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Canadá/Covid-19: Governo promete distribuição acelerada de vacinas

Restrições suavizam em Toronto e Peel com levantamento das ordens de confinamento domiciliário

O ritmo das novas infecções de Covid-19 a nível mundial aumentou ligeiramente (2,77 milhões) em relação às três semanas anteriores, elevando o total até à data para 117,7 milhões de casos, enquanto que a proporção de pessoas que já superaram a doença se situava no início desta semana em 79,2 por cento e as mortes continuavam a diminuir ligeiramente, com 62.500 novos óbitos a elevarem o total para 2,6 milhões.

Entretanto, no Canadá a taxa de recuperação subiu ligeiramente acima dos 94 por cento e os óbitos mantiveram a sua tendência decrescente, com 251 mortes a elevarem o total desde o início da pandemia para quase 22.260, mas o número de novos casos (20.700) voltou a subir esta semana – cerca de 600 mais do que no período anterior.

A meio da última semana as regiões de Peel e Toronto assinalavam 100 dias sob ordens de confinamento domiciliário, enquanto a Federação Canadiana de Empresas Independentes intercedia junto do primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, para que fossem aliviadas algumas das restrições relativas à pandemia.

Em Toronto, embora acautelando para o facto do número de infecções com novas variantes do coronavírus terem duplicado na semana anterior, também a dra. Eileen de Villa, directora dos serviços de saúde da autarquia, se expressou a favor da suavização das medidas restritivas.

A médica, conhecida por frequentemente apelar à implementação de medidas mais rigorosas, desta feita incentivou o governo provincial a decretar a passagem da cidade à fase "cinzenta", que permite aos estabelecimentos designados "não essenciais" voltarem a abrir, limitados a 25 por cento da sua capacidade.

O mesmo pedido faria o seu homólogo dos serviços de saúde da região de Peel, região que considera também estar apta a abrandar as restrições impostas às pequenas empresas.

Entretanto, o Primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, mostrou-se optimista de que a campanha de vacinação contra a Covid-19 no país pode vir a acelerar com as novas remessas prometidas pelas empresas farmacêuticas com vacinas já aprovadas e prever para breve a aprovação doutras.

Para isso contribuirá também o facto do Departamento de Saúde do Canadá ter acedido ao pedido da Pfizer-BioNTech para autorizar o envio e armazenamento da sua vacina em frigoríficos normais por um período de até duas semanas, em vez das câmaras especiais que normalmente as mantêm a temperaturas super-geladas (-80ºC), o que facilitará imenso a sua distribuição.

O Primeiro-ministro aproveitou ainda para confirmar que os subsídios salariais, de renda e os programas de apoio nacionais relativos ao confinamento se irão prolongar até Junho.

No Ontário foi anunciado que na próxima fase de vacinação só os residentes entre os 60 e 64 anos serão inoculados com a vacina da Oxford-AstraZeneca por esta não ter sido aprovada para a população com mais de 65 anos, uma vez que não foi testada neste grupo etário.

O anúncio, porém, levantou algumas dúvidas quanto à logística uma vez que o portal das marcações só começa a funcionar no dia 15 e mais de metade da primeira remessa indica que o prazo de validade expira a 2 de Abril.

No entanto, no dia seguinte (quinta-feira, 4), o governo anunciava ter ultrapassado pela primeira vez as 30.000 inoculações diárias, número que voltaria a ser ultrapassado no dia seguinte, 35.886, e o ritmo continuava a acelerar face à disponibilidade de mais doses destinadas ao Ontário.

Nessa altura encontravam-se já vacinadas (com ambas as doses necessárias) 269.063 pessoas.

O governo provincial revelou ainda que a vacina da Oxford-AstraZeneca ia passar a ser administrada nas farmácias, ao abrigo de um projecto-piloto que segundo a Associação de Farmacêuticos do Ontário abrange 380 estabelecimentos em Toronto, Kingston e Windsor-Essex.

Inicialmente, cada farmácia vai poder inocular 46 pessoas diariamente, esperando-se que a capacidade venha a aumentar conforme aumenta também a quantidade de vacinas disponíveis.

No mesmo dia o Departamento de Saúde do Canadá revelou que estava para breve uma decisão a respeito da vacina da fabricante Johnson & Johnson – mais uma a juntar-se ao arsenal contra a Covid-19 – o que se confirmaria um dia quando indicou ter dado a sua aprovação.

A organização governamental divulgou ainda que não vai exigir novos dados ou ensaios clínicos para as vacinas de reforço que estão actualmente a ser desenvolvidas contra as novas variantes da doença, valendo-se de análises ao sangue que indiquem um aumento no número de anticorpos, tal como faz com as vacinas da gripe cujas fórmulas são ajustadas anualmente, conforme as estirpes mais prevalentes.

Entretanto o ministro dos Assuntos Municipais, Steve Clark, anunciou que as autarquias do Ontário estão para receber em breve uma injecção de capital no valor de 500 milhões de dólares, para as ajudar a fazerem face às suas despesas operacionais.

