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Dr Shoo Lee: Um perfil de dedicação a um Canadá melhor e um mundo melhor

Muitas são as pessoas que sonham em ter um impacto na sociedade que os rodeia - ou até no mundo, quando a ambição é maior ou o sonho voa mais alto – mas a maior parte não tem a capacidade demonstrada pelo Dr Shoo K. Lee de se valer tanto da inteligência com que nasceu, como dos conhecimentos que adquiriu, como dos inúmeros laços estabelecidos com pessoas e organizações ao longo de uma carreira a caminho das quatro décadas para iniciar mudanças que se têm vindo a repercutir nas vidas de milhares de pessoas um pouco por todo o mundo.

O Dr. Lee é um neonatólogo e economista de saúde de renome internacional cujas contribuições para esse campo da medicina no Canadá e no mundo lhe valeram o título de Oficial da Ordem do Canadá em Dezembro de 2019, mas essa é apenas a sua mais recente distinção honorífica.

A Sociedade Pediátrica do Canadá atribuiu-lhe o Prémio de Neonatólogo Distinto e o Prémio de Palestra do Presidente da Sociedade Pediátrica do Canadá em 2007 e 2012, respectivamente, enquanto que o Ministério da Saúde e Cuidados Continuados do Ontário também por duas vezes o galardoou, primeiro com o Prémio de Mérito de Inovação na Saúde, em 2010, e depois com o Prémio de Realização, Empenho e Excelência, em 2013.

O Hospital Mount Sinai, onde trabalha, apresentou-lhe o Prémio Karen McGibbons em 2013 e já foi alvo de vários artigos em jornais e revistas, tendo sido eleito como um dos melhores médicos de Toronto pela revista Toronto Life em 2014.

Mas estas são apenas uma pequena parte de todas as distinções que lhe têm sido atribuídas reconhecendo o facto deste médico especialista em recém-nascidos ter dedicado a sua vida e carreira a pesquisar como melhorar os cuidados prestados a bebés doentes e conseguir mais desfechos positivos – ou seja, evitando a mortalidade e morbidade neonatal.

Nascido na Malásia e formado em medicina em Singapura, o Dr. Lee imigrou para o Canadá em 1985, vindo a naturalizar-se cinco anos depois. Foi cá que completou o seu treino como especialista na área da pediatria, no Centro de Saúde Infantil Dr. Charles Janeway, em St. John's na Terra Nova, seguindo até ao Hospital Infantil de Boston para adquirir a sub-especialidade de neonatologia, e foi na Universidade de Harvard que obteve o seu douto-ramento em Política de Saúde, na área de economia, antes de integrar em 1995 o quadro de neonatologia do Hospital Infantil de BC, em Vancouver, na Colúmbia Britânica.

Em 2005 o seu mérito e potencial emergente foram reconhecidos com a posição de professor catedrático de pediatria na Universidade de Alberta, onde permaneceu até 2009, quando passou a professor da Universidade de Toronto, onde liderou o departamento de neonatologia dos hospitais Sick Children, Mount Sinai e Sunnybrook.

Actualmente, Dr. Shoo Lee continua a ocupar a posição de director científico do Instituto do Desenvolvimento Humano e Saúde Infantil e Adolescente na principal agência federal responsável pelo financiamento de pesquisas médicas e de saúde no Canadá, designada por Institutos Canadianos de Pesquisa na Saúde, para a qual foi nomeado em 2011.

Além disso, ainda acumula os cargos de chefe do Departamento de Pediatria e director do Centro de Pesquisa sobre Cuidados Materno-Infantis do Hospital Mount Sinai (MiCARE, na sigla inglesa) e professor de Pediatria, Obstetrícia, Ginecologia e Saúde Pública, na Universidade de Toronto.

Mas o aspecto académi-co e os cargos que tem ocupado serão talvez a parte mais visível ao público que desconheça o trabalho deste médico, no entanto haverá muitas pessoas que sem o saber já foram tocadas pelo seu trabalho pioneiro e incansável contribuição para melhorar a saúde de recém-nascidos e suas mães.

