-a-dia entre a China e os EUA (e em parte UE, dos países mais fortes) a nível económico.

A importância do porto de Sines é realmente "incrivelmente estratégica" para a distribuição do gás natural liquefeito americano, especialmente num momento em que Trump se insurge descaradamente contra o gasoduto North Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha.

Um outro capítulo será a concretização e interesses geopolíticos ligados ao porto de Sines. Sines será também a entrada da rota comercial para a Europa.

Naturalmente que não é também inocente o uso da tecnologia chinesa na nossa rede de telecomunicações 5G. Trata-se de reconhecer os poderes que têm as biscas e os trunfos, mas contar também com desenvolvimentos futuros.

Enquanto os nossos fomentadores de opinião se fixam em questões de ideologias, continuaremos a ser embalados entre as ilhas das sereias. Esta não é a altura de sermos uns contra os outros – blocos geográfico-económicos-políticos contra outros. Importante seria descobrir, na nossa pequenez real e de sonhos, a vantagem estratégica que viremos a ter numa ordem mundial bi ou tripolar!

Na discussão deste assunto não seria oportuno tratar-se aqui de se colocar do "lado certo" ou do "lado errado", mas de compreender a complexidade do assunto para poder jogar com os dois.

Cada potência faz a sua pressão, cada uma à sua maneira. Relevante seria termos a consciência da nossa importância estratégica e termos um conceito e um sonho para Portugal.

Doutro modo poderia restar-nos tornarmos-nos num Cavalo de Tróia dos interesses geopolíticos!

Nota em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=6092


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