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Canadá/Covid-19: Canadá aprova vacina e espera primeira remessa para breve

No início desta semana contabilizavam-se já 67,9 milhões de casos de Covid-19 em todo o mundo desde o início da pandemia, número que havia sido acrescido no espaço dos últimos sete dias pela detecção de mais 4,4 milhões de infecções, enquanto que os óbitos ultrapassaram a casa do milhão e meio com o registo de mais 78.000 mortes.

No mesmo período no Canadá, a província do Ontário bateu o recorde de novas infecções durante três dias consecutivos, chegando a registar 1.925 casos no espaço de 24 horas, e o país ultrapassou os 400.000 casos de Covid-19 – mais de 10 por cento (49.000) detectados na última semana.

Entretanto, o número de mortes atribuídas ao coronavírus aumentou para 12.777 – das quais 701 ocorreram nos sete dias prévios – e a taxa de recuperação melhorou sensivelmente, de 79,9 para 80 por cento, com 71.780 casos activos e cerca de 338.400 considerados resolvidos.

A meio da última semana, o Departamento de Saúde do Canadá anunciou que a avaliação da vacina contra a Covid-19 produzida pela Pfizer e BioNTech, e que foi primeiro aprovada para uso no Reino Unido, deveria estar concluída dentro em breve.

Efectivamente, uma semana depois, na quarta-feira (9), as entidades responsáveis anunciaram a sua aprovação para uso no Canadá.

O governo já havia firmado um acordo para a compra de 20 milhões de doses, com a opção de adquirir mais 56 milhões da vacina cujos dados começaram a ser examinados pelas autoridades sanitárias canadianas a 3 de Outubro, contando-se então que os primeiros quatro milhões de doses chegassem ao país entre Janeiro e Março.

Entretanto, foi revelado que cerca de 30.000 doses estavam já a caminho para serem distribuídas e administradas nos casos considerados prioritários, provavelmente no espaço de uma semana, estando prevista a chegada de 249.000 doses até ao fim do mês.

Dado que a inoculação requer duas doses – administradas com diferença de 21 dias uma da outra – teoricamente haverão cerca de 125.000 pessoas vacinadas no país até ao ano novo.

Dado que as remessas vão chegar faseadas, a directora dos serviços de saúde do Canadá, Dra. Theresa Tam, já havia indicado há uma semana que a lista dos prioritários para a administração da vacina teria de ser mais apurada pois os primeiros seis milhões de doses – suficientes para três milhões de inoculados – não serão suficientes para todas as pessoas que nela figuravam.

Ao falar perante as equipas médicas reunidas na Conferência Canadiana de Imunização 2020, que decorreu na pretérita quarta-feira (2), a médica expressou a sua preocupação quanto ao impacto da retórica anti-vacinação que tem vindo a alastrar, apelando aos peritos para que se façam ouvir e contrariem a desinformação com uma campanha bem alicerçada.

Na mesma altura, a agência policial inter-governamental Interpol emitiu um alerta internacional para avisar as autoridades de todo o mundo e os consumidores para se precaverem das vacinas falsas contra a Covid-19 que estão a ser vendidas por quadrilhas de criminosos.

Entretanto, os casos de Covid-19 têm continuado a alastrar um pouco por todo o país e o governo do Ontário enviou na última semana duas dezenas de técnicos para rastrearem os contactos de pessoas infectadas na região de Windsor, onde as entidades de saúde se deparavam com 17 surtos infecciosos.

O agravar da situação colocou a região, que estava no nível vermelho, à beira de passar para o cinzento e a sofrer medidas de confinamento mais restritas.

Enquanto isso, o hospital Sunnybrook em Toronto anunciou que ia passar a dar consultas em regime de tele-presença, com marcação prévia no próprio dia, às pessoas com situações urgentes mas que não corram perigo de vida.

As marcações podem ser feitas por maiores de 16 anos através do portal virtualed.sunnybrook.ca/virtual-ed, do meio-dia às 20h00, de segunda a sexta-feira, e as consultas terão lugar entre as 14h00 e as 19h00 nesses mesmos dias.

O hospital aconselha, porém, os que puderem consultar o seu médico de família a fazerem-no antes de marcarem estas consultas de urgência.

Face ao aumento no número de hospitalizações devido à Covid-19 por todo o país, na quinta-feira (3) o governo de Quebeque cancelou os planos que previam permitir encontros de familiares durante a quadra festiva.

O Ontário, uma das províncias onde continuavam a aumentar os internamentos devido à Covid-19, registava já 666 pessoas hospitalizadas e 195 nos Cuidados Intensivos, e os responsáveis dos serviços de saúde indicavam que se aproximavam de níveis críticos.

Entretanto o dirigente Conservador Erin O'Toole, que acusou o governo Liberal de falta de transparência nos seus planos de vacinação, indicou que a situação estava a alimentar a ansiedade do público.

Citou os milhares de pessoas que apoiaram uma petição apresentada na Câmara dos Comuns pelo deputado Conservador Derek Sloan e que acusa o governo de aceitar vacinas apressadas, inseguras e de usar os seres humanos como cobaias das empresas farmacêuticas.

Enquanto isso, em Toronto a Escola Pública Thorncliffe Park continuava a braços com um surto de Covid-19 e três dos seus professores optaram por deixar de leccionar.

Segundo a presidente do Sindicato de Professores do Ensino Primário de Toronto, Jennifer Brown, que justificou a decisão, havia na altura 18 turmas em auto-isolamento por poderem potencialmente ter tido contacto com os cerca de 30 alunos e funcionários que ali haviam testado positivo, o que representava 340 crianças, ou quase metade dos 750 alunos que frequentam a escola.

Este estabelecimento de ensino foi o primeiro a testar alunos sem sintomas.

