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Canadá/Covid-19:

Autoridades continuam a alertar para necessidade de cumprir regras face a aumento no número de casos

A nível mundial, e apesar de se registarem situações díspares em diferentes países e regiões, o aumento semanal no número de novos casos de Covid-19 tem-se mantido estável, cifrando-se mais uma vez em 1,8 milhões, o que eleva o total para perto dos 27,5 milhões.

O número de recuperados, porém, melhorou significativamente, para 19,3 milhões, um salto de 66,1 para 70,42 por cento dos casos, enquanto que os óbitos aumentaram em cerca de 42.000, perfazendo agora mais de 896.000.

No Canadá, onde a situação tinha vindo a melhorar significativamente nos últimos meses, a tendência parece agora querer inverter-se, com o número de novos casos a dar um salto repentino e a levar as autoridades a pedirem mais cautela por parte do público.

Em termos numéricos, o índice de recuperação da doença desceu ligeiramente, dos 88,9 por cento registados na semana anterior para 88,2 por cento (118.179) esta semana, com o total de infecções a rondar 133.900 e o de falecidos muito próximo dos 9.200.

A meio da última semana a Dra. Eileen de Villa, directora dos serviços de saúde pública de Toronto, alertou para o facto da temida ressurgência da pandemia ter já começado a notar-se, urgindo as pessoas que se tenham descurado a voltarem a seguir à risca às directrizes.

A responsável pelos serviços de saúde da autarquia citou exemplos de infecções contraídas em situações onde o público se junta sem máscara e sem observar as regras de distanciamento, quer em espaços comerciais, quer em festas privadas, e suplicou a todos para que limitem o contacto social a um único grupo de, no máximo, 10 pessoas.

Entretanto o governo federal anunciou a intenção do Canadá continuar a contribuir para a coligação internacional COVAX, que procura uma vacina para Covid-19 e que pretende que esta seja distribuída equitativamente pelos países pobres que não possam adquiri-la.

A intenção foi reiterada na sequência da decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de se retirarem desta aliança, que abrange mais de 150 países, por esta estar ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), organismo que a administração americana culpabiliza pela escala que a pandemia atingiu devido a alegados erros cometidos na gestão e contenção do vírus.

Foi entretanto revelado pelo departamento de Estatísticas do Canadá que o défice comercial de mercadoria ascendeu a 2,45 mil milhões de dólares em Julho, mês em que tanto as importações como as exportações registaram fortes aumentos mas continuaram abaixo dos valores que se registavam no período pré-pandemia.

Por outro lado, o défice em Junho, mês para o qual se tinha previsto um saldo negativo de 3,19 mil milhões de dólares, acabaria por se cifrar em 1,59 mil milhões, segundo dados actualizados.

Numa tentativa de estimular o uso do novo aplicativo do governo federal para o rastreamento de potenciais contactos com o vírus corona, o Departamento de Defesa incentivou todos os elementos das Forças Armadas Canadianas e os seus colegas civis a instalarem-no nos seus telemóveis.

Tanto a chefia militar como política procuraram acalmar os receios em torno da privacidade dos utilizadores, oferecendo garantias aos elementos das Forças Armadas de que os peritos do Departamento de Defesa tinham aprovado o aplicativo, ao mesmo tempo que lembraram que embora o seu uso seja voluntário é uma forma de impedir uma segunda vaga de Covid-19.

Até ao momento as únicas províncias a utilizarem o aplicativo são o Ontário e a Terra Nova e Labrador, estando Saskatchewan a ponderar a questão enquanto que o Quebeque já indicou que por agora não tenciona adoptá-lo.

Entretanto, e embora o número de casos de Covid-19 esteja de novo a aumentar, o Ontário anunciou que ia cumprir com o plano previamente traçado para eliminar algumas das restrições que haviam sido impostas às visitas aos lares da terceira idade.

De acordo com um comunicado emitido pelo Ministério de Cuidados Prolongados, a partir desta terça-feira (8) os 626 lares no Ontário passaram a poder autorizar a visita de pessoas designadas "prestadoras de cuidados" – sejam elas familiares ou amigas dos residentes – "a qualquer altura, mesmo durante um surto, sujeito à observação das directrizes da unidade de saúde local".

Cada residente, ou quem por ele tomar essas decisões, pode designar um máximo de duas pessoas que passam a poder visitá-lo "por tempo ilimitado", podendo esses "prestadores de cuidados" ser também alguém contratado para ajudar com a alimentação, higiene, estímulo mental ou mobilidade do paciente.

Na sexta-feira (4) a Dra. Theresa Tam, directora de saúde pública do Canadá, alertou o público para os riscos acrescidos de contágio no Outono, devido ao frio e aos encontros de familiares em lugares fechados, avisando mesmo que o facto de conhecerem as pessoas com quem se encontram não impede o contágio.

A médica já na semana anterior havia feito um alerta que correu o mundo ao sugerir que nesta altura, e face à pandemia, até a actividade sexual deve ser praticada com máscara, ou, melhor ainda, a solo – até mesmo por quem tem um parceiro habitual se esse parceiro correr um risco acrescido de contrair Covid-19.

Foi também no final da semana que o governo federal começou a distribuir os 77,5 milhões de dólares que destinou para auxiliar as empresas do ramo alimentar a cumprirem com protocolos e adquirirem mais material de protecção para os seus funcionários.

Dias depois, anunciou também o que indica ser a última extensão do muito criticado programa de subsídio de rendas comerciais e disse estar a ponderar outras formas de ajudar as pequenas empresas a partir do próximo mês.

