PENA & LÁPIS


Cuidado com os bons casamentos

Por Humberto Pinho da Silva
Sol Português

Por certo o leitor, mormente o mais atento, já verificou que as minhas crónicas, em geral, são informativas e formativas. Pelo menos é esse o meu cuidado.

Vem o intróito para falar de casamento, ou melhor: de noivado.

Os que se preparam para o matrimónio pensam em tudo, ou quase tudo, mas esquecem-se, em norma, da administração financeira do futuro casal.

Conheci jovem que antes do enlace, em pleno namoro, informou-se da situação económica da moça e da família.

Cuidou saber os rendimentos da namorada; rondou a casa paterna e os bens da família.

Obteve indicações preciosas: viviam numa bela casa, com jardim; o pai era industrial; a namorada, como professora, conseguia bom ordenado em colégio internacional.

Olvidou o principal: como administrava o dinheiro. Esqueceu-se de saber se ela comprava tudo a prestações; se "estourava"o cartão de crédito; e pior ainda: se tinha dividas…

Uma vez casados, assentaram, cada um, manter conta bancária separada. Ele pagaria: aluguer, electricidade, telefone, água e outras miudezas. Ela, trataria das despesas caseiras: alimentação, artigos de higiene, etc., etc…

O acordo foi respeitado, até que um dia ela lhe pediu dinheiro emprestado porque o que tinha não lhe chegaria até ao fim do mês…

Habituada a intensa vida social, em solteira, começou a comprar vestidos e cosméticos a crédito. As contas chegavam… era ele que as suportava. Até que lhe disse agastado:

Não podemos continuar assim. Em breve caminharemos para a ruína…

Ao que ela retrucou:

Em casa do meu pai nada me faltava… e andava assim vestida.

Casos como este são frequentes, e muitos, depois de discussões e acusações, terminam em divórcio ou separação, se não são casados oficialmente.

Em lugar de se inteirar se a mulher tinha bom salário e se os pais eram ricos; devia verificar: como gastava o dinheiro, se tinha hábitos de poupança, se tinha dividas e o valor delas.

Não esqueça: podem-se contrair empréstimos sem consultar o conjugue…

Este é o conselho que vos dou: os bons casamentos financeiros são, quantas vezes, tristes desilusões, e pior ainda: encargos e dividas para toda a vida…

Diziam os antigos e com razão: "Quem espera sapatos de defunto, toda a vida anda descalço"…


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