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Entidades médicas incentivam público a vacinar-se contra a gripe para prevenir "pandemia gémea"

Com a chegada da época normalmente associada a uma maior ocorrência de gripes, várias entidades médicas sugerem que a inoculação contra a gripe é mais importante do que nunca para evitar a habitual corrida aos hospitais numa altura em que circulam simultaneamente os vírus da gripe e de Covid-19.

A Agência de Saúde Pública do Canadá encomendou este ano 13,7 milhões de doses da vacina contra a gripe, a maior quantidade de sempre e um acréscimo de 22 por cento em relação aos 11,2 milhões do ano passado, na expectativa de uma procura acrescida.

Embora a vacina da gripe não proteja contra a Covid-19, os peritos destacam que continua a ser importante evitar contrair a gripe por vários motivos, incluindo pelo facto desta infecção ter um efeito avassa-la-dor no sistema de saúde.

Numa altura em que o sistema está a braços também com a pandemia do vírus corona, é importante evitar sobrecarregá-lo, além de que as pessoas que correm maior risco de adoecerem com gravidade são particularmente vulneráveis a ambas as doenças.

Entretanto, desconhece-se ainda se é possível apanhar ambas as infecções ao mesmo tempo e quais as consequências dessa combinação, mas o dr. Jacob Rosenberg, que exerce na área da pediatria em Woodbridge destaca que embora as crianças pareçam ser menos susceptíveis à Covid-19, são altamente susceptíveis à gripe, por isso realça a importância de inocular todas as que têm mais de seis meses, não só para sua protecção mas também dos que com elas têm contacto.

A vacina da gripe vai estar disponível nos locais habituais, incluindo nas clínicas médicas e farmácias, a partir de de meados deste mês até ao final de Outubro, mas o médico alerta para o facto de que devido às medidas de contenção da Covid-19 não podem ter as salas de espera cheias e isso poderá fazer com que o processo de vacinação demore mais do que o normal.

Também a dra. Danuta Skowronski, especialista em gripes e doenças respiratórias no Centro para o Controlo de Doenças da Colúmbia Britânica, ressalva que mesmo quem "não recebeu a vacina em anos anteriores, este é o ano em que deve fazê-lo", mas mostra-se optimista de que é perfeitamente possível recebê-la a tempo.

Na sua experiência, a altura mais propícia para a inoculação é em finais de Outubro ou no início de Novembro, garantindo assim que os anticorpos criados pela vacina estão mais fortes no auge do período da gripe, normalmente em Janeiro, e assim continuam até ao fim da época, que costuma coincidir com o início da Primavera.

Os grupos de alto risco, como os idosos e as pessoas que vivem em lares ou que estão hospitalizadas, normalmente têm prioridade na inoculação e cerca de 35 por cento das vacinas estão actualmente já a ser administradas nas farmácias, pelo que este ano poderão vir a aumentar a sua participação neste esforço dado muitas clínicas terem reduzido o atendimento presencial.

Além de terem de usar máscara e manterem as distâncias decretadas, este ano os pacientes vão ter de fazer marcação e ser sujeitos a uma despistagem de Covid-19 no momento da inoculação.

Quanto aos rumores de que a vacina contra a gripe aumenta o risco de contrair a Covid-19, a dra. Danuta Skowronski afirma serem falsos e garante que a vacina anti-gripe nem aumenta nem diminui esse risco.

A médica, que já realizou pesquisas nesta área em relação a outras doenças respiratórias, voltou a debruçar-se especificamente sobre a possibilidade da vacina aumentar o risco de contágio por outros vírus corona, mas não descobriu nenhuma relação.

O ano passado a percentagem da população canadiana que foi vacinada contra a gripe foi de 42 por cento, de acordo com a Agência de Saúde Pública do Canadá, ascendendo a 70 por cento entre os idosos com mais de 65 anos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a selecção da estirpe da gripe a usar para a preparação da vacina deste ano foi um processo mais difícil do que em anos anteriores.

A OMS normalmente recolhe estes dados durante o pico da época da gripe na Austrália, que ocorre durante o Verão canadiano, mas entre o maior número de inoculações administradas este ano e as medidas de lavagem de mãos e distanciamento que também evitaram a transmissão da gripe, registaram-se tão poucos casos que ficou difícil obter dados conclusivos se será ser a estirpe A ou B da gripe que este ano irá predominar.

Apesar disso, Danuta Skowronski mostra-se optimista pois além da OMS ter alterado a fórmula da vacina este ano para melhor se assemelhar à da estirpe do ano passado, a falta de actividade gripal no hemisfério sul sugere que o vírus chega ao Canadá com menos mutações e isso poderá tornar a vacina mais eficaz.


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