CANADÁ EM FOCO


Vice-governador do Banco do Canadá alerta que taxa de juros de referência pode vir a ultrapassar o objectivo de 3%

Um dia depois de aumentar a taxa de juros de referência em 50 pontos-base para 1,5%, o Banco do Canadá alerta que esta poderá vir a ultrapassar os níveis anteriormente designados como ideais por forma a dar resposta ao que o banco chama de "inflação consolidada".

"Temos de aumentar as taxas de juros, tanto para enquadrar a procura com a oferta como para garantir que a inflação consolidada não se prolonga", referiu o vice-presidente do Banco do Canadá, Paul Beaudry, num discurso proferido na Câmara de Comércio de Gatineau.

O banco central já tinha como objectivo aumentar a principal taxa de empréstimos concedidos às instituições financeiras para um valor entre 2% a 3% (margem de neutralidade), por forma a tentar controlar a inflação, mas numa altura em que a economia canadiana está em fase de "sobreaquecimento", o banco considera que poderá ter de exceder as metas estabelecidas anteriormente.

Segundo Paul Beaudry, poderá ser necessário "elevar a taxa básica de juros para o valor máximo ou até superior à margem de neutralidade, para equilibrar a procura e a oferta e manter bem controladas as expectativas quanto à inflação".

A margem de neutralidade designa uma faixa dentro a qual o banco acredita que as taxas de juro não estimulam nem pesam no crescimento da economia.

Futuros aumentos das taxas de juros ajudariam a combater aquilo a que o responsável do banco central chama "inflação consolidada", cenário em que os preços sobem porque estão a aumentar também noutros sectores e porque a mão-de-obra está a encarecer, tornando-se a inflação num fenómeno que se alimenta a si próprio e aumenta continuamente.

Paul Beaudry reconhece haver quem considere estarmos já num período de inflação consolidada, mas o banco considera que factores externos, como a guerra na Ucrânia, problemas nas cadeias de abastecimento e os confinamentos na China devido aos surtos de Covid-19 estão ainda a ter um impacto significativo na taxa inflação que atingiu os valores mais altos dos últimos 31 anos.

O vice-governador do banco admitiu também que não só a inflação não se cingiu à meta de 2%, como "excedeu consistentemente as previsões" do banco central.


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