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Dia da Língua Portuguesa e da CPLP comemorado em Toronto

Comunidades portuguesa, brasileira e angolana juntam-se em convívio que destaca "irmandade lusófona" que nos une

Por João Vicente
Sol Português

O Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que vem sendo comemorado a 5 de Maio desde que foi instituído em 2009 pelo Conselho de Ministros da CPLP, foi assinalado na tarde de sábado (6) no salão nobre da Casa do Alentejo de Toronto (CAT).

"É uma celebração que se pretende que seja de facto lusófona", como nos disse Ana Paula Ribeiro a propósito desta iniciativa do Consulado Geral de Portugal em Toronto e da Coordenação do Ensino Português no Canadá, que se aliaram às universidades de Toronto e de York, assim como ao consulado do Brasil e à Comunidade Angolana do Ontário (ACO, na sigla em inglês) para realizarem este evento com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.

"Não temos mais comunidades [presentes], vamos ter estas três", continuou a coordenadora do Ensino Português no Canadá, referindo-se à falta de organizações que representem comunidades como a cabo-verdiana, são-tomense e de outras nações lusófonas.

Assim, ficou-se este ano pelas representações portuguesa, brasileira e angolana, embora haja o desejo de incluir as outras comunidades quando existirem órgãos associativos que possam ser contactados para coordenar a sua participação.

O dia foi celebrado de forma interactiva, com música, danças, prémios e comidas regionais, tendo como principal objectivo levar o público a participar num convívio lusófono que se pretendeu fosse divertido.

"O nosso conceito é o conceito de oficina, portanto vamos ter músicos – pessoas que vão tocar e que vão cantar, e também a dança – e vamos querer que as pessoas experimentem", como nos disse Inês Cardoso, docente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua na Universidade de York.

"Ou seja, que não se limitem a assistir e aplaudir mas que participem, cantando e dançando", rematou a mestre-de-cerimónias, que nessa tarde desempenhou funções conjuntamente com a leitora do Instituto Camões na Universidade de Toronto, Luciana Graça.

No decurso do encontro foram também entregues prémios aos melhores alunos das diferentes turmas do programa de português na Universidade de Toronto e aos vencedores do concurso de fotografia "Expressões da Lusofonia no Ontário".

Escutaram-se ainda várias alocuções, a começar pelo anfitrião do evento e presidente da CAT, João Luís Ferreira, que ao dar as boas-vindas ao público referiu o facto desta colectividade ter vindo a acolher estas celebrações nos últimos anos.

"Estamos aqui, diferentes comunidades intercaladas para celebrarmos o nosso idioma, que é a quinta língua mais falada no mundo", destacou no seu discurso o presidente da ACO, António Alves, enquanto a cônsul do Brasil em Toronto, Ana Beltrame, se referiu à língua portuguesa como "a nossa mátria".

A ilustrar o quanto a irmandade lusófona é real e vivida no dia-a-dia, o cônsul de Portugal em Toronto, Luís Barros, falou, entre outros aspectos, da sua experiência pessoal que demonstra como estamos tão intimamente ligados.

"Quando falo em irmãos da CPLP, não é retórica: tenho família angolana, vivi três anos em Cabo Verde e tenho familiares no Brasil também", destacou o diplomata português.

Participações activas com música, dança, gastronomia e prémios

A primeira oficina que se realizou nessa tarde consistiu de uma mostra de música brasileira, designadamente dos estilos samba e bossa nova, apresentada pelo trio de músicos Artur Miranda, Henrique Matulis e Maninho Costa que além de tocarem e cantarem os temas ainda explicaram um pouco das suas características e origens.

Ao clássico "Menina de Ipanema", com que abriram a apresentação, seguiu-se o samba "Diz que fui por aí", voltando à bossa nova com outro tema de Tom Jobim, "Chega de Saudade", e terminaram com "Não deixe o samba morrer".

A popular dança kizomba dinamizou a segunda oficina convidando um bom número de elementos do público a aprenderem alguns passos com o angolano Java Panzo, o que muito divertiu tanto os participantes como quem assistia.

