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Sopas do Espírito Santo nos Açores
celebram "partilha e solidariedade"

A preparação das sopas do Espírito Santo implica uma "grande azáfama" e a distribuição celebra a "partilha e solidariedade" dos Açores, resume Lurdes Vasconcelos, líder da equipa mobilizada para os festejos que se realizaram na passada segunda-feira (6) do Dia da Região, na Lagoa.

"Gosto de fazer as sopas. É uma tradição. Celebramos a partilha", explicou à agência Lusa a cozinheira de 62 anos, residente na freguesia de Feteiras, concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, assumindo a "grande fé" depositada na terceira pessoa da Santíssima Trindade, cujos festejos foram introduzidos nas ilhas pelos primeiros povoadores.

Preparar as sopas do Espírito Santo e distribuí-las, gratuitamente, pela comunidade, é sempre "uma grande azáfama" mas também uma tradição que Lurdes Vasconcelos e a irmã, Maria do Céu Resendes, cumprem "com muito gosto".

Depois da pausa devido à pandemia de covid-19, foi o que aconteceu na segunda-feira, Dia dos Açores e feriado regional, este ano oficialmente assinalado pela Assembleia Legislativa Regional na Lagoa, concelho da ilha de São Miguel que comemorou 500 anos de elevação a vila e a sede de concelho e 10 anos de cidade.

Lurdes Vasconcelos liderou a equipa de pessoas que prepararam a refeição, onde também foi servida carne assada, massa sovada (um típico pão doce feito nos Açores) e arroz doce como sobremesa.

"Já estou habituada. É muita canseira, muita fadiga, mas quando acabamos e está pronto é uma alegria", disse Lurdes Vasconcelos.

A confecção das sopas do Espírito Santo foi "de véspera", já que, "na segunda-feira, tudo tinha de estar pronto, sem nenhuma falha", assinalou.

Carne e fatias de pão constituem os principais ingredientes destas tradicionais sopas do Espírito Santo.

"É necessário cozer a carne de vaca", para as sopas, num processo que "chega a demorar entre uma a duas horas", descreveu Lurdes Vasconcelos.

Na água são colocados vários temperos, como sal, cravinho, cebola, alho, louro, manteiga e vinho branco e repolho.

"Depois, no fim, colocamos fatias de pão caseiro e hortelã", explicou.

Carlos Furtado é proprietário de um restaurante na Lagoa que ficou com a missão de gerir "a operação de preparação" do almoço de segunda-feira do Dia dos Açores.

Foi "o mais típico possível. Propusemos a realização das tradicionais sopas, a carne assada e, para sobremesa, o arroz doce e a massa sovada", explicou o empresário à Lusa, indicando que foram "cozinhadas cerca de 1.000 sopas" que foram distribuídas gratuitamente, disse.

Ainda de acordo com o empresário, a operação envolveu "uma grande logística".

O evento realizou-se em "uma tenda de grandes dimensões", instalada em frente à Nonagon, o Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, adiantou.

As sopas do Espírito Santo "têm a ver com o sentido de partilha dos festejos", sublinhou.

O Dia dos Açores foi instituído pelo parlamento açoriano em 1980, visando celebrar a autonomia política e administrativa da região, sendo celebrado na segunda-feira do Espírito Santo.


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