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Volta Luso Charities:

Campanha 2017 mobiliza cerca de duas centenas de participantes mas fica aquém das expectativas

Por João Vicente
Sol Português

A terceira edição da Volta Luso Charities decorreu no domingo (7) mobilizando cerca de duas centenas de participantes para esta iniciativa de angariação de fundos que é promovida anualmente pela Luso Canadian Charitable Society (LCCS) em prol dos seus centros de deficientes.

"É uma maneira de juntar as pessoas para ajudar" a organização, explicou o presidente da direcção da LCCS aos jornais Sol Português e Voice, a propósito do encontro que assenta num convívio ao ar livre com passeios de bicicleta e a pé.

."Por vezes fazemos jantares e [torneios de] golfe, mas nem toda a gente quer ir àqueles jantares caros, nem toda a gente quer ir ao golfe", continuou Jack Prazeres, destacando que assim têm "uma maneira de ajudar a Luso andando alguns quilómetros a pé ou de bicicleta".

Quem participou em anos anteriores afirma que o estado do tempo desta vez não estava mau de todo, pois já chegou a nevar, mas com dois dias de chuva antes do evento e uma manhã fria e com vento, a verdade é que as condições climáticas não estavam convidativas sendo de apreciar o empenho de quem compareceu e aderiu à iniciativa.

Mais uma vez o local de congregação foi o Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) e foi dali que saíram também os participantes, repartidos entre ciclistas que tinham como meta percursos de 60 ou 20 quilómetros, e caminhantes que percorreram cerca de oito quilómetros a pé, metade dos quais junto ao Rio Credit, que passa ali perto.

Os preparativos, esses começaram em Dezembro, como nos disse a vice-presidente da direcção executiva da LCCS e organizadora do evento, Lena Barreto, altura em que o comité organizador é chamado à atenção para o trabalho que se avizinha.

Em Janeiro começaram os contactos com os patrocinadores e o processo de aquisição das licenças, assim como os pedidos de apoio à cidade e à província para esta causa, dando-se depois início ao sistema de inscrição dos participantes, que tem de ser ligado às redes sociais, tais como o Facebook, e assim por diante.

Segundo esta organizadora, um dos obstáculos com que se deparam é o facto de que muita gente parece não perceber que só tem de procurar donativos dos amigos e familiares em apoio da sua participação após se terem inscrito.

Verifica-se ainda o problema de os portugueses serem acanhados em termos de pedir apoio para uma causa como esta, por isso muitos inscrevem-se apenas com o montante mínimo, o que limita o benefício para a iniciativa.

Apesar de tudo, Lena Barreto reconhece que a comunidade portuguesa continua a ser a que mais apoia esta causa e há necessidade de passar a palavra a outras comunidades para que a organização beneficie, uma vez que os centros de deficientes a cargo da LCCS estão abertos a pessoas de todas as etnias.

Além das provas de ciclismo e caminhada, muitas foram as entidades políticas e particulares que entretanto visitaram as novas instalações da LCCS, que se situam a apenas um quarteirão de distância do CCPM e que vão servir a região de Peel, incluindo as cidades de Brampton e Mississauga.

A nonagenária e sempre enérgica ex-presidente da Câmara de Mississauga, Hazel McCallion, apesar de reformada, continua a ser o centro das atenções, mas além dela estiveram ainda presentes políticos que, colectivamente, representaram os três níveis governamentais canadianos.

Os luso-canadianos Peter Fonseca (deputado federal por Mississauga Este) e Martin Medeiros (vereador de Brampton) não faltaram e estiveram em boa companhia.

O ministro da Imigração, Refugiados e Cidadania, Ahmed Hussen, os vereadores de Mississauga, George Carlson e Ron Starr, e os deputados Iqra Khalid e Sven Spengemann, representantes de Mississauga-Erin Mills e Mississauga-Lakeshore, respectivamente, também visitaram o novo centro da LCCS.

Participaram ainda outras entidades do sector laboral e empresarial, nomeadamente da Direcção do sindicato LIUNA Local 183, representado por Jack Oliveira e Luís Câmara, assim como Joel Filipe, da Canadian Construction Workers Union, e Frank Alvarez, da estação televisiva FPTV e rádio CIRV.

Recorde-se que estas emissoras permitiram angariar 428.000 dólares junto da comunidade no decorrer de uma maratona radiofónica e televisiva que realizaram em Outubro, enquanto a Local 183 subsequentemente angariou e doou outros 430.000 dólares para a obra da LCCS.

Coube à directora executiva da LCCS, Heather Grand, o papel de cicerone desta visita guiada ao novo centro em construção, que se situa ao 6245 da Mississauga Road e que, segundo foi anunciado, vai passar a ser também a sede do executivo da organização.

O director do Luso Support Centre de Hamilton, Joe Botelho, também acompanhou esta visita durante a qual Jack Prazeres foi apontando algumas das necessidades do novo centro para que possa melhor servir os pacientes e as famílias da região de Peel.

Os políticos visitantes desde logo se lançaram numa viva troca de impressões, expressando o seu apoio e vontade de ajudar e coordenando até entre si quem é que poderá fazer o quê em prol do novo centro.

De entre eles, a voz de Peter Fonseca foi uma das que mais se fez ouvir, dirigindo sugestões várias aos colegas, incluindo um apelo a que considerem esta causa quando estiverem a trocar de mobília ou computadores nos seus escritórios.

Apesar de algumas barreiras que ainda falta ultrapassar, os responsáveis espera que este que será o terceiro centro da LCCS venha a receber os primeiros clientes em Junho e esteja a funcionar em pleno até ao fim do Verão.

Terminada a visita e uma vez de volta ao CCPM, os elementos da organização, políticos, voluntários, dignitários e atletas participantes que entretanto terminaram as suas provas puderam conviver, descansar e petiscar as iguarias que, colectivamente, formavam um menu digno de um piquenique.

Houve ainda sorteio de rifas e prémios para o indivíduo e a equipa que angariaram mais fundos, e após o almoço as instalações estiveram abertas durante mais algum tempo para permitirem visitas do público.

No rescaldo final da iniciativa deste ano, destaque para o que foi uma quebra significativa no valor angariado.

Assim, e enquanto no primeiro ano se conseguiu angariar mais de 80.000 dólares, atingindo-se 143.000 na segunda edição da prova, este ano o resultado ficou muito aquém da expectativa, com 110.000 dólares angariados – pouco mais de metade dos 200.000 que se pretendia.

Parece que muita gente se deixou afugentar pelo mau tempo, pelo que o número de participantes não chegou ao esperado e os fundos angariados, por consequência, também ficaram abaixo do que se projectava.

A organização continua a receber donativos, que podem ser entregues em qualquer um dos centros da LCCS, quer em Toronto (2295 St. Clair Avenue West), quer em Hamilton (760 Barton Street East), ou directamente por via electrónica através do link tinyurl.com/LusoDonativo.

Os doadores recebem um recibo que poderão usar no final do ano, quando preenchem a sua declaração de rendimentos, para reduzir os seus impostos.


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