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Presidente da Assembleia madeirense de visita ao Canadá com paragens em Toronto e Montreal

Por João Vicente
Sol Português

De visita às comunidades madeirenses na América do Norte, o presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM), José Tranquada Gomes, chegou segunda-feira (7) ao fim do dia a Toronto onde tem vindo a participar numa série de encontros com organismos e entidades locais.

A meio do dia de quarta-feira (9) o dignitário madeirense fez uma breve paragem no Consulado-Geral de Portugal em Toronto, onde concedeu entrevistas a vários meios de comunicação social, uma das principais actividades agendadas para esse dia dado ter ainda previstas passagens pelas rádios comunitárias CHIN e CIRV, além de já antes ter estado na emissora FPTV.

À saída do consulado proporcionou-se o contacto com William Delgado, gerente do gabinete do AICEP em Toronto, que, em breves minutos, expôs a mudança que tem havido em termos de voos directos para Portugal e as ramificações dessa competitividade entre as linhas aéreas.

Tranquada Gomes mostrou-se sobretudo impressionado com o programa de stopover da TAP – que permite aos viajantes internacionais permanecerem até três dias na capital portuguesa, à ida ou à volta, quando tiverem de mudar de avião em Lisboa para atingir outro destino – reconhecendo-o como uma potencial mais valia para os madeirenses, cuja principal preocupação é não terem voos directos para a Madeira.

Em declarações ao jornal Sol Português, o presidente da ALRAM citou o problema dos transportes, nomeadamente a falta de ligação aérea directa e de transportes marítimos no arquipélago, como um dos mais sérios e para o qual o governo madeirense continua a tentar dar solução.

A respeito da hipotética solução encontrada para a ligação aérea, em conjunto com o governo central, diz que "não tem funcionado como seria o nosso objectivo e o nosso propósito" e que estão a tentar corrigir isso.

Entretanto lamenta que estejam a tentar retomar uma linha de ferry entre a Madeira e o continente sem qualquer apoio do governo central que, diz, simplesmente declarou o projecto "inviável".

Apesar disso, afirma terem a intenção de avançar com o projecto, com dinheiros da União Europeia e da própria Região Autónoma, pois considera que os efeitos positivos para a Região vão além da rentabilidade dessa via de transporte.

"Recebemos o apoio da União Europeia ao financiamento [...] por [esta] considerar que as regiões ultra-periféricas hoje têm necessidades específicas que não se compadecem com as regras do mercado único", acrescentou.

Ainda na quarta-feira, depois do almoço, decorreu um encontro à porta fechada com o presidente da Câmara Municipal de Toronto, John Tory, após o qual ambos se encontraram com os meios de comunicação social.

Após uma conversa informal na presença dos jornalistas, o presidente da ALRAM foi convidado a assinar o livro de visitas da cidade, seguindo-se uma troca de presentes durante a qual Tranquada Gomes recebeu um jogo de canetas e ofereceu um conjunto de utensílios de caligrafia em louça a John Tory que afirmou iria ornamentar a sua secretária.

Na comitiva do presidente da Assembleia Legislativa madeirense vieram ainda a sua esposa, Anabela Tranquada Gomes, o chefe do Gabinete do presidente da ALRAM, Valério Gonçalves, e o técnico superior Gonçalo dos Santos.

"Esta visita insere-se na estratégia que defini quando tomei posse do cargo de presidente da Assembleia em Abril de 2015, de levar o Parlamento até às pessoas", afirma o presidente da ALRAM, passando a explicar que isso inclui também as comunidades.

Na sua perspectiva, embora tradicionalmente assim aconteça, não devem ser só os políticos do governo a fazer esses contactos com as comunidades remotas, daí que tenha encetado esforços no âmbito de criar uma política de aproximação da Assembleia e de recolha das preocupações das populações da diáspora madeirense.

Esta passagem por Toronto teria necessariamente de incluir uma visita à Casa da Madeira, que estava agendada para ontem, quinta-feira, incluindo uma viagem ao parque Madeira, onde decorreu um almoço.

No Canadá, Tranquada Gomes deixa uma mensagem pautada por duas palavras-chave: reconhecimento e orgulho.

Reconhecimento pelo auxílio prestado pelas comunidades no passado e no presente, citando a título de exemplo a ajuda da comunidade de Toronto à Madeira que num curto espaço de tempo angariou um milhão de dólares logo após a tragédia de 2010 – algo pelo qual proferiu um profundo reconhecimento dos madeirenses por esse gesto.

Orgulho por ver as comunidades bem integradas, respeitadas e a participarem da vida política do país.

Toronto foi a primeira de duas paragens da comitiva madeirense no Canadá, depois de uma semana nos Estados Unidos onde visitaram Boston e Nova Bedford, partindo hoje, sexta-feira, para Montreal onde irão assistir à Festa de Nossa Senhora do Monte, "um convite que não podíamos recusar" por ser a padroeira do Funchal, como salientou.

Na visita a Toronto o presidente da ALRAM foi acompanhada pelo conselheiro permanente das comunidades madeirenses no Canadá, José Rodrigues.

Em Nova Bedford, Tranquada Gomes e a sua comitiva assistiram à Festa do Santíssimo Sacramento, que já vai na sua 103.ª edição, "o que significa muito para as nossas comunidades aí radicadas", como nos disse, destacando ainda o facto de terem estado presentes o presidente da Câmara da cidade e o governador do Estado, considerando-o um sinal do respeito e do reconhecimento que as autoridades têm pela comunidade madeirense.

Num balanço dos contactos que tinha tido até à data com a comunidade madeirense radicada nos EUA, o presidente da Assembleia Legislativa Madeirense disse-se contente com o sucesso, a integração e a projecção desta comunidade no meio em que se insere, nomeadamente com a participação cívica e política e com o reconhecimento da cultura predominante.

Tranquada Gomes encoraja no entanto os madeirenses a terem uma participação ainda mais activa pois vai levar a que as pessoas reconheçam essa comunidade, o peso político e económico dessa comunidade "e quando assim é, a Madeira só tem que ficar maior pois já não se limita às 250.000 almas que residem na Madeira mas são, no fundo esta dimensão no mundo global", concluiu.


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