CANTINHO DA POESIA


No gélido da noite

Por Eduardo Duque
Sol Português

No gélido da noite
Oiço o grinfar, cagarras...
Rocha, altitude afoite...
Da longura de oceano, afagas!

Além disso, silêncio absoluto
O breu das ondas, resoluto
Na longevidade do impossível!

Falésias, bizarro álamo
Diversidade aromática...
Vinhas adormecidas, reclamo
Na embriagues do tempo, apática.

Sim, apática maré
Ao chegar das ondas..
Horizonte que não sabe quem é...
No sonho, assim profundas!

No gélido da noite acordo
Na ânsia de chegar, não sei a onde...
Lágrima que escorre da alma, não concordo...
Sem cura, nostalgia, ferida se esconde!

Gesto inseguro, que corre
Todas as velas do coração...
Sinto a nudez que percorre...
Espada nítida da noite, recordação!

Desfralda dor que sente
Dos lábios, Pátria cintilante...
Glória gélida, na noite ausente
Dor que a alma não consente, ser tão distante!

E à luz do dia deseja:
Que já fica longe demais...

A alegria que tanto anseja...
Te rever, oh! Pátria me alegrais!

Interrompes passos
Searas por semear...
Meus desejos devassos...
De não estar contigo, sorrir, te amar!


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