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Feriado Cívico:

Toronto comemorou memória de John Simcoe no Forte York

Por Jonathan Costa
Sol Português

O Fort York National Historic Site celebrou na segunda-feira (6) o Dia de Simcoe, um feriado em honra de John Graves Simcoe, com um evento anual dedicado a esta figura histórica intimamente ligada à fundação da cidade de Toronto.

John Simcoe foi um dos comandantes das forças armadas britânicas no Canadá, no final do século XVIII, sendo altamente respeitado no mundo militar e político.

Entre as suas funções foi Tenente-Governador da região então designada por Alto Canadá, de 1791 a 1796, e neste período foi um dos fundadores da cidade de York (hoje Toronto) que assim baptizou em honra do filho do rei de Inglaterra George III, o Príncipe Frederick, duque dos territórios de York e Albany.

York foi uma cidade que surgiu em função da sua posição estratégico-militar e tornou-se numa espécie de capital temporária do Alto Canadá, já que os planos iniciais de John Simcoe tinham como objectivo construir a capital perto da região onde está a actual cidade de London, na província do Ontário.

Devido às dificuldades que o terreno acidentado e as então densas florestas representavam para o transporte de materiais e tropas, Simcoe abandonou os seus planos iniciais e no dia 1 de Fevereiro de 1796 anunciou York como capital oficial da região do Alto Canadá, povoado que rapidamente cresceu e viu a população aumentar até se tornar na cidade de Toronto que hoje todos conhecem.

John Simcoe foi também responsável pela criação de tribunais, leis que codificaram os princípios estabelecidos pelo Direito Comum britânico, incluindo direitos de propriedade de terrenos designados pela monarquia, e implementou a legislação que levou à abolição da escravatura no Canadá, em 1833.

Na segunda-feira, centenas de pessoas marcaram presença no Forte York, situado junto à zona que foi o ponto de origem para a cidade, onde puderam explorar esta estrutura do século XVIII num evento destinado a ensinar, sobretudo os mais jovens, um pouco da história da sua cidade.

Exposições de armamento – incluindo canhões outrora utilizados nas batalhas travadas contra as forças americanas que lutavam pela independência da monarquia britânica – instrumentos de cozinha, brinquedos, roupa e peças de arte possibilitavam aos visitantes fazer como que uma viagem no tempo para se inteirarem da realidade e da cultura no Canadá de há mais de 200 anos.

O evento incluiu também a realização de uma parada militar, com dezenas de pessoas trajadas com os uniformes e armamento oficial das forças britânicas da época.

Organizados por diferentes regimentos e comandados pelos seus respectivos tenentes, as tropas marcharam ao longo do trilho que atravessa o terreno que constitui o Fort York National Historic Site.

"Temos aqui dezenas de jovens, todos eles estudantes com mais de 16 anos, já que hoje vamos disparar os mosquetes e essa é a idade mínima necessária para poderem manejar esta arma", destacou Gavin Watt, major do 41.º Regimento da Guarda do Forte York.

"A preparação para este evento começa no Dia do Canadá, quando treinamos todos estes jovens para serem soldados das forças britânicas", tarefa que considerou "nada fácil", sobretudo quando se deparam "com este calor e o facto de estarmos com uniformes e armas pesadas".

Contudo, Gavin Watt afirmou-se "muito orgulhoso de todos", considerando que "estão a fazer um trabalho fabuloso" e lembrou que "podermos estar aqui a ensinar a nossa comunidade sobre a história da nossa cidade, do nosso país: a realidade que se vivia na altura, é espectacular".

"Ver o brilho nos olhos não só das crianças, mas também dos adultos, dá-nos imensa força para continuarmos", concluiu.

Jovens fardados de amarelo pertenciam ao regimento musical, constituindo uma espécie de banda que acompanhava os que envergavam o trajo de soldados em cada marcha, batalha ou longa viagem, enquanto que os fardados de vermelho representavam os soldados que se preparavam para defender os territórios das forças britânicas contras as tropas americanas ou francesas.

O público teve oportunidade de acompanhar de perto a recriação destes eventos, acompanhando o desfile na sua longa caminhada, durante a qual os jovens figurantes alinhavam em formação para demonstrarem o acto da inspecção que era uma ocorrência diária, todas as manhãs, quando os capitães analisavam cada soldado e a sua preparação ao pormenor.

Se houvesse algo de errado com o mosquete ou com uniforme, todo o regimento pagava com a aplicação de castigos.

Nesta recriação, os regimentos demonstraram também o processo de limpeza e preparação dos mosquetes, assim como o carregamento das armas com a pólvora.

"Todos os soldados eram responsáveis pela sua arma e pela sua manutenção", destacou Anton DeGiusti, Liasoin do Regimento da Guarda do Forte York, lembrando que "qualquer bloqueamento do cano podia ser fatal", já que podiam ficar impossibilitados de disparar, "frente a frente com o inimigo, que não iria perdoar" ou a arma podia explodir, originando lesões graves no próprio soldado que a carregava.

"Era um mundo, uma realidade. bem diferente da nossa", ressalvou.

Os jovens que participaram nesta encenação carregaram os mosquetes com pólvora, e... apontando-os para o ar, disparam em conjunto e uníssono, demonstrando toda a sua organização e árduo treino ao longo dos últimos meses.

Os espectadores aplaudiram fervorosamente, tentando tirar fotografias pela espessa nuvem de fumo criada pela combustão da pólvora.

"Esta é sem dúvida a parte preferida do público", afirmou Anton DeGiusti, que realçou "a admiração pelas armas da altura, assim como o barulho ensurdecedor e o fumo que provocam após o disparo", gracejando que "as crianças adoram e vejo sempre vários pais a ter de lhes explicar que não podem levar um mosquete para brincar em casa".

À conclusão do desfile militar, várias outras demonstrações permitiram ao público experimentar cozinhar à moda antiga, ou assistir a um concerto musical com instrumentos e melodias do século XVIII, entre outras actividades.

Destaque para a presença do exército canadiano que numa tenda demonstrou alguns dos materiais e uniformes usados actualmente nas missões no Afeganistão e na Síria, em contraste às demonstrações históricas ali apresentadas nesse dia, tendo os mais jovens oportunidade de tentarem carregar uma mochila de combate moderna e que, todas com todos os bens necessários, pesa cerca de 15 quilos.

A par de outras actividades, incluindo pinturas de rosto e brincadeiras nos relvados, crianças e adultos desfrutaram de um dia de lazer, marcado pela diversão e, simultaneamente, pelo ensino e aprendizagem de um pouco da história da cidade.


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