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Rui Gomes Meats & Food Market: Depois de quase "dois anos de bastante stress", empresário luso-canadiano confiante no futuro pós-pandemia

Por Luís Aparício

Sol Português

A caminho de celebrar 30 anos de actividade em 2023, a empresa Rui Gomes Meats & Food Market é hoje um nome de referência como supermercado e churrasqueira situada na Rogers Road, zona de Toronto com forte presença da comunidade lusa.

Ao leme do barco está o empresário Rui Gomes, natural de Odivelas, Portugal, que emigrou para o Canadá em 1987 e, seis anos depois, montou o seu próprio negócio em Toronto, então com a designação de Talho e Salsicharia Rui Gomes.

A linha temporal, marcada por uma fase inicial de aprendizagem e crescimento, permitiu-lhe entretanto aguçar o sentido de oportunidade e desenvolver a capacidade de percepção e de resiliência para acompanhar as constantes mudanças num ramo de actividade muito competitivo, como é o sector alimentar.

Com a abertura em 2014 do mais novo estabelecimento, sito ao N.º 546 Rogers Road, "caíram" as palavras "Talho e Salsicharia" e o espaço passou a ser conhecido por Rui Gomes Meats & Food Market – uma alteração pensada para facilitar a vida, a nível linguístico, de um número crescente de clientes de língua inglesa.

Foi "uma boa mudança", como o próprio afirmou em declarações ao jornal Sol Português, e dimensionou a vertente multicultural da empresa face a uma clientela que abrange principalmente a comunidade portuguesa (na sua maioria), mas também a hispânica e a brasileira – ambas em forte crescimento no Canadá.

Como para todo o negócio que tem a porta aberta qualquer bom cliente é sempre bem-vindo, o lema, esse, continua a ser o mesmo: trabalhar com dedicação e procurar servir da melhor forma possível porque, como justifica Rui Gomes, "o cliente é livre, vai onde é bem servido e onde se sente bem".

Desafios face à pandemia

A chegada da pandemia de Covid-19 alterou por completo a rotina do dia-a-dia e levou muitas empresas a terem de encerrar durante o confinamento, enquanto outras se viram obrigadas a "reinventar-se" para fazerem frente à nova realidade económica e social que despontava.

Embora tenha fechado durante uma semana, "porque apareceram uns casos aqui no talho", como indica, Rui Gomes considera que o período da pandemia não foi totalmente mau, tendo inclusive registado um bom desempenho em termos de vendas.

"O único senão é que têm sido [quase] dois anos de bastante stress", admite.

E se algumas empresas, nomeadamente no sector da restauração, entre outras, tiveram de despedir temporariamente alguns dos seus funcionários, orgulha-se de não ter tido de colocar ninguém em lay-off.

"Até pelo contrário, ainda contratámos mais empregados porque tivemos muitas encomendas para fazer entregas", ressalva.

Reconhece por isso a dificuldade que muitos empregadores estão actualmente a ter para conseguirem contratar trabalhadores.

"A gente está com falta de pessoal", afirma categoricamente, lembrando que "o sistema de imigração está fechado, portanto o pessoal não está a entrar [no país] e os que cá estavam, muitos saíram".

Devido aos que "ficaram sem trabalho" e aos que "resolveram voltar para Portugal e outros países", resultou "uma falta grande de pessoal para trabalhar" que agora se reflecte quando tenta contratar novos funcionários.

Não deixa também de apontar o prolongamento da ajuda financeira do governo como um factor que está a prejudicar a contratação, pois "as pessoas que estão a ser subsidiadas pelo governo acabam por não querer ir à procura de trabalho".

Embora não tenha feito nenhum pedido para aceder aos mecanismos de ajuda financeira federal – porque esteve sempre de portas abertas, logo não "fazia qualquer sentido" pedi-los, como reconhece – diz que o sistema implementado pelo governo para ajudar as pessoas e as instituições foi, em termos gerais, "bom" e permitiu que as coisas não tivessem sido ainda piores.

Também para ele este período foi uma oportunidade para "dar o salto digital" e implementar um portal electrónico modernizado, como sucedeu um pouco por todo o lado, algo que diz ter em mente há já algum tempo porque, como ressalva, a tecnologia está a dominar cada vez mais.

Reabertura da economia e campanha de vacinação

Com a província do Ontário na terceira fase do seu plano para a reabertura da economia enquanto decorre um novo esforço para concluir o processo de vacinar a população, o aumento no número de infecções de Covid-19 na altura em que as crianças regressam às aulas não significa que venha a ser decretado novo confinamento no Outono, na sua opinião.

Isto porque considera que o governo e os hospitais estão agora melhor preparados, depois de terem sido apanhados de surpresa por uma doença desconhecida, com a qual não sabiam como lidar.

Na sua óptica, e passado o pânico inicial que prejudicou muito a vida social e levou muita gente a tomar "decisões erradas", a vida começa a voltar um pouco à normalidade, com as pessoas mais conscientes de que têm de aprender a viver com a realidade do vírus.

A ajudar a tudo isto está, claro, o processo de vacinação, que na sua opinião está a correr bem apesar de no início se ter visto alguma confusão, ainda que esperada, "porque era tudo novidade".

Mostra-se confiante por isso que "mais tarde ou mais cedo, todos vão ser vacinados", apesar de haver alguma relutância e hesitação a esse respeito entre alguns grupos demográficos.

Recorde-se que o governo do Ontário anunciou que irá criar um "passaporte de vacinação", certificado que a partir do dia 22 de Setembro vai ser exigido a quem frequentar restaurantes, cinemas, academias de ginástica e outros estabelecimentos ou locais onde são prestados serviços considerados "não-essenciais".

O certificado, contudo, não será exigido nas lojas ou em supermercados, para almoçar ou jantar nas esplanadas ou nos pátios de restaurantes e bares, nos locais de trabalho, nem para aceder a igrejas e serviços religiosos, ou a farmácias, bancos e outros estabelecimentos que prestam serviços essenciais.

No meio de tudo isto, o empresário luso considera que a pandemia "talvez tenha feito o mundo inteiro pensar duas vezes" relativamente ao caminho que deve seguir, além de criar os alicerces para uma mudança de mentalidades numa sociedade que se pretende equitativa e justa.

As suas últimas palavras são de agradecimento aos clientes e a todos quantos o têm ajudado ao longo dos anos já que, como lembra, só assim lhe tem sido possível continuar a proporcionar um bom atendimento e oferecer um leque variado de artigos e produtos de qualidade direccionados às necessidades da comunidade.


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