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Covid-19: Pandemia só estancará com lavagem das mãos, um luxo para 40% da população - ONUA presidente da parceria da ONU "Água e Saneamento para Todos", Catarina de Albuquerque, considera que a Covid-19 só será estancada quando todos tiverem acesso a água para lavar as mãos, "um luxo" para 40% da população. Em declarações à agência Lusa, a jurista portuguesa sublinhou a importância das medidas preventivas contra a infecção pelo novo coronavírus, mas recordou que nem todos têm acesso ao mais essencial dos bens: a água. Catarina Albuquerque, que foi a primeira relatora especial das Nações Unidas para a defesa do direito humano à água potável e ao saneamento, referia-se, nomeadamente, aos mais vulneráveis, "os mais pobres, a viver em bairros informais, migrantes, sem-abrigo". Resumindo, "a todos a quem temos fechado os olhos como sociedade, fingindo que estas pessoas não existem". "Estas pessoas às quais temos negado atenção, são estas a quem temos de prestar atenção, nem que seja por egoísmo. Se queremos estancar o contágio temos de assegurar que estas pessoas têm acesso a água para poder lavar as mãos", frisou. A este propósito, recordou que esta prática tão defendida como meio de prevenção pelo novo coronavírus – lavar as mãos – é "um luxo" para 40% da população mundial, ou seja, 3.000 milhões de pessoas. E são vários os factores de pobreza que dificultam o acesso a medidas de prevenção, seja a lavagem das mãos, como a busca da água para as mais básicas das tarefas. "Há populações que esperam horas numa fila para obterem água de uma fonte, juntas umas das outras. Como é que poderão cumprir as regras do distan-ciamento?", questionou. Regras essas que, conforme acrescentou, também não existem em casas onde vivem dez, quinze pessoas. Também ao nível da resposta médica, Catarina Albuquerque recordou que um em cada seis hospitais e centros de saúde também não têm acesso a higiene básica para poder lavar as mãos. Nestas condições, pergunta: "Como podemos parar o vírus?". E recordou que estas questões se passam a nível mundial, mas também a nível nacional, onde ainda existem comunidades em habitações sem água canalizada, sem acesso a água potável e muito menos água e sabão. Por outro lado, defendeu uma gestão que leve em conta o maior consumo de água a que se assiste nos dias de hoje devido a uma maior limpeza com vista à prevenção da infecção. "As pessoas lavam mais as mãos, limpam mais as casas e consomem mais água. A questão não se coloca em Portugal, mas em países com o abastecimento de água limitado, isso é um problema", disse. Também proporcionar um maior acesso da água às populações sem equacionar o tratamento dos esgotos é promover a existência de esgotos a céu aberto e das consequentes doenças, referiu. Para Catarina Albuquer-que, a actual pandemia, que matou mais de 46 mil pessoas no mundo inteiro desde que a doença surgiu em Dezembro na China, veio mostrar que, sem garantirmos o acesso a estes direitos humanos aos mais vulneráveis, não vamos conseguir, enquanto sociedade, escapar à Covid-19, porque é no elo mais fraco que a sociedade quebra. Em Portugal, foram registadas 187 mortes associadas à Covid-19 e 8.251 infectados (mais 808), segundo o boletim epidemio-lógico divulgado sábado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). | ||||
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