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Arsenal do Minho de Toronto:

Minhotos Marotos animam noite de São Martinho na presença de dignitários federais

Por João Vicente
Sol Português

O São Martinho é uma das principais tradições minhotas celebradas pelo Arsenal do Minho de Toronto, colectividade de raiz bracarense que aqui se constituiu em 1986 e que no passado sábado (4) mais uma vez reuniu cerca de nove centenas de convivas em torno desta celebração outonal.

A data desta comemoração, que por norma incide no dia 11 de Novembro – quando o santo foi a sepultar – aqui por "Terras de Corte Real" gravita normalmente para o fim-de-semana mais próximo.

Porém, com tantas colectividades a procurarem alugar salões na mesma altura, por vezes é necessário demonstrar alguma flexibilidade e foi o que aconteceu este ano, com a colectividade minhota a optar por celebrar uma semana antes por forma a conseguir um espaço suficientemente grande para esta sua realização anual.

Para isso reservou o salão de festas do sindicato LIUNA Local 183, onde um jantar e espectáculo e o habitual partilhar de castanhas assadas recriou a tradição popular do magusto minhoto.

Presentes ao convívio, que foi animado por uma banda vinda de Portugal e pela actuação do rancho da casa, estiveram dois representantes do governo federal: Ahmed Hussen, ministro da Imigração, Refugiados e Cidadania, e a deputada Julie Dzerowicz.

Por coincidência, a nova sede do Arsenal está situada no círculo eleitoral de York Sul – Weston, mas o ministro Hussen, que representa essa circunscrição a nível federal, afirma que já antes fazia questão de participar deste evento anual – tradição que manteve este ano.

Além de deixar os seus parabéns pela iniciativa e congratular a organização e os voluntários, o ministro deixou ainda uma mensagem especial relativa à comunidade portuguesa.

"Este é um ano especial para o Canadá: é o 150° aniversário do estabelecimento oficial do Canadá como nação e quando olhamos para esses 150 anos e para o que o Canadá se tornou, constatamos que várias vagas de imigrantes vieram para este país e cada uma delas contribuiu para o que ele é hoje; e a comunidade luso-canadiana faz parte dessa história, construindo esta cidade e este país – contribuindo fortemente – por isso aqui fica o meu agradecimento como ministro da Imigração, desejando a todos um feliz São Martinho", declarou.

Ahmed Hussen tem estado nas notícias desde o início do mês, quando anunciou um aumento progressivo da quota de imigração nos próximos três anos e que, em 2020, deverá atingir os 340 mil imigrantes por ano.

Apesar de elevado em relação aos últimos anos, este número ainda assim fica aquém dos 375 e 400 mil que chegaram a este país em 1912-1913 e, em termos da proporção de residentes nascidos no estrangeiro, que era de cerca de 15% no início dos anos '50 – quando começou, oficialmente, a imigração portuguesa – ronda agora cerca de 20 a 25% da população, valor que já não era visto desde aquela altura do início do século passado.

Entretanto, também a deputada Julie Dzerowicz, que representa em Otava o círculo eleitoral de Davenport, onde está localizada a maior concentração de população de origem portuguesa neste país, felicitou o Arsenal do Minho por preservar as suas tradições e teve uma recepção calorosa do público perante o seu relato da visita que recentemente efectuou a Portugal.

Entre outros destinos, a política passou por Braga, visitou o Bom Jesus, assistiu a um encontro do Sporting de Braga e visitou Guimarães e o local específico onde se diz ter nascido Portugal.

Antes de terminar a sua alocução, Julie Dzerowicz referiu a proposta de lei que apresentou na Câmara dos Comuns e que visa sagrar o 10 de Junho e o mês de Junho como Dia e Mês de Portugal no Canadá, respectivamente, a qual deverá ser votada ainda esta semana, e concluiu com a leitura e a apresentação de um certificado em nome do Primeiro-ministro, Justin Trudeau.

