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Covid-19:

Número de novos casos continua a diminuir
no Ontário

A pandemia de Covid-19 provocada pelo vírus corona continua a alastrar por todo o mundo, com cerca de 1,2 milhões de novos casos de infecção em relação à semana anterior.

O total mundial eleva-se assim acima da fasquia dos 11,6 milhões – mais de metade dos quais, ou cerca de 6,4 milhões, já recuperados – com mais de 30.000 novos óbitos, para um total de mortes atribuídas à doença superior a 540.000.

Entretanto, no Canadá mantém-se a tendência decrescente, tanto em número de casos como de óbitos, tendo-se registado no mesmo período cerca de 2.000 novos casos e 160 falecimentos.

Em números redondos, estes valores elevam os totais nacionais para, respectivamente, 107.000 infectados – 70.000 dos quais já recuperaram – e 8.700 mortes.

Na última semana o 1.º de Julho, Dia do Canadá, foi comemorado de uma forma diferente do habitual, com os grandes festejos oficiais que tradicionalmente ocorrem por todo o país a serem substituídos por espectáculos e eventos online, incluindo fogo de artifício virtual.

Continuaram, porém, a observar-se as pequenas festas particulares nos quintais da nação, ainda que com números reduzidos de participantes devido às regras que proíbem os ajuntamentos.

Assim, e ainda que os festejos oficiais não tivessem a envergadura habitual, o espírito da comemoração continuou a ser observado pelo povo que a nível particular comprou uma quantidade recorde de fogo de artifício, segundo o proprietário da empresa Fireworks Atlantic, de Nova Escócia, Gary Colquhoun, que vende o seu produto a nível nacional.

Entretanto, e embora os números continuem a indicar que a pandemia está em declínio no Canadá, há ainda focos que deflagram periodicamente, nomeadamente no seio dos trabalhadores rurais migrantes que são contratados em regime sazonal para trabalhar em herdades, sobretudo no sul do Ontário.

No dia em que se observava o feriado nacional, as entidades de saúde da região de Windsor-Essex anunciavam a emissão de uma ordem de suspensão de trabalho numa dessas herdades, que se encontrava a braços com um surto de Covid-19 depois de ali terem sido detectados 191 casos nos testes realizados no fim-de-semana anterior.

De igual modo, o departamento de saúde da província de Nova Escócia alertou nesse dia para a possibilidade das pessoas que viajaram no voo Westjet WS248, que partiu de Toronto às 10h00 de 26 de Junho rumo a Halifax, poderem ter tido contacto com o vírus.

No dia a seguir ao feriado nacional, o governo federal anunciou o prolongamento até ao fim do mês de Agosto da ordem de quarentena obrigatória para todas as pessoas que entram no país, salvo os que atravessam a fronteira periodicamente a trabalho, para garantirem a circulação de bens e serviços essenciais.

Todos os outros, quer viagem por ar, terra ou mar e quer tenham sintomas ou não, terão de se manter em quarentena durante 14 dias à chegada ao país ou arriscam-se a incorrer fortes penalidades, incluindo prisão e multas que podem chegar a um milhão de dólares caso se comprove terem causado a morte a alguém.

Poucos dias depois, um casal americano proveniente de Minnesota seria acusado de ter infringido a Lei Federal de Quarentena depois de ter sido informado de que teria de se dirigir directamente ao seu destino e permanecer em quarentena durante 14 dias, mas posteriormente ter sido visto a fazer uma paragem em Fort Frances.

Entretanto, uma porta-voz do Ministério da Saúde do Ontário revelou que o novo aplicativo criado para rastrear o contacto com casos de Covid-19 não iria ser lançado nessa semana, como estava anunciado, mas que a província continuava a trabalhar em parceria com o governo federal para que esteja pronto em breve.

O Ontário vai ser a primeira província a usar este aplicativo, mas o Primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, garantiu que até ao fim do Verão estará disponível no resto do país.