O Dr. Shoo Lee foi um dos primeiros no mundo a reconhecer que as variações de desfechos entre hospitais podem ser usadas para identificar práticas clínicas que levem a melhores resultados, e foi com a finalidade de mobilizar o país em torno desse objectivo que, com mais de 100 colaboradores em 17 universidades e 30 hospitais de todo o país fundou a Rede Neonatal Canadiana – uma rede nacional de todas as unidades de cuidados intensivos terciárias – com o objectivo de em parceria realizar pesquisa direccio-nada a melhorar os desfechos para mães e bebés.

Depois criou uma base de dados nacional e desenvolveu a Pontuação de Fisiologia Neonatal Aguda (SNAP, na sigla inglesa), para facilitar a pesquisa, e desde aí a ferramenta SNAP tornou-se no padrão ouro mundial.

Veio ainda a desenvolver o método Prática Baseada em Provas Para Melhoria de Qualidade (EPIQ, na sigla inglesa) como um método científico de melhorar a qualidade dos cuidados prestados, vindo posteriormente a aplicar o método EPIQ em todas as Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais (NICUs, na sigla inglesa) do Canadá, o que levou a uma redução de 37 por cento de mortalidade e morbidade neonatal nos bebés prematuros nascidos na década entre 2004 e 2014.

O método EPIQ permitiu ao Canadá passar da última para a primeira posição entre os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OECD, na sigla inglesa) que contribuem para a Rede Internacional Para a Avaliação de Desfechos (iNEO, na sigla inglesa) – um organismo que recolhe dados de vários países sobre bebés prematuros ou com peso muito baixo à nascença.

Muitos outros países vieram a seguir o exemplo do Canadá e têm vindo a demonstrar resultados positivos do uso do EPIQ, entre os quais se contam o Reino Unido, Suécia, Austrália, Nova Zelândia, China, Japão, Malásia, Colômbia, Equador, Perú, Bolívia, Chile, Argentina e Brasil.

Após o sucesso da Rede Neonatal Canadiana, o Dr. Shoo Lee veio a acrescentar a esse modelo de pesquisa colaborativa ao estabelecer, com a ajuda de colegas, toda uma família de redes interligadas dedicadas à melhoria de cuidados ao longo de todo o período pré e pós-parto, tais como a Rede Perinatal Canadiana, a Rede Canadiana de Transporte Neonatal, a Rede Canadiana de Acompanhamento Neonatal, a Rede Canadiana de Cirurgia Perinatal e a Rede Canadiana de Vigilância Perinatal.

Este conjunto de redes único no mundo permite o acompanhamento de todas as gravidezes no Canadá, assim como todas as gravidezes de alto risco que recebam cuidados perinatais terciários, todos os bebés admitidos em NICUs, todos os bebés que precisam de certas cirurgias e todos os desfechos de desenvolvimento neurológico em bebés de alto risco, além de ter o potencial para melhorar mais ainda os desfechos para mães e bebés, tanto no Canadá como a nível internacional – isto porque o Dr. Lee faz questão de partilhar as lições aprendidas, mas também porque o mundo reparou e veio em busca desse conhecimento.

Se os prémios denotam um certo nível de reconhecimento, já o facto de terem chegado pedidos de participação e convites de hospitais e pesquisadores de todo o mundo indica uma apreciação profunda pelos resultados obtidos e uma sede de aprender com as instituições e sistemas criados no Canadá sob a tutela do Dr. Lee.

Assim sendo, em 2006 o Dr. Lee estabeleceu a Colaboração Internacional Neonatal, que hoje em dia já incorpora 100 hospitais espalhados pelo continente americano e pela Ásia, mas já em 2005 tinha iniciado o diálogo com vista à criação de uma estrutura de colaboração internacional que levasse ao intercâmbio entre redes nacionais.

Daí resultaram vários projectos de pesquisa em parceria, sendo entretanto estabelecida a iNEO que actualmente está sedeada no hospital Mount Sinai, em Toronto, e mantém a maior base de dados fundamentada em populações completas que agrega informação do Canadá, Reino Unido, Suécia, Finlândia, Espanha, Suíça, Itália, Israel, Japão, Austrália e Nova Zelândia, para se valer de um total de 400 milhões de pontos de referência usados para pesquisa em colaboração destinada a melhorar a qualidade e aplicação de cuidados neonatais.

