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Canadá/Covid-19: Ontário regista aumento significativo no número de casos

Médicos avisam estar-se perante 4.ª vaga da pandemia

No que poderá ser o primeiro sinal duma quarta vaga de Covid-19, na última semana todos os indicadores – tanto nacionais como internacionais – evoluíram de forma negativa, com o número de infecções e de mortes a aumentar, e a taxa de recuperação a diminuir.

Em termos percentuais e a nível mundial, os casos de Covid-19 aumentaram 6,5 por cento em relação à semana anterior, para 4,5 milhões, os óbitos 2,74 por cento, para 67,600, e a taxa de recuperação voltou a descer, para 88,98 por cento.

Mas no Canadá a alteração percentual foi bastante mais drástica, uma vez que as 8.234 infecções detectadas numa semana representam um aumento de 52,76 por cento em relação aos sete dias anteriores, os 70 óbitos são um salto de 32 por cento, enquanto que o índice de recuperação voltou a diminuir ligeiramente, para se cifrar em 97,4 por cento.

A única nota positiva é que a elevada taxa de imunização canadiana – uma das mais altas em todo o mundo – é prevista atenuar as consequências do crescimento galopante do número de infecções que desde há três semanas se tem vindo a verificar e que é, em grande parte provocado pela nova estirpe Delta, considerada substancialmente mais infecciosa.

A meio da última semana, o director da Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu uma moratória na administração de doses de reforço das vacinas contra Covid-19 (terceira dose), por forma a garantir o acesso às primeiras doses em países onde ainda quase ninguém foi vacinado.

Nesse sentido, o governo federal canadiano anunciou o envio de mais de 82.000 doses da vacina Oxford AstraZeneca para Trinidad e Tobago, decisão que foi tomada, segundo a ministra do Desenvolvimento Internacional, Karina Gould, com base na necessidade e na capacidade do país de usá-las imediatamente.

Entretanto, um estudo internacional dirigido por pesquisadores canadianos revelou que a administração de uma dose mais alta de anticoagulantes aos pacientes internados com Covid-19 e moderadamente doentes podem reduzir significativamente a intensidade e a probabilidade de adoecerem ainda mais gravemente.

Com muitos pais a terem de tomar uma decisão com respeito ao envio das crianças para a escola em Setembro ou mantê-las em casa, no ensino virtual, o governo do Ontário anunciou que vai investir mais 25 milhões de dólares para melhorar e reforçar os sistemas de ventilação nas escolas antes do reinício do ensino presencial no novo ano lectivo.

Este reforço adicional destina-se a garantir que todas as salas de aula, ginásios, bibliotecas e outros espaços de instrução que não dispõem ainda de ventilação mecânica vão ter unidades autónomas de alta eficiência para a filtragem do ar (designadas pela sigla HEPA) quando os alunos voltarem às aulas.

Incluídos neste esforço estão os jardins de infância júnior e sénior em estabelecimentos escolares com sistemas de ventilação mecânica, para garantir que os alunos mais jovens não vão ter de usar máscaras nas salas de aula.

O governo indicou que irá também enviar instruções actualizadas sobre os protocolos de Covid-19 para as creches, que têm agora autorização para cantar em recintos fechados e novas regras para o recebimento de visitas.

As regras destacam ainda que, dado o risco de transmissão do vírus através de superfícies e de objectos ser baixo, deve ser dada atenção à lavagem das mãos em vez da limpeza entre uso dos brinquedos partilhados pelas crianças, além de que passa a ser autorizada a utilização de "materiais sensoriais em grupos", incluindo as chamadas "mesas de água".

Existem ainda algumas dúvidas da parte das escolas com respeito aos regulamentos, que esperam venham a ser esclarecidas através das mensagens emitidas pelas unidades de saúde regionais no que toca à sua implementação a nível local.

De igual modo, o governo anunciou a abertura de centros temporários para a realização de exames de condução, para ajudar a controlar a lista de espera que aumentou consideravelmente devido às medidas de confinamento que foram implementadas para controlar a pandemia.

Segundo foi indicado, estes centros temporários vão funcionar nas zonas com maior procura de cartas de ligeiros (G e G2), nomeadamente em Guelph e em Oshawa, onde estão já operacionais desde segunda-feira (8), e a partir de Setembro em Toronto, Hamilton/Niagara, Mississauga/Brampton, e York/Durham.

Para aqueles a quem o exame foi cancelado devido à Covid-19, deverá ter-lhes sido concedido um crédito para marcarem nova data.

Entretanto eclodiu a controvérsia quanto à eventual obrigatoriedade de vacinação, situação que poderá vir a acontecer sobretudo em determinados sectores.

A dirigente do Partido Neo-Democrata do Ontário (NDP), Andrea Horwath, acabou por inverter a sua opinião e retirar os comentários que fez e nos quais se opunha à vacinação obrigatória dos funcionários do sistema de educação e sugeria que os direitos garantidos pela Carta Canadiana de Direitos e Liberdades devem prevalecer, mesmo durante uma pandemia.

No final da última semana veio a público para afirmar que apoia a vacinação obrigatória dos que trabalham nos sectores da saúde e da educação, dizendo fazê-lo agora com base "na ciência" e nas prioridades para o sistema de saúde pública.

De opinião contrária continua o Primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, que indicou não pretender obrigar os trabalhadores a vacinarem-se uma vez que têm o direito constitucional de recusarem.

O chefe do governo disse também ser contra a adopção de um comprovativo de vacinação como forma de garantir a participação dos vacinados em certas actividades e a exclusão de todos os outros.

Por sua vez, o Primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, disse estar a ponderar tornar obrigatória a vacinação contra a Covid-19 em alguns locais de trabalho sob jurisdição federal, incluindo as companhias de aviação civil.

Durante este período, e à medida em que volta a aumentar o número de infecções, os administradores de lares de idosos juntaram-se ao coro de vozes que pedem a obrigatoriedade da inoculação não só para os funcionários de saúde como para os que participam em actividades não essenciais

No domingo (8) o Ontário anunciou ter detectado 423 casos de Covid-19 nas 24 horas anteriores – o valor diário mais alto desde há quase dois meses quando, a 14 de Junho, após o auge da terceira vaga, foram detectadas mais de 400 infecções em igual período.

No início da semana, conforme o número de infecções diárias parece voltar a aumentar, grupos empresariais pediram ao governo a adopção de um sistema de certificados de vacinação para evitar outro confinamento.

Doug Ford tem vindo a recusar pedidos semelhantes emitidos por entidades de vários sectores, por não querer uma "sociedade dividida", mas ao mesmo tempo que diz não ser a favor de confinamentos também não desconta a possibilidade de ter de vir a impô-los.

Entretanto a autarquia de Toronto voltou a autorizar o acesso do público aos edifícios municipais para a prestação de serviços que lhe estavam vedados desde Março de 2020.

O director dos serviços de saúde do Ontário, dr. Kieran Moore, anunciou prever