Dado o surto de infecções com o vírus corona nos trabalhadores migrantes sazonais, o seu homólogo no Ontário, Doug Ford, fez questão de destacar que todos deveriam apresentar-se para fazer os testes de despistagem e garantiu que os que tiverem resultados positivos não serão repatriados para os seus países, um dos principais receios de quem trabalha no sector.

Com o protocolo para a recolha de dados estatísticos relativos à forma como a doença atinge diferentes grupos sociais e raças prestes a ser implementado em todos os novos testes, peritos do sector da saúde acautelaram para o facto de que a forma como esses dados são geridos e utilizados irá determinar se a iniciativa ajudará a aliviar as disparidades expostas pela pandemia ou se, pelo contrário, causará mais danos.

A nível de Toronto, a Direcção de Saúde municipal aprovou uma proposta com vista à criação pela Câmara de acomodações voluntárias para quem estiver infectado com Covid-19 e não se possa isolar em sua própria casa.

A proposta, que depende dos apoios financeiros dos governos provincial e federal e segue modelos já implementados noutros centros urbanos, incluindo Nova Iorque e Chicago, vai ser apresentada ainda este mês na Assembleia Municipal.

Entretanto, uma carta dirigida à Dra. Theresa Tam, directora dos serviços de saúde a nível federal, e a cada um dos directores de saúde provinciais, assinada por meia centena de canadianos, solicitou o apoio das autoridades para quem se debate com sintomas persistentes de Covid-19.

O grupo, que se formou online com uma rede de apoio aos doentes infectados pelo vírus corona, pretende sensibilizar o público para a possibilidade dos sintomas da doença poderem continuar por um período prolongado.

Todos eles tiveram contacto com casos confirmados ou foram considerados terem sido infectados pelo vírus no início da pandemia, quando não havia ainda acesso a testes de despistagem.

Agora, os sintomas que dizem persistir deixam-nos na incerteza se continuarão infecciosas e não conseguem passar nos questionários de triagem para terem acesso a certos serviços clínicos.

A nível dos problemas que a pandemia revelou existir em muitos lares de idosos da nação, um relatório divulgado na última sexta-feira (3) pela Sociedade Real do Canadá afirma que a pandemia foi uma "onda de choque" que expôs "deficiências de longa data" e conclui que o Canadá falhou no seu dever de proteger os seus idosos.

O governo do Ontário anunciou entretanto que chegava ao fim a ajuda prestada por elementos das equipas médicas das Forças Armadas Canadianas nos lares da terceira idade da província.

Os militares que foram destacados para os lares em Abril, após um pedido da província ao governo federal, emitiram em Maio um relatório sobre as condições "chocantes" que disseram ter encontrado em várias instituições que prestam cuidados de saúde a idosos.

Por outro lado, foram destacadas equipas do Departamento de Gestão de Emergências do Ontário para o município de Essex a fim de ajudarem as entidades locais a alimentar e a prestar tratamentos médicos aos quase 200 trabalhadores duma estufa industrial cujos testes de despistagem de Covid-19 indicaram estarem infectados.

O director de saúde da região, o Dr. Wajid Ahmed, tinha dado ordens à herdade para que cessasse operações e fizesse com que os trabalhadores cumprissem com as regras de isolamento e indicou estar preparado para emitir novas ordens, caso surjam mais situações de risco para os trabalhadores.

Entretanto, segundo o Departamento de Estatísticas do Canadá, mais de três milhões de canadianos perderam o emprego ou sofreram uma redução acentuada nas horas de trabalho devido às medidas decretadas para travar a pandemia e muitos querem mudar de ramo ou actividade por considerarem que as suas carreiras não voltarão a ser viáveis como dantes.

Com o Verão a chegar ao auge, o Primeiro-ministro do Ontário anunciou alterações às ordens de emergência para, segundo indicou, reduzir a burocracia e permitir aos municípios a rápida aprovação de leis temporárias que permitiam reatar a actividade comercial, especialmente no que diz respeito à ampliação das áreas designadas para esplanadas de bares e restaurantes.

A autoridade responsável pela emissão de licenças para a venda de bebidas alcoólicas e de jogos de sorte no Ontário deu entretanto a conhecer a suspensão da licença de bebidas alcoólicas do clube Goldie e a intenção de a revogar por completo devido à ocorrência na semana anterior de uma festa secreta na qual participaram cerca de 150 pessoas.