O controverso programa concede empréstimos a fundo perdido aos senhorios comerciais no valor de 50 por cento das rendas, desde que estes se comprometam a perdoar pelo menos 25 por cento do total e os inquilinos paguem os restantes 25 por cento.

Contudo, só os inquilinos com quebras de receita superiores a 70 por cento se podiam qualificar, além de que muitos senhorios optaram por não aderir ao programa que acabou por dispensar apenas 1,32 mil milhões dos 3 mil milhões que haviam sido orçamentados para esta iniciativa.

Em consequência, grande número de empresas que tiveram de fechar ou cuja actividade esteve fortemente limitada durante o período de confinamento foram despejadas pelos senhorios que aproveitaram a oportunidade para as tentarem alugar posteriormente por rendas mais altas.

Entretanto, e por forma a fazer cumprir a obrigatoriedade do uso de máscara nos aeroportos nacionais durante o embarque, o voo e o desembarque, na sexta-feira (4) as autoridades federais reguladoras dos transportes aéreos emitiram as primeiras multas de 1.000 dólares a passageiros que se recusaram a fazê-lo em voos domésticos.

No dia seguinte, também a Real Polícia Montada Canadiana (RCMP) da Colúmbia Britânica anunciou que tinham sido aplicadas coimas de 500 dólares a quatro americanos que desrespeitaram a ordem de quarentena imposta a todos os que visitam o país.

Apesar disso, uma porta voz da RCMP indicou que estes foram apenas casos isolados e que, em geral, os visitantes estão a acatar as regras decretadas ao abrigo da declaração de estado de emergência, aprovada na sequência da pandemia.

Ainda em torno da questão do uso de máscara, a Câmara Municipal de Toronto anunciou que iria tornar o seu uso obrigatório também nos espaços comuns do Sistema de Abrigos da autarquia, medida que se espera venha a ser implementada até finais de Setembro.

Até aqui apenas os empregados e as visitas consideradas essenciais eram obrigadas a usar máscara uma vez que os abrigos eram considerados "residências", situação que já tinha sido fortemente criticada pelos funcionários do sector.

No domingo (6) o Departamento de Saúde Pública da Região de York revelou que 23 casos confirmados de Covid-19 estavam ligados a quatro eventos que se realizaram em Toronto, Markham e Whitchurch-Stouffville nos dias 28 e 29 de Agosto, todos eles relacionados com um casamento.

No dia seguinte, a Dra. Theresa Tam voltou a reiterar o seu aviso de que o público se deve precaver e não se deixar acomodar com a situação, descrevendo o lento mas consistente aumento no número de casos de Covid-19 como "preocupante".

Segundo a responsável pelos serviços de saúde nacionais, nessa semana tinham-se registado 545 novos casos de infecção, um aumento de 25 por cento em relação à semana que a precedeu, quando se registaram 435 novos casos, e à anterior, quando se detectaram apenas 390 casos.

Com as escolas a reabrirem em todo o país, na terça-feira (8) os alunos no Ontário voltaram a ter aulas presenciais pela primeira vez desde a pandemia na maior parte dos estabelecimentos de ensino primário e secundário da província, embora em certas jurisdições a entrada tenha sido adiada para mais tarde.

Em Toronto, onde a situação se mostra mais complicada, os alunos das escolas públicas só começam as aulas a partir do dia 16 e ainda assim de forma faseada, com diferentes anos agendados para diferentes dias em cada estabelecimento de ensino.

O mesmo acontece nas escolas católicas, onde está previsto as aulas começarem nos dias 14 e 15, para diferentes grupos.

Em Otava, onde alguns alunos voltaram às aulas no início do mês, houve já indicação de casos de Covid-19 detectados em cinco escolas católicas de língua francesa.

Entretanto o Primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, revelou que a par de todas as outras medidas previamente anunciadas tinham sido entregues mais de 37 milhões de unidade de equipamento de protecção pessoal às direcções escolares do Ontário, incluindo 19 milhões de máscaras.

O Ontário anunciou também que não iria continuar a aliviar as restrições impostas na sequência da pandemia, uma vez que o número de novos casos tem disparado na última semana, começando agora a rondar, diariamente, as duas centenas – o dobro do que se registava um mês antes – a maioria nas regiões de Toronto e Otava.

Entretanto, uma juíza do tribunal do Ontário decidiu que um jovem de nove anos teria de voltar às aulas presenciais, resolvendo assim uma disputa entre pais divorciados e na qual o pai queria que a criança estudasse em casa e a mão queria que ele voltasse à escola.

Ao emitir a sentença, a juíza Andrea Himel justificou a decisão dizendo que o governo do Ontário está em melhor posição para avaliar e lidar com o risco de regressar às aulas do que o sistema de justiça.

Embora seja reconhecido que não é 100 por cento seguro o regresso ao ensino presencial, os riscos têm de ser contrabalançados com as necessidades sociais, académicas e emocionais da criança, justificou a juiz, que indicou não haver perspectivas de que a pandemia esteja para acabar e, como tal, não há indicações também de quando voltará a ser 100 por cento seguro regressar à escola.

Assim, uma vez que o governo do Ontário, com base no parecer das autoridades de saúde, decretou que o ensino presencial recomeçasse em Setembro, e dado que nenhum dos pais está num grupo de risco caso venham a contrair Covid-19, decretou que neste caso o ensino presencial seria o melhor para o desenvolvimento académico e emocional da criança.


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