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Igreja de Santa Inês em Toronto esteve em festa para celebrar meio século de tradição

Comemorações marcaram 51 anos ao serviço da comunidade portuguesa e 50 anos a preservar culto do Senhor da Pedra

Por Avelino Teixeira

Sol Português

Crê-se que a igreja de Santa Inês em Toronto tenha sido erecta em 1905, servindo primeiramente a comunidade italiana, até ao primeiro dia de Setembro de 1970, altura em que ali se rezou a primeira missa em português.

Desde então tornou-se num importante ponto de convergência para a comunidade católica lusófona, responsável pela realização de um dos mais celebrados cultos religiosos: a veneração do Senhor da Pedra.

Este ano a imagem do Senhor da Pedra que ali se encontra guardada voltou a ser celebrada com pompa e circunstância.

O evento anual, interrompido desde 2020 pela pandemia de Covid-19, regressou no último fim-de-semana em toda a sua essência, a começar pela realização do Tríduo Preparatório que incluiu a celebração da missa de abertura na sexta-feira (5) e homilia durante a qual foi lembrada a importância deste acontecimento.

As actividades religiosas continuaram ao longo do fim-de-semana, com missas no sábado (6) e domingo (7), todas elas celebradas pelo Padre Marcelo Caldas, que ali vem paroquiando desde 2019.

No domingo, último dia das festividades, após o serviço solene Eucarístico deu-se início à tradicional procissão, com a imagem de Santa Inês, e a do Senhor da Pedra a serem acompanhadas no cortejo por crianças vestidas de anjos e alguns fiéis que ignoravam o insuportável calor que se fazia sentir.

A Banda Lira Portuguesa de Brampton, cuja fundação remonta a 1976, abrilhantou o evento religioso proporcionando o acompanhamento musical.

Depois de cumprido o percurso, quando a procissão regressou ao recinto da igreja, o padre Marcelo Caldas subiu a uma pequena plataforma para agradecer a Deus, pelo bom tempo, e aos colaboradores do evento, pelo empenho e esforço desenvolvido, lembrando-os que continua a haver jovens interessados em envolverem-se nas festas do Senhor da Pedra e que por isso estas vão continuar a realizar-se nos anos vindouros.

Uma última actuação da filarmónica convidada, na interpretação da marcha "Novo Star", daria por terminada a componente musical do evento.

Por questões camarárias, a procissão percorre actualmente um itinerário diferente, o que entristece alguns paroquianos que recordam o seu longo percurso tradicional e os magníficos tapetes de flores que outrora cobriam o piso das estradas por onde passava o cortejo e que, aos poucos, foram desaparecendo.

Era algo que os fazia felizes e que agora recordam com saudade e nostalgia.

É o caso de Carmelina Rebelo, natural da Ribeirinha, Ilha Terceira, que imigrou para o Canadá quando tinha 17 anos e que recorda especialmente a procissão que se realizou no dia 4 de Agosto de 1974.

Na altura estava grávida e quase a dar à luz, mas fez questão de primeiramente ir à procissão e prometer ao Senhor da Pedra que se o bebé que esperava fosse menina, a vestiria de anjo para o acompanhar na procissão.

Depois foi para o hospital onde nasceu a filha, Sandra Moniz, que no passado domingo também estava ali presente, cuidando da mãe que recupera de um AVC de que foi vítima.

Como nos conta a sua progenitora, desde que a então pequena Sandra começou a andar e durante 14 anos, vestia-se sempre de anjo para acompanhar a imagem do Senhor da Pedra na procissão.

Também Jorge Costa recorda os anos em que ele e o seu saudoso irmão, José Henrique, serviram a igreja de Santa Inês como "meninos do altar", compromisso que ele só terminou quando era sacristão, em 1984.

As suas recordações mais saudosas abrangem os períodos em que foram párocos os padres Antero, João Serpa e Eduardo Pontes, com os quais colaborou, e fala da acção de Liberal Medeiros, que em 1983 formou um "Concelho Paroquial" para renovar o interior da igreja, bem como das maravilhosas pinturas do saudoso artista Hildebrando Silva que, como nos diz, felizmente voltaram a ser expostas no interior da igreja.

Igualmente saudoso foi o depoimento de José Lima, também conhecido por "O Carteiro" – mestre-de-cerimónias e que mais tarde haveria de entreter os convivas – que também recordou a primeira missa rezada em português na igreja de Santa Inês, em 1970.

Para além da componente religiosa, a Festa do Senhor da Pedra tem também uma importante vertente profana, com animados espectáculos e arraial.

Este ano o entretenimento teve início no sábado com o som do DJ Midnight Illusions, de José Carreiro, que organizou uma sessão de Karaoke que foi participada por jovens aspirantes ao mundo da canção, nomeadamente Brandon, Lucy, Irene, Paulinha, Sandy e Joe.

Entretanto, para fechar com chave de ouro os espectáculos musicais, foi com o som tecnicamente bem concebido do Midnight Illusions que no domingo, pelas 20h00, o artista Mário Marinho voltou a deslumbrar os seus fãs, que não se poupavam a aplausos e expressões de agrado e admiração pela sua actuação, dando assim por terminadas as celebrações deste ano do Senhor da Pedra, outrora conhecido por Bom Jesus da Pedra.

Que ele nos ilumine e nos resguarde de outra pandemia.


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