O facto de não terem sido observadas as regras de distanciamento social durante o evento foi classificado como um grave atentado à saúde pública e a polícia, por seu turno, indicou que o proprietário, o gerente e a empresa vão ser indiciados pelo não cumprimento das ordens emitidas ao abrigo do estado de emergência decretado pela província.

O aparente cansaço do público com as regras de distanciamento social estiveram em evidência também na praia de Wasaga, onde grandes multidões se vieram a juntar para desfrutar dos dias quentes que ultimamente têm assolado o sul do Ontário

A situação levaria ao quase encerramento total da praia pelas autoridades, restando apenas três passadiços para acesso à água e aos estabelecimentos situados ao longo da rua Beach Drive.

Craig Williams, coordenador da gestão de emergências e sub-chefe dos bombeiros da localidade apelidou as cenas que testemunhou nos dois fins-de-semana anteriores como um exemplo de "comportamento humano da pior espécie".

Mais positivas têm sido as notícias da reabertura do Jardim Zoológico de Toronto, que voltou a abrir as portas ao público no fim-de-semana, ainda que mantendo algumas precauções e com a obrigatoriedade do uso de máscaras no interior dos edifícios.

Foi anunciado também que a equipa torontina de basquetebol, Toronto Raptors, irá defrontar os Houston Rockets numa partida amigável a 24 de Julho, a sua primeira competição em mais de quatro meses.

Seguir-se-ão mais dois encontros amigáveis, contra Portland a 26 e Phoenix a 28, em preparação para o recomeço da época, marcado para dia 30 deste mês.

Também o sub-comissário da Liga Nacional de Hóquei no Gelo (NHL, na sigla em inglês), Bill Daly, revelou no domingo que a liga e a Associação de Jogadores da NHL chegaram a acordo sobre os protocolos para retomarem a época, embora adiantasse que ambas as partes continuavam a negociar a extensão do acordo colectivo que ainda terá de ser aprovado.

Entretanto, um grupo de trabalhadores migrantes e outros sem estatuto de residente permanente – muitos dos quais têm estado a trabalhar na primeira linha de combate à Covid-19 – saíram à rua em várias cidades para reivindicar direitos e protecções, queixando-se de terem sido esquecidos pelo governo canadiano.

No domingo (5) o Grupo de Trabalho de Imunidade Nacional indicou ter começado a realizar análises para detectar a presença de anticorpos da Covid-19 em milhares de amostras de sangue e prevê poder dar uma imagem mais detalhada do número de canadianos que foram infectados pelo vírus dentro de duas semanas.

Contudo, segundo o dr. Timothy Evans, que dirige o grupo de trabalho, irá levar muito mais tempo a verificar que tipo de protecção esses anticorpos conferem, acrescentando que a maioria das pessoas cujo sangue for testado não serão informadas do resultado.

Segundo o médico, testes semelhantes realizados noutros países apontam para uma taxa de infecção 10 a 20 vezes superior ao número de casos detectados e que, no momento, se cifram em pouco mais de 100.000.

No dia seguinte, segunda-feira (6) o Ontário marcou o primeiro período de 24 horas sem registo de mortes atribuídas à Covid-19 desde 23 de Março, quando então haviam sido detectados apenas seis casos na província.

Também o número de hospitalizações (118) – que incluem pacientes nas Unidades de Cuidados Intensivos (36) e ligados a ventiladores (21) – foram os mais baixos desde que se começaram a divulgar estes dados, no início de Abril.

Os peritos alertam, no entanto, contra a complacência, da qual poderia resultar um ressurgimento do vírus.

No início da semana, tal como previam e temiam os procuradores da justiça do Ontário, a reabertura das salas de tribunal no Ontário ficou marcado por grande dificuldade em observar as regras de distanciamento.

Segundo Daniel Brown, vice-presidente da Associação de Advogados Criminais, esta reabertura parcial ficou marcada pela confusão devido a terem sido agendados demasiados casos para o número de salas de audiência disponíveis e pelo facto de que apenas foram fornecidas máscaras aos procuradores, tendo os outros participantes de as obter por conta própria.

