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Linha de prevenção de suicídios 988 poderá vir a ser realidade no Canadá

A linha directa do Serviço de Prevenção de Suicídios do Canadá está acessível 24 horas por dia mediante a marcação de um número com 10 dígitos, mas Madi Muggridge, uma jovem que reside em Londres, no Ontário, sugere que num momento de crise um número longo pode ser difícil de recordar, por isso propôs a adopção do 988, à semelhança do que acontece nos Estados Unidos da América (EUA).

"Quando estamos numa situação de emergência que não envolve a saúde mental, as pessoas sabem que devem ligar para o 911 [e] não é preciso pesquisar no Google", diz a jovem que considera que seria "muito mais útil se tivéssemos um número muito mais curto e muito mais conhecido" para ligar para a linha de prevenção de suicídios.

Daí que tenha vindo a instar as entidades responsáveis a adoptarem o número 988, como estão a fazer os EUA onde essa linha de crise deverá entrar em funcionamento até 2022 com um custo orçado em 500 milhões de dólares durante o primeiro ano de operações.

Madi já encontrou apoio da parte do deputado federal Conservador Todd Doherty, que representa o distrito eleitoral de Cariboo-Prince George e que apresentou uma moção no Parlamento que visa reunir todas as linhas de prestação de auxílio e prevenção de suicídios sob o número directo 988.

O deputado, que conta que o seu melhor amigo se suicidou quando tinha apenas 14 anos, elogia a jovem por promover esta linha de assistência cujo número seria mais fácil de recordar.

Madi, actualmente com 19 anos, lançou-se nesta campanha porque se recorda de quando, com apenas 13 anos de idade, teve uma crise mental que a levou a ter pensamentos suicidas e, num momento de desespero, não conseguiu ajuda.

Segundo conta, a ansiedade e a depressão já se vinham a arrastar há alguns anos mas quando atravessou uma crise e tentou encontrar quem a socorresse, ficou pendurada na linha, à espera duma ajuda que não chegou.

"Fiquei ali sentada umas duas a três horas e ninguém apareceu na linha, enquanto a mensagem de fundo continuava a repetir que eu era a próxima" a ser atendida, conta a jovem que recorda a sensação devastadora que para ela representou aquele longo momento de solidão.

No dia seguinte, escreveu um bilhete a dizer que se ia suicidar e saiu de casa.

Felizmente para ela, uma amiga já tinha notado alguns sinais das suas tendências suicidas e alertado a família que conseguiu intervir a tempo e obter ajuda profissional.

Mas Madi reconhece que nem todos têm pessoas na sua vida que possam intervir, por isso criou uma petição online para pedir ao governo federal que adopte a criação de uma linha directa de suicídio com o número 988, que reuniu mais de 30.000 assinaturas.

Entretanto, e segundo a dra. Allison Crawford, médica-chefe dos Serviços de Prevenção de Suicídios do Canadá, a pandemia de Covid-19 tem resultado num aumento da procura pelos serviços de prevenção de suicídio na ordem dos 200 por cento.

A ministra da Saúde, Patty Hajdu, indicou estar aberta a investigar a implementação de um número nacional de prevenção com três dígitos.

Contudo, quando foi pressionada por Todd Doherty na Câmara dos Comuns a propósito da sua moção, a ministra não se comprometeu a garantir que o apoio fosse unânime, mas disse que iria trabalhar com ele para garantir que as pessoas em crise recebem atendimento imediato.

Face a isto, a iniciativa parece estar encaminhada para a aprovação, mas Madi considera que embora a criação da linha directa seja um primeiro passo importante, pretende continuar a pressionar o governo para que esta se torne também num serviço de despacho, como acontece com a linha de emergências 911.


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