No final da semana o Canadá registava já 400.000 casos de infecção pelo novo coronavírus, um aumento de 100.000 no espaço de 18 dias.

O país demorou seis meses a atingir a primeira centena de milhar, quatro meses para duplicar o total para 200.000 e menos de um mês para acrescentar a terceira centena de milhar.

Nove meses após o início da pandemia e de uma primeira vaga marcada por várias centenas de mortes em lares da terceira-idade, a comissão que tem estado a investigar os casos indica que as inspecções e uma gestão eficaz destas instituições são factores cruciais para travar o avanço da infecção e evitar mortes prematuras.

No relatório agora apresentado a comissão indica que têm sido levantadas questões acerca do funcionamento do sistema provincial de inspecções e de supervisão das instituições da terceira-idade, e destaca que só nas últimas seis semanas se registaram surtos infecciosos em 100 lares, com mais de 300 mortes.

Entretanto o governo do Ontário anunciou a composição da equipa operacional que ficará encarregada da distribuição da vacina na província, que será dirigida pelo general Rick Hillier e que entre outros inclui médicos especialistas e académicos como os Drs. Dirk Huyer, Homer Tien, Maxwell Smith e Isaac Bogoch, assim como o ex-chefe da Polícia de Toronto, Mark Saunders, e outros profissionais de diferentes sectores de actividade.

Na segunda-feira (7) o Ontário atingiu o terceiro recorde consecutivo no número de casos diários ao detectar 1.925 infecções nas 24 horas anteriores, mais uma do que no domingo, que por sua vez superou os 1.859 casos registados no sábado.

A ministra federal responsável pelas aquisições, Anita Anand, havia anunciado dias antes que o Canadá ia exercer a sua opção de comprar mais 20 milhões de doses da vacina da farmacêutica Moderna, elevando o total para 40 milhões em 2021 – o suficiente para inocular 20 milhões de pessoas.

Já no início da semana o Primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que o Canadá conta receber 249,000 doses da vacina Pfizer/BioNTech ainda este mês, quando todas as indicações até à data eram de que só começariam a receber os primeiros seis milhões de doses desta companhia e as da Moderna entre Janeiro e Março do próximo ano.

Entretanto entidades oficiais revelaram que devido à dificuldade em manter a vacina da Pfizer estável – as autoridades indicaram que esta tem de ser preservada a uma temperatura inferior a -80ºC, em equipamento especializado – os residentes nos lares da terceira-idade poderão não ser dos primeiros a receber a inoculação, apesar de estarem no topo da lista das pessoas consideradas prioritárias.

A lista prioriza também os funcionários e prestadores de cuidados nas instituições de idosos, as equipas dos serviços de saúde, as comunidades indígenas e os doentes com problemas crónicos graves que estejam a receber tratamento em casa.

A segunda fase de distribuição da vacina, que se destina à população geral, só deve arrancar em Abril e está prevista durar cerca de seis a oito meses, com eventuais prioridades ainda por determinar.

Na terceira e última fase, o general Rick Hillier conta que a vacina venha a ser disponibilizada nas farmácias, de forma normal.

Na terça-feira (8) foi revelado que inicialmente a vacina da Covid-19 só será administrada em 14 locais em todo o país, segundo a Dra. Theresa Tam para evitar mexê-la o menos possível uma vez que tem de ser preservada a temperaturas extremamente baixas, com equipamento especial.

Entretanto, alguns peritos destacam que as indicações são de que as vacinas da Pfizer e da Moderna são muito eficazes para evitar contrair a versão grave da doença, mas ainda não se sabe ao certo até que ponto serão capazes de evitar a propagação do vírus uma vez que os testes clínicos apenas avaliaram a sua eficácia em termos do número de pessoas que adoeceram.

A revelação deixa em aberto a possibilidade de alguns dos vacinados ficarem infectados e permanecerem assintomáticos, podendo transmitir o vírus – especialmente se tiverem contacto próximo com outras pessoas ou deixarem de usar máscara.

Ainda esta semana, o Primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, foi confrontado com um relatório do Gabinete de Responsabilidade Financeira da província que indica que o governo tem reservas de 12.000 milhões de dólares.

A oposição exigiu imediatamente que esse dinheiro seja usado no combate à pandemia, mas segundo o primeiro-ministro a sua maioria já está destinada a várias iniciativas, à excepção de 2.600 milhões que diz estarem reservados para despesas inesperadas e que poderão surgir repentinamente, especialmente numa altura em que a vacina está para ser distribuída por milhões de cidadãos nas próximas semanas e meses.

De acordo com uma sondagem encomendada pelo Departamento de Saúde de Toronto à Ipsos Reid, a população está cansada das limitações que lhe têm sido impostas devido à pandemia, mas continua a apoiar as restrições decretadas pelos serviços de saúde pública para controlar o alastramento do vírus.

Das 1.201 pessoas que foram consultadas durante a última semana de Outubro, 56 por cento disseram estar cansadas das precauções que têm de ter e 39 por cento disseram sentir-se zangadas/frustradas com a situação.

Apesar disso, 83 por cento apoiavam uma nova fase de confinamento, com 43 por cento "fortemente a favor" e 40 por cento "algo favoráveis" à ideia.

Entretanto, e segundo o 11° Relatório Anual do Custo Alimentar, a pandemia e as medidas impostas para a conter têm vindo a provocar o aumento dos preços dos bens alimentares para além do nível de inflação, prevendo-se que venham a custar entre três a cinco por cento mais em 2021.

Em média, isso representará um custo adicional de cerca de 700 dólares por ano para cada agregado familiar, sem contar com eventuais despesas que façam em restaurantes ou em encomendas e compra de mercearias online.


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