Isto terá levado alguns promotores públicos a sugerirem a realização de julgamentos virtuais, ainda que nada tivesse sido previamente preparado para que assim se pudesse proceder.

Entretanto, Doug Ford anunciou que as únicas localidades no Ontário ainda na primeira fase de reabertura, Kingsville e Leamington, iriam passar à fase seguinte na terça-feira (7) uma vez terem-se reunido as condições necessárias já que, segundo indicou, os focos infecciosos em herdades da região estavam sob controlo e o índice de propagação do vírus era baixo.

A Câmara de Toronto anunciou a reabertura de vários campos multi-usos para "treino de equipa", embora com regras que, entre outras, limitam o seu uso por apenas 10 pessoas de cada vez, incluindo "participantes, treinadores e pais ou tutores legais, sem que sejam permitidos mais espectadores", além de não serem permitidos jogos de equipa.

Os defensores dos sem abrigo de Toronto voltaram a processar a autarquia alegando a falta de condições nos albergues da cidade.

Segundo o documento, o município não cumpriu com os termos de um acordo destinado a manter o necessário distanciamento entre utentes do sistema de albergues, o que, segundo o processo original, apresentado no início do ano, os coloca em risco devido à pandemia.

Entretanto, todos os presidentes das Câmaras das maiores cidades do Canadá voltaram a insistir na necessidade dos governos provinciais e federal avançarem com verbas urgentes para os municípios, para poderem comportar as despesas e a quebra de rendimentos que adveio da paragem económica.

No caso de Toronto, o presidente da Câmara, John Tory, indicou que um aumento do imposto predial na ordem dos 35 por cento e de outras taxas, a par de cortes nos serviços prestados pela autarquia, serão uma necessidade caso os governos federal e do Ontário não disponibilizem mais verbas para equilibrar o orçamento municipal.

Na terça-feira (7) o gabinete responsável por examinar o orçamento federal anunciou que o prolongamento dos subsídios para quem perdeu o emprego ou sofreu uma redução na sua actividade económica, na forma de um salário de base pelo período de seis meses a partir do Outono, poderia custar mais de 98 mil milhões de dólares.

O gabinete pesquisou vários cenários a pedido do governo, revelando no seu relatório que o montante necessário para essa iniciativa poderá oscilar entre os 47,5 mil milhões e os 98,1 mil milhões de dólares.

Segundo foi entretanto revelado, o défice federal deste ano deverá rondar 343 mil milhões de dólares, o que se deve aos subsídios concedidos no rescaldo das medidas decretadas para conter a pandemia e que resultaram em milhões de desempregados e subsequente declínio da actividade económica.

O governo federal anunciou a sua intenção de reabrir os escritórios de atendimento ao público da Service Canada, encerrados desde fim de Março.

Este mês estão previstos reabrirem 90 centros, a começar pelos 14 que abriram quarta-feira (8) após algumas semanas de obras para a instalação de divisórias transparentes nos balcões, reduzir o número de assentos e instalar sinalização a promover as regras de distanciamento.

Entretanto, o uso de máscaras no interior de qualquer tipo de estabelecimento público passou a ser obrigatório em Toronto desde terça-feira, salvo algumas excepções, nomeadamente no caso de crianças com menos de dois anos e pessoas que não possam usá-las devido a problemas de saúde ou mobilidade.

Contudo, competirá às entidades responsáveis pela gestão das lojas e estabelecimentos fazer cumprir a regra uma vez que a autarquia indicou não ter recursos para fiscalizar a sua aplicação.

A regra não se aplica a empresas e locais de trabalho inacessíveis ao público e não obriga as lojas a fornecerem máscaras aos clientes, permitindo-lhes apenas, se assim entenderem, não atender quem não as usar.

Várias outras municipalidades têm já em vigor decretos semelhantes, incluindo Guelph e os condados de Wellington e Dufferin, às quais se juntaram entretanto Mississauga e Brampton.


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