Caberia ao músico Louis Simão apresentar a terceira oficina, dedicada à música portuguesa, a que a plateia em peso juntou a sua voz para cantar dois temas; o primeiro da região alentejana, "Gota de água", e o segundo da Beira Baixa mas sobejamente conhecido e apreciado de ponta a ponta de Portugal e na diáspora: "Milho verde".

Entretanto Natasha Silvestre, aluna da Universidade de York, leu o seu poema "Vinho, saudade e paixão" e foi apresentada uma série de vídeos criados por alunos de algumas das escolas de português da área da Grande Toronto.

Testemunhos como "a minha mãe pôs-me aqui para eu não perder o português", "é bom falar duas línguas para arranjar um trabalho" e "a "minha família toda fala português", foram alguns dos depoimentos dos jovens da escola do First Portuguese apresentados em vídeo, tendo a directora, Celina de Melo, destacado que este estabelecimento de ensino de Português está neste momento a comemorar 53 anos de actividade.

Foram igualmente apresentados vídeos das escolas Novos Horizontes e Ciranda Brasileira, cujas directoras, respectivamente, Maria José Chaves e Leila Farah, dirigiram algumas palavras à assistência para explicarem um pouco do historial assim como a área de concentração de cada uma destas instituições de ensino.

Escutou-se ainda uma intervenção da professora Susan Antebi, do Comité de Prémios da Universidade de Toronto, que falou um pouco sobre o crescente interesse que há na aprendizagem do português, após o que se procedeu à entrega de prémios aos melhores alunos das diferentes turmas do programa de português naquela instituição.

Assim, o prémio "Sabores da Cozinha Portuguesa: À Descoberta de Restaurantes Portugueses em Toronto", que teve o patrocínio de 12 restaurantes portugueses, reconheceu Carolina Joffre e Sophia Chan com jantares nos diferentes restaurantes associados.

Seguiu-se o prémio "Sabores da Cozinha Portuguesa: Uma Visita a Portugal através de Associações Culturais Portuguesas em Toronto", que foi atribuído a David Taylor, enquanto o prémio "John F. Santos" distinguiu Megan Dinis.

"Aprende Português," com o patrocínio da Coordenação do Ensino do Português no Canadá e do Instituto Camões e que consiste num curso intermédio de português no Centro de Língua Portuguesa Camões – Toronto, foi atribuído ao estudante com melhor desempenho académico na disciplina de português para hispanófonos, Eduardo Montero.

Por fim, o prémio `Pedro da Silva', com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos e que distingue o melhor aluno finalista inscrito como "Specialist" ou "Major" em Portuguese Studies, foi entregue a Jason Gomes.

Seriam ainda revelados os vencedores do concurso de fotografia "Expressões da Lusofonia no Ontário", que por selecção do júri escolheu como fotos premiadas as imagens submetidas por Agostinho Vieira e Zé Rosado, enquanto a foto que registou maior número de "Gostos" na página da competição no Facebook foi da autoria de Carla Ribeiro.

No decorrer da tarde e além das actividades, vídeos e prémios houve ainda oportunidade para provar algumas comidas típicas de cada um dos países ali representados, desde a jinguba (amendoim) de Angola aos salgadinhos e brigadeiros do Brasil, sem faltarem pastéis de bacalhau, rissóis e pastéis de nata de Portugal.

Numa última alusão ao estado da lusofonia no Canadá, a coordenadora do Ensino Português no Canadá destacou que o foco principal é a preservação do que se tem conseguido fazer.

Actualmente, na Universidade de Toronto há cerca de 200 alunos inscritos em programas de português, com outra centena matriculada na Universidade de York.

Entretanto, também a ACO revelou estar a considerar a criação de uma escola de português para dar resposta não só aos alunos mais jovens mas também aos adultos que chegam à língua portuguesa através da dança kizomba e que querem aprender mais sobre a cultura, incluindo o idioma que nos é comum.


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