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Movimento operário de Toronto voltou a celebrar Dia do Trabalhador sem restrições

O desfile laboral deste ano, sob o lema "150 Anos Juntos", assinalou o sesquicentenário da primeira marcha trabalhista nas ruas da capital do Ontário

Por Luís Aparício

Sol Português

Após dois anos de Covid-19, com uma celebração do Dia do Trabalhador virtual e uma segunda com limitações e "sobre rodas" pelo meio, o movimento operário em Toronto pôde este ano voltar celebrar a data sem as restrições que marcaram o período da pandemia.

Na manhã de segunda-feira (5), milhares de trabalhadores e dezenas de sindicatos saíram à rua em solidariedade com o movimento operário, que os principais líderes trabalhistas dizem estar actualmente a ser revitalizado pela mudança de padrões em consequência da pandemia da Covid-19 e pelo influxo e influência dos trabalhadores mais jovens.

Segundo eles, os jovens estão a entrar no mercado de trabalho em grande número e a adoptar uma abordagem diferente das gerações mais velhas, defendendo a dignidade e o respeito nos empregos, bem como uma vida mais equilibrada para além do trabalho.

Isso mesmo foi possível constatar nas várias palavras de ordem e mensagens dirigidas ao mundo político pelos que desfilavam nesta demonstração anual, principalmente pedindo acções concretas para conter a inflação galopante e criar medidas que ajudem a combater a subida do custo de vida, entre outras reivindicações.

De recordar que a taxa de inflação anual do Canadá foi de 7,6% em Julho, enquanto que os salários cresceram 5,2% no mesmo período.

Em declarações aos órgãos de comunicação social, o presidente da Câmara de Toronto, John Tory, que se candidata a um novo mandato nas eleições autárquicas de Outubro, disse que é preciso ter respeito pelo movimento laboral e ouvir as suas preocupações.

O autarca defendeu ainda que é necessário manter uma forte parceria com a classe trabalhadora e com as empresas, sem descurar o bom relacionamento com os diferentes poderes políticos (provincial e federal).

"Temos de trabalhar juntos, porque dessa forma vamos ser mais fortes e ter o tipo de recuperação (económica) de que a cidade precisa para beneficiar toda a população que aqui vive", frisou.

Também a vereadora e vice-presidente da autarquia, Ana Bailão, se regozijou por ver "esta gente toda vir para a rua comemorar não só as vitórias dos trabalhadores ao longo de décadas, com melhores condições de trabalho, melhores salários, e tudo o mais, mas acima de tudo dizer que a luta continua todos os dias e que tem de continuar por muito mais tempo", afirmou.

Outro luso-canadiano, Jack Oliveira, o administrador da LIUNA Local 183, sindical que representa mais de 65.000 operários no sector da construção civil, salientou a importância de se retomar a realização deste desfile em formato presencial, considerando-o "um dia em que mostramos a solidariedade dos trabalhadores".

À frente de um grande grupo de sócios do sindicato que dirige, todos eles com uma braçadeira negra em memória dos que perderam a vida no local de trabalho, Jack Oliveira referiu ser importante continuar a luta pela segurança e pela protecção de todos os trabalhadores, a par de mais e melhores benefícios.

"Não devemos esquecê-los nem aos nossos pensionistas que iniciaram o movimento sindicalista", observou.

Carmen Principato, administrador da LIUNA Local 506, que conta actualmente com 9.000 sócios, era também um homem feliz por poder celebrar o Dia do Trabalhador sem as restrições associadas à pandemia, ao contrário do que aconteceu nos últimos dois anos.

O dirigente sindical manifestou ainda um desejo para o futuro imediato da organização e dos sócios: "Queremos crescer, ter mais condições de segurança no local de trabalho e criar condições para reforçar os benefícios para os trabalhadores e as suas famílias", afirmou.

Os dois grupos sindicais foram acompanhados neste grande marcha do movimento laboral pelas bandas luso-canadianas Lira Nossa Senhora de Fátima de Toronto, fundada em 1970, e do Sagrado Coração de Jesus, da paróquia de Santa Helena de Toronto, fundada em 1974.

O desfile do Dia do Trabalhador deste ano, que teve como tema "150 Anos Juntos", assinalou precisamente o sesquicentenário da primeira marcha trabalhista nas ruas de Toronto, evento que é considerado um momento marcante no início do movimento laboral no país.

Tal como é hábito, o desfile deste ano teve início na intersecção das ruas Queen Street West e University Avenue pelas 9h30 em ponto, dirigindo-se para ocidente ao longo da Queen até à rua Dufferin e virando então para sul para dar entrada no recinto da feira Canadian National Exhibition (CNE) pela chamada Dufferin Gate.

Foi no animado recinto desta enorme feira popular – também ela de volta à cidade após o interregno provocado pela pandemia – que os participantes desbandaram, juntando-se muitos deles à multidão que engrossava o desfile e que aproveitava a entrada gratuita na CNE para o último dia do certame.


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