CANADÁ EM FOCO


Holandês acusado de assediar adolescente e levá-la a suicidar-se extraditado para o Canadá

Oito anos após o suicídio da jovem canadiana Amanda Todd ter sido notícia um pouco por todo o mundo, o holandês acusado de a tentar extorquir e assediar foi finalmente extraditado para o Canadá, onde vai ser julgado.

A Procuradoria-Geral da Colúmbia Britânica (CB) anunciou na passada sexta-feira (5) que Aydin Coban está detido e compareceu pela primeira vez a tribunal nesta província canadiana a 8 de Dezembro.

O réu, que ainda não se declarou formalmente culpado ou inocente mas anteriormente havia negado as acusações de que é alvo, foi indiciado pelos crimes de extorsão, assédio criminal, comunicação com uma jovem para cometer um crime sexual e posse de pornografia infantil.

Carol Todd, a mãe da vítima, disse que sentiu um "choque" quando soube, na véspera, que o avião que transportava Aydin Coban estava para aterrar no Canadá.

"Temia que este dia não chegasse devido ao que a pandemia fez ao mundo", disse, indicando sentir-se "emocionalmente de volta a Outubro de 2012" _ altura do suicídio da filha.

Pouco antes de se suicidar, Amanda, que tinha 15 anos, colocou um vídeo no YouTube onde, em silêncio e através de anotações, descrevia o tormento que sofreu online.

No vídeo, revelou que quando estava no sétimo ano de escolaridade foi-lhe pedido durante uma conversa online para mostrar os seios.

Um ano depois recebeu uma mensagem de um homem no Facebook a ameaçá-la de que essa imagem seria enviada para todos os amigos e familiares dela se não "fizesse um show" _ isto é, se expusesse.

O caso despoletou um enorme debate a nível nacional sobre questões de assédio e exploração sexual online e, a par doutros casos, levou o governo canadiano a passar uma lei que criminaliza a distribuição de imagens íntimas sem o consentimento da pessoa.

Em 2015, um ano após a polícia RCMP ter inicialmente anunciado as acusações que pendem sobre Aydin Coban, enquanto aguardava julgamento na Holanda por outro assunto, o réu escreveu uma carta aberta a professar a sua inocência.

"Eu não sou o suposto torturador da menina Amanda Todd nem de qualquer outra pessoa. Já estou na prisão há exactamente um ano por coisas que não fiz ", lê-se na sua missiva.

Em 2017 foi condenado por um tribunal holandês a quase 11 anos de prisão por fraude online e chantagem de 34 mulheres e cinco homens, vindo um tribunal do seu país a aprovar a extradição para o Canadá pouco depois.

Em Fevereiro desse ano, a mãe da vítima foi a Amesterdão para vê-lo "cara a cara" durante o julgamento que estava a decorrer, descrevendo o momento como uma experiência "surreal", mas que a preparou um pouco para o que agora irá acontecer no Canadá.

A próxima audiência perante o Supremo Tribunal da Colúmbia Britânica, em New Westminster, está marcada para hoje, sexta-feira (12).


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