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XXII Semana Cultural Açoriana:

"Açores - Além Fronteiras, Unidos pelas Tradições"

"As nove ilhas dos Açores são um jardim de flores no meio do oceano / por elas todas me empenho / o maior prazer que tenho é ser açoriano".

excerto de "As nove ilhas dos Açores", canção tema da XXII Semana Cultural Açoriana

Por Rómulo Ávila

Sol Português

O arranque para a XXII Semana Cultural Açoriana, já a decorrer em Toronto numa iniciativa da Casa dos Açores do Ontário (CAO), foi dado no passado domingo (6) num evento assistido pela nova cônsul-geral de Portugal, Sofia Batalha, e pelo conselheiro da Diáspora Açoriana no Ontário, Matthew Correia.

Na cerimónia de abertura, a presidente da Assembleia-Geral da CAO, Fátima Bento, dirigiu uma palavra de apreço e de reconhecimento aos fundadores, bem como "a todos os homens e mulheres sócios da casa".

Referindo-se ao desempenho do que considera ser a missão social desta colectividade, e na qual se enquadra esta Semana Cultural, a dirigente considerou fundamental haver "diversão, cultura e muita amizade" e louvou os esforços que têm sido feitos nesse sentido pelos quadros dirigentes.

"Tenho orgulho em dizer que a Direcção está no caminho certo. Muito já foi feito, mas sempre há mais a fazer nas definições das prioridades e objectivos a atingir para o desenvolvimento cultural", afirmou.

A presidente do Execu-tivo, Suzanne Cunha, por seu turno, não esquecendo um agradecimento a toda a sua "maravilhosa equipa de trabalho", frisou no seu discurso, que com o tema de "Açores - Além Fronteiras, Unidos pelas Tradições", esta Semana Cultural Açoriana "é dedicada a todos os emigrantes açorianos que partiram das suas ilhas, das suas famílias e das suas lindas tradições, indo para terras distantes, de idiomas e culturas muito diferentes, em busca de uma vida melhor".

Visivelmente emocionada, a dirigente salientou que as únicas ligações à terra natal que "os açorianos aqui encontraram foram pelas tradições, a gastronomia e a religião" e questiona: "Será que tudo valeu a pena? Será que todos encontraram o paraíso? Quantas lágrimas choraram os açorianos? Quantas vidas de maus-tratos? Muitos, de facto, encontram o paraíso que procuravam, mas outros nem tanto. Muitos continuaram com as tradições das nove ilhas, outros adaptaram-se e para trás ficou a língua portuguesa e o sentir açoriano. Mas também há os outros que incluíram no seu quotidiano a vivência da sua terra natal".

Instada a pronunciar-se, a nova cônsul-geral de Portugal em Toronto, Sofia Batalha, evidenciou a simbologia deste encontro da comunidade açoriana ao declarar a sua disponibilidade, mesmo nesta que é uma fase complicada de reorganização do posto consular que dirige.

"Embora esteja com muito trabalho na reorganização no Consulado, é um prazer estar pela primeira vez com a comunidade luso-canadiana e açoriana em particular. Quero dar os parabéns a esta organização açoriana pelo trabalho que tem feito ao longo dos anos, pela promoção da cultura portuguesa, pelo trabalho de solidariedade social e de apoio aos mais idosos. Contem comigo, com o meu trabalho para ajudar no que estiver ao meu alcance", prometeu.

O conselheiro da Diáspora Açoriana no Ontário, Matthew Correia, também fez uma intervenção, durante a qual asseverou que esta Semana Cultural "é importante para a divulgação dos nossos costumes açorianos".

"Durante esta semana podemos dar a conhecer um pouco mais da história da nossa região e das suas gentes, falar do passado, do presente, mas também do futuro", ressalvou.

O conselheiro aproveitou ainda a ocasião para anunciar que, no âmbito da sua actividade, no próximo ano será celebrada a importante data que marca os 70 anos de imigração oficial portuguesa para o Canadá com uma série de eventos.

"Temos de valorizar e deixar uma marca sobre o legado dos nossos antepassados das nove ilhas dos Açores aqui nesta província e neste país que nos acolheu", e nesse sentido "não posso deixar de referir-me aos pioneiros açorianos que a 13 de Maio de 1953 partiram para as terras de Corte Real no barco Saturnia", afirmou.

Durante as cerimónias da abertura desta Semana Cultural viria a actuar um grupo com raízes açorianas vindo de Brampton, "Amigos Unidos", e divulgados os temas globais do evento.

Em termos discursivos, e antes de se darem por concluídas as actividades, Fátima Bento levaria o público numa autêntica viagem histórica e cultural aos Açores, com passagem por cada uma das nove ilhas que compõem o arquipélago.

Entretanto têm estado patentes ao público durante toda esta semana dedicada à "açorianidade" as exposições de trabalhos manuais em madeira de Manuel da Ponte; de peças regionais do casal de artesãos Evelina e José Barbosa; e de acessórios e bijuteria para senhoras de Manuxa.

Pelo "palco dos Açores" têm vindo a passar também os artistas Victor Martins (do Pico), Mário Alexandre (de São Miguel), Lídia Sousa (de Santa Maria) e Vasco Daniel (da Terceira) e o público tem tido ainda a oportunidade de assistir a colóquios, actuações (via Skype e presenciais), a apresentações de livros, e a testemunhos e intervenções sobre diversas tradições da cultura açoriana.

Com o refrão "As nove ilhas dos Açores são um jardim de flores no meio do oceano / por elas todas me empenho / o maior prazer que tenho é ser açoriano", o tema "As nove ilhas dos Açores", interpretado pelo Grupo de Cantares da Casa do Povo da Maia (São Miguel) foi a canção escolhida para esta XXII Semana Cultural Açoriana.

O conjunto de iniciativas previstas nesta XXII Semana Cultural Açoriana promovida pela CAO só termina amanhã, sábado (12), com o jantar comemorativo do 37.º aniversário da colectividade.

Nessa altura será também entregue a Insígnia "Açor de Ouro", prémio anual que visa reconhecer uma figura da comunidade açoriana no Canadá que se empenhe na promoção dos valores culturais das nove ilhas do arquipélago.


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