Muito solicitado pela sua perícia na área da economia da saúde e planeamento e organização dos cuidados de saúde perinatais, o Dr. Lee já foi solicitado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pelos governos do Ontário, de Alberta e Colúmbia Britânica, assim como os da República da Irlanda, da Irlanda do Norte, China, Chile e Argentina, além de ser também bastante procurado nos meios académicos, já tendo sido professor-visitante e examinador externo em 32 universidades de todo o mundo.

Além disso, este médico Malaio-Canadiano também já fez parte dos corpos consultivos de muitas organizações de saúde e pesquisa regionais, nacionais e internacionais, entre as quais se incluem o Instituto Canadiano para Pesquisa Avançada, a Rede de Centros de Excelência, o Conselho Provincial do Ontário para a Saúde Materna e Infantil, a Fundação Michael Smith para Pesquisa sobre Saúde e a Aliança Global para Pesquisa do Parto Prematuro.

Além das suas funções oficiais, o Dr. Lee ainda encontra tempo para se envolver de forma activa em várias organizações e iniciativas de cariz social ou clínico sem fins lucrativos, tendo sido já por exemplo membro da direcção da Fundação Canadiana de Bebés Prematuros, que apoia famílias e zela pela saúde desses bebés, assim como da Fundação Norlein e o Instituto do Bem-Estar da Família, que apoiam famílias com problemas de toxicodependência, ou a Fundação das Crianças, que apoia famílias com inflamação gastrointestinal.

O Dr. Lee é um forte apoiante da Rede Consultiva da Família Canadiana, que aconselha hospitais e legisladores do Canadá, assim como do Grupo Consultivo da Família do Hospital Mount Sinai e ainda organiza um churrasco anual para mais de 800 famílias cujos bebés tenham sido admitidos na NICU do Mount Sinai.

Em 2011, Lee foi escolhido para liderar os investimentos e estratégia nacional canadiana na pesquisa sobre a saúde materna, infantil e juvenil ao ser nomeado para director do Instituto de Desenvolvimento Humano e Saúde Infanto-Juvenil nos Institutos Canadianos de Pesquisa Médica, como reconhecimento do seu trabalho de pesquisa, assim como da sua perspectiva e papel como figura de proa nesta área.

Desde aí lançou um plano estratégico nacional orientado pelo consenso sobre a pesquisa materna e infantil que adere a trajectórias de desenvolvimento saudável, reprodução saudável, gravidez, infância e juventude, assim como a integração de sistemas de saúde e políticas saudáveis.

Ele também estabeleceu o Canadá como líder mundial de uma estratégia de pesquisa de saúde destinada a reduzir a incidência de doenças crónicas não-transmissíveis na fase adulta através de uma abordagem inovadora às Origens Evolucionistas da Saúde e Doença em parceria com a OMS, a Fundação Bill e Melinda Gates e agências nacionais de financiamento em cinco países-chave, incluindo a China, Índia, África do Sul e México.

Além disso ainda liderou ou co-liderou várias iniciativas de relevo nacional nos Institutos Canadianos de Pesquisa da Saúde, incluindo a Estratégia de Pesquisa Orientada para o Paciente, destinada a melhorar os desfechos dos pacientes através de pesquisa, e a Iniciativa de Eleição sobre Ambiente e Saúde, tal como a Rede De Cuidados de Saúde Primários e Integrados.

Foi com encorajamento do Dr. Shoo Lee que foi estabelecida a organização Vida com um Bebé Prematuro, que organiza grupos de famílias voluntárias de apoio a famílias cujos bebés tenham sido dispensados das NICUs de 29 cidades e vilas do Ontário, mas ele também voluntaria o seu tempo e perícia de forma incansável para melhorar a saúde de mães e crianças em países em vias de desenvolvimento.

Na América Latina, por exemplo, estabeleceu uma base de dados multi-nacional para vigilância de desfechos neonatais apelidada de Red SIBEN assim como criou a Rede EPIQ-Latino para levar até aos países latino-americanos as ferramentas que irão permitir atingir a melhoria da qualidade de serviços através da pesquisa de desfechos.

