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Centenas de pessoas acorrem ao Forte York para celebrar Dia de Simcoe

Por João Vicente
Sol Português

O som de tambores e pífaros predominou esta segunda-feira (7) no Forte York, por ocasião da comemoração do Dia de Simcoe, com muita gente a ali acorrer para assistir às manobras militares e outras demonstrações que tiveram lugar naquele espaço histórico.

Feriado Cívico que se observa na primeira segunda-feira do mês de Agosto, este dia não é assinalado de forma idêntica em todo o Canadá e tem por isso diferentes nomes, consoante a cidade ou região – seja em honra de locais, eventos ou pessoas, ou conhecido simplesmente pela sua designação genérica.

Apelidado de Dia de Joseph Brant em Burlington, dos Fundadores em Brantford e de McLaughlin em Oshawa, em Toronto esta comemoração foi estabelecida pelo município em 1869 e chama-se Dia de Simcoe em honra do general do exército britânico que foi o primeiro tenente-governador da Província do Alto Canadá e fundador desta cidade: John Graves Simcoe.

Foi Simcoe quem fundou tanto o Forte York como a cidade de Toronto, em 1793, na altura também designada York, num processo assente na sua intenção de construir uma forte base naval com uma cidade a Leste.

A região já era conhecida por Tkaronto e em 1834 York passou oficialmente a chamar-se Toronto.

Talvez menos conhecida mas não menos importante foi a atitude anti-esclavagista assumida por John Simcoe, que numa altura em que muitos dos membros da legislatura ainda tinham escravos defendia a abolição da escravatura e introduziu legislação que foi o princípio do fim desta prática no Canadá.

Daí também um dos motivos para a data da realização do festival cultural Caribana incidir neste fim-de-semana, pois celebra o Dia da Emancipação.

Estes e outros detalhes foram dados a conhecer aos muitos visitantes que nesse dia acorreram ao Forte York onde decorreu um evento especial durante o qual puderam aprender um pouco mais sobre aquele espaço histórico no coração de Toronto bem como sobre a época em que se desenrolaram os eventos relevantes ao forte e ao tenente-governador na origem da sua fundação.

O apresentador fez questão de mencionar no prefácio da cerimónia que o terreno onde esta se desenrolou foi pertença original dos Mississaugas de New Credit, dos Huron Wendat, dos Haudenosaunee e de muitos povos indígenas que por aqui passaram e que fizeram seu este cantinho da província do Ontário.

Após a banda e as tropas trajadas no garbo característico do final do século XVIII terem marchado e executado várias manobras, surgiu o tenente-governador Simcoe (papel desempenhado por Ken Purvis) que passou as tropas em revista antes destas voltaram a marchar mais uma vez frente à tribuna e à multidão ali reunida.

No final, o tenente-governador fez um breve discurso durante o qual justificou a designação original do forte e da cidade como uma homenagem à – na altura – recente vitória do Duque de York na Holanda face a invasores franceses e concluiu o seu discurso pedindo uma salva de mosquetes seguida de um disparo de canhão.

Este foi o momento alto desta primeira demonstração, apesar do canhão não ter disparado quando estava previsto e a carga ter vindo a despoletar mais tarde, para surpresa de muitos que tiveram um sobressalto já a cerimónia tinha terminado e estavam ainda a tirar fotografias com os figurantes que representavam os soldados e o tenente-governador.

Entretanto o público pôde também visitar gratuitamente os edifícios e descobrir um pouco mais sobre este período da história do país, dado estarem a decorrer várias demonstrações.

Assim, num dos edifícios podia-se assistir a uma demonstração de danças de salão, com vários pares dos York Regency Dancers a mostrarem como se fazia naquele tempo e a desafiarem elementos do público para se lhes juntarem.

Na messe dos oficiais faziam-se pratos com ingredientes, utensílios e métodos de cozinha característicos daquele período, desde galinha de caril a sobremesas como tartes de pêssego. de amoras e outras variedades criadas com produtos desta época do ano.

Cada um terá tido o seu favorito, mas para uma visitante italiana foi o pão que a deslumbrou pelo que andou de roda da senhora que o fez até conseguir que esta lhe desse a receita.

Cerca de uma hora depois da primeira demonstração militar, uma segunda mostra, desta feita já sem a presença de Simcoe mas, para compensar, mais elaborada, com mais disparos de mosquetes e o canhão a funcionar como, e quando, era suposto.

A banda e os tropas mais uma vez marcharam ao som dos pífaros e tambores mas desta feita foram exemplificadas tácticas específicas usadas pelos soldados daquela época na guerra de 1812, quando o Canadá teve de se defender dos ataques americanos.

"Imaginem que viajámos no tempo" – convidava Ewan Wardle, encarregue desta apresentação.

"As forças da coroa, os anglo-canadianos, tomaram a sua posição no campo e frente a eles as forças americanas avançam" elaborou, enquanto as largas dezenas de pessoas na assistência, muitas delas jovens e crianças, usavam a imaginação para visualizarem as tropas invasoras.

Os figurantes que representavam os soldados defensores do forte procederam então a demonstrar tácticas e estratégias usadas na época, enquanto o orador ia explicando o porquê de dispararem individualmente, em secções ou em conjunto, e o público podia observar as diferentes formas de avançar e retroceder no campo de batalha.

A encenação acabou com os canadianos a receberem ordem de ataque, o que fizeram em uníssono com um berro que surpreendeu sobretudo os mais jovens.

Foi um dia bem passado, de forma didáctica, e embora não tivéssemos dado por nenhum português na assistência, já ao fim da tarde, perto da hora de encerramento, reparámos numa família brasileira a quem pedimos as suas impressões.

Regina Célia, acompanhada do marido, está de visita à filha, que mora em Toronto, e conta-nos que já assistiu à "troca da guarda em Otava, mas balas e canhões em acção, jamais havia visto".

A filha, Estella da Silva, vive no Canadá há exactamente um ano e explica à nossa reportagem que o aniversário da sua chegada foi este feriado.

Tal como muita gente em Toronto, Estella já passou inúmeras vezes junto do Forte York, dado que a via rápida Lakeshore é uma das mais movimentadas da cidade, mas nunca o tinha visitado.

Como recém-chegada, diz-nos ter apreciado e feito questão de aproveitar a oportunidade que lhe foi dada para conhecer um pouco mais acerca da história do Canadá.

Segundo Ewan Wardle, que está envolvido de uma forma ou outra no Forte York há 17 anos, até 5 de Setembro o forte está aberto diariamente das 10h00 às 17h00 e tem demonstrações diárias, semelhantes às que ocorreram nesse dia.

Contudo, e por se tratar de uma ocasião especial, o número de tropas nesta ocasião contou com "reforços" vindos do Forte George (Niagara-on-the-Lake) e do Forte Erie, e o público teve entrada gratuita.

Estas "tropas" são constituídas por estudantes, para quem este é um trabalho de Verão, contando-se entre elas também alguns voluntários adultos, enquanto muitos dos outros actores e actrizes com vestimentas da época e que desempenham o seu papel nas várias demonstrações ao longo do ano são também funcionários ou voluntários.

Normalmente os bilhetes variam entre 5,99 (crianças dos 6 aos 12 anos) e 14,01 dólares (adultos), embora uma família composta por dois adultos e três crianças possa entrar por apenas 35 dólares.

A bandeira é içada diariamente às 10h30 e arreada às 16h30, o canhão é disparado às 12h30 e 15h30, e as visitas guiadas acontecem de hora a hora, com demonstrações de música e marcha nas meias horas, entre as 10h30 e as 16h30, excepto às 12h30, que é a hora do almoço.


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