Fazendo jus ao clima de festa, a animação começou cedo com a apresentação do rancho da casa, que esteve presente em força com elementos adultos, infantis e juvenis numa exibição de alguns dos temas mais populares do seu repertório.

Os dançarinos viriam a passar o testemunho à banda convidada, Cláudia Martins e os Minhotos Marotos, que além de divertir puseram muita gente a dançar com os seus temas animados e pautados pelo bom humor e pela folia que caracteriza o povo daquela região.

De destacar também a ementa do jantar, que incluiu pratos tradicionais destas festas, como as papas de sarrabulho, entre outros,

Passada cerca de uma hora de espectáculo foram servidas as castanhas assadas, quentinhas e, à falta de jeropiga ou água pé, bem regadas com vinho, tal como a refeição o havia sido.

Ao todo foram "só" cerca de 400 quilos de castanha portuguesa que foram debitados entre os aresenalistas, seus amigos e familiares ali presentes.

Os radialistas Fátima Martins e Carlos Ferreira repartiram entre si o cargo de mestres-de-cerimónias e a festa, cujo som esteve nas mãos da equipa de 5 Star Productions, continuou pela noite dentro com música popular e até algumas cantigas à desgarrada interpretadas pela banda convidada, vinda de Portugal.

Em declarações ao jornal Sol Português, a presidente da Direcção do Arsenal, Laurinda Araújo, declarou-se contente com o sucesso dessa noite, que atribuiu à popularidade da banda vinda de Portugal.

Cláudia Martins, por seu turno, destacou as suas actuações anteriores nesta colectividade, lembrando que "há vários anos que cá venho, desde os meus 17 anos", para participar na festa dos Cantares ao Desafio, que o Arsenal realiza em Fevereiro.

"Desta vez tive oportunidade de trazer cá o meu projecto completo, a banda dos Minhotos Marotos, e é uma honra poder estar junto novamente destes queridos emigrantes de Toronto", acrescentou.

Para esta actuação a artista trouxe essencialmente temas originais, sem esquecer um pouco das cantigas ao desafio, para satisfazer o público.

Fez ainda alusão a um novo tema inspirado numa multa que apanharam por excesso de velocidade, explicando-nos que surgiu de um incidente com a Guarda Nacional Republicana (GNR), quando recentemente se dirigia com a banda para um espectáculo e foram parados pelas autoridades.

Cláudia aproveitou para prendar os guardas com algumas poesias improvisadas, cujo vídeo depressa se propagou de forma viral nas redes sociais e daí nasceu um novo tema, "Cantiga à GNR", que será lançado oficialmente dentro de duas semanas.

Reza o refrão: Paga a multa, paga a multa/Que o guarda tem razão/Mas não há nada que pague/A boa disposição.

Entretanto, e segundo Tony Letra, que é um forte impulsionador do Arsenal, tendo já desempenhado vários cargos na sua Direcção, a escolha da banda para animar os eventos do Arsenal é pensada com grande cuidado e é uma decisão importante.

"Nós tentamos atrair a camada jovem, porque não queremos que estas tradições se extingam", por isso "tentamos trazer grupos que não só agradem à camada menos jovem, mas à camada jovem também [...] sobretudo para os cativar e para eles saberem que vale a pena manter a nossa cultura nestas terras", acrescentou.

Laurinda Araújo garante que o que aqui se faz é ainda maior do que as festas actualmente em Portugal.

"Quando estava em Portugal não havia eventos como este", afirmou a presidente, peremptória, ao declarar que "aqui faz-se por fazer igual e manter as tradições", mas "o evento aqui realizado é ainda mais animado do que lá".

A próxima grande celebração no Arsenal do Minho será a Festa das Crianças, no dia 16 de Dezembro. A colectividade irá ainda promover um réveillon de Fim de Ano e em Fevereiro a grandiosa Festa das Concertinas, que é uma das suas imagens de marca.


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