As verbas serão distribuídas pelos municípios com base no número de casos de Covid-19, pelo que a Toronto vão caber 164 milhões de dólares e à região de Peel quase 50 milhões – 20 dos quais se destinam à cidade de Mississauga e 14,6 a Brampton.

Enquanto isso, e apesar de considerar "preocupante" o facto das variantes do coronavírus serem responsáveis por quase um terço dos novos casos de infecção no Ontário, o director de saúde da província, dr. David Williams, expressou a sua convicção de que o aumento do ritmo de inoculações poderia em breve permitir aliviar mais algumas restrições, incluindo em termos do número de pessoas que podem juntar-se em grupos.

Tal como previsto entretanto, na sexta-feira (5) o Canadá aprovou o uso da vacina da Johnson & Johnson para uso no país após as autoridades de saúde terem concluído que os dados revelam que esta inoculação, que requer apenas uma dose ao contrário de todas as outras, é segura e eficaz contra a Covid-19.

No entanto, a boa nova seria atenuada pelas declarações do Primeiro-ministro ao dar conta de problemas com o fabrico desta vacina e que, por isso, a sua disponibilidade inicial será limitada.

Apesar disso, a ministra responsável pelas aquisições a nível federal, Anita Anand, indicou que o Canadá pode contar com a entrega de "pelo menos" 36,5 milhões de vacinas contra Covid-19 até ao fim de Junho e 117,9 milhões até fim de Setembro, ao mesmo tempo que a Pfizer avisava que ia acelerar as suas entregas.

Estes desenvolvimentos levaram o governo do Ontário, há muito crítico da acção de Otava na aquisição e distribuição das vacinas, a anunciar a sua intenção de, até 20 de Junho, inocular todos os cidadãos da província com pelo menos a primeira dose.

No início da semana, o governo provincial levantou as ordens de confinamento domiciliário e passou as regiões de Toronto e Peel à classificação "cinzenta", ligeiramente menos restritiva e que permite a reabertura de estabelecimentos não essenciais, entre outras alterações.

Voltaram assim a abrir as bibliotecas para uso dos seus computadores e para o levantamento de livros, enquanto que os estabelecimentos podem reabrir, mas limitados a 25 por cento da sua capacidade.

Os cabeleireiros e salões de beleza continuam a estar encerrados, embora os groomers podem voltar a funcionar bem como são permitidos os serviços de limpeza de casas.

O número de pessoas que podem assistir a casamentos, funerais e outras cerimónias religiosas, assim como a participar em encontros ao ar livre, aumentou de cinco para 10 pessoas,

Os convívios em casa continuam a estar limitados ao agregado familiar que nela reside, com excepção para as pessoas que vivem sozinhas e que podem, nesse caso, reunir-se com os moradores de uma outra casa.

Os restaurantes continuam a poder abrir apenas para o levantamento ou entrega de comida.

Com o aproximar do aniversário da pandemia, declarada oficialmente a 11 de Março de 2020 pela Organização Mundial de Saúde, o Primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que a data será considerada um "dia nacional de reflexão", em memória das 22.000 vítimas mortais da doença e da forma como tudo se alterou ao longo deste ano, bem como em honra de todos os funcionários de saúde e trabalhadores da primeira linha.

O município de Toronto anunciou entretanto que não iria esperar a implementação do portal de marcações da vacina da província e iria lançar imediatamente o seu próprio, indicando tencionar transitar mais tarde para o do governo provincial.

Ao mesmo tempo, o chefe dos bombeiros de Toronto, Matthew Pegg, anunciou para 17 de Março a abertura de três clínicas de imunização em grande escala na cidade: no Metro Toronto Convention Centre, no centro comercial Scarborough Town Centre e no Toronto Congress Centre.

Na terça-feira (9) o Ontário anunciou não se terem registado mortes devido à Covid-19 nos lares de idosos da província, mantendo-se o número de óbitos nestas instituições em 3.748 até à data.

O governo indicou também que as grávidas serão colocadas na lista de pessoas prioritárias para serem vacinadas durante a próxima fase de inoculações, decisão que recebeu o aval da presidente da Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Ontário, dra. Constance Nasello.

Entretanto, um grupo de defesa dos direitos constitucionais anunciou estar a organizar um processo colectivo com o objectivo de ver invalidadas as regras de quarentena em hotéis impostas pelo governo canadiano.

A Fundação de defesa da Constituição Canadiana alega nos documentos apresentados ao Tribunal de Justiça do Ontário, conjuntamente com cinco queixosos, que as exigências decretadas são "excessivamente amplas, arbitrárias e gritantemente desproporcionais", e levam à detenção de pessoas sem sintomas que poderiam cumprir a quarentena em segurança, fora das instalações aprovadas pelo governo e sem essa despesa, ou com despesas mínimas.

Tudo isto surge face a alegações de que alguns hotéis autorizados pelo governo federal estão a extorquir quantias exorbitantes aos que neles têm de ficar hospedados, muitas vezes para além dos valores inicialmente indicados.


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