A maioria dos líderes actuais na área de cuidados intensivos neonatais na China foram licenciados pelos Programas Internacionais de Treino em Medicina Neonatal Canadá-China e de Enfermagem Neonatal de Xangai estabelecidos por Lee e que se tornaram nos programas de ponta desta área naquele país, produzindo 80 neonatólogos e muitas enfermeiras ao longo da última década.

Lee estabeleceu ainda o Programa de Pesquisa Clínica Canadá-China, destinado a melhorar a qualidade da pesquisa feita em parceria pelos dois países e foi o impulsionador original de centros de saúde materna e de saúde infantil em áreas rurais, assim como de programas de treino na China que reduziram a mortalidade neonatal e materna em 60 e 40 por cento, respectivamente.

Ao longo da sua carreira, o Dr. Lee nunca descurou o seu papel de mentor tanto formal como informal, treinando os estudantes durante a sua passagem pela NICU, apresenta palestras frequentes e ensina tanto estudantes como membros da faculdade tanto da área de pesquisa como da área académica.

Lee instituiu um programa de treino ímpar clínico-cientista no hospital Mount Sinai que permite aos neonatólogos no quadro tirarem tempo para obterem os seus doutoramentos e os estudantes treinados por ele receberam mais de 50 prémios nacionais e internacionais pela pesquisa que realizaram, com muitos deles a singrarem em carreiras de sucesso.

Desde sempre um promotor incansável de algumas das melhores práticas aplicadas hoje em dia nas NICUs, o seu empenho e devoção valeram-lhe o respeito e consideração dos colegas nesta área, que o consideram como um pioneiro de "cuidados neonatais mais suaves e atenciosos".

Ele promoveu o papel central das famílias nos cuidados a bebés doentes e foi pioneiro do Modelo de Cuidados Integrados Familiares (MCIF) que ensina e capacita as famílias para que sejam as principais provedoras de cuidados aos seus bebés nas NICUs – um modelo que veio a revolucionar os cuidados neonatais por todo o mundo, resultando em melhores desfechos tanto para bebés como famílias, incluindo uma melhoria de 25 por cento no peso dos bebés, 80 por cento de aumento na taxa de alimentação com leite materno e uma redução significativa da ansiedade e stress dos pais.

O MCIF veio a ser adoptado como padrão de prestação de cuidados em NICUs por todo o Canadá e está a ser copiado e implementado nos EUA, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, China e outros países da Europa e América Latina.

Ciente da importância do leite materno para os bebés em situação de risco ou crise, o Dr. Lee estabeleceu o Banco de Leite Humano Doado Rogers-Hixon no hospital Mount Sinai - o primeiro banco alimentar deste tipo financiado por fundos provinciais e públicos, que agora fornece leite humano doado a todos os bebés de alto risco na província do Ontário e foi responsável por evitar anualmente na província a morte de 15 bebés e 50 casos de enterocolite necrosante (grave infecção intestinal potencialmente fatal).

A visão e liderança do Dr. Lee têm vindo não só a melhorar os desfechos para bebés no Canadá e outros países, como estabeleceu o Canadá como um líder mundial na pesquisa dos desfechos neonatais e mudou a forma como se praticam os cuidados neonatais no mundo.

Não é portanto de admirar que o Dr. Lee seja prolífico na quantidade de pesquisa realizada, tendo publicado mais de 600 artigos, incluindo 249 manuscritos e 323 resumos em jornais sujeitos a revisão pelos seus pares, assim como 40 capítulos de livros e relatórios.

Dada a sua reconhecida perícia neste campo, é ainda um palestrante sobejamente procurado para apresentar os seus pontos de vista e conclusões, tendo acedido a 600 pedidos para divulgar os seus conhecimentos em colóquios e conferências científicas.

O Hospital Mount Sinai quantifica a influência do EPIQ a nível nacional como um aumento de 32 por cento na sobrevivência de recém-nascidos sem problemas de saúde, uma redução de 68 por cento nas doenças da vista, assim como 45 por cento menos infecções e 33 por cento menos doenças gastro-intestinais.

O Dr. Lee trabalhou toda a vida em prol da saúde das mães e das crianças e os programas iniciados por ele no Canadá e adoptados além-fronteiras irão continuar a influenciar positivamente muitas vidas nos anos vindouros, assegurando que o seu é decididamente um impacto positivo na sociedade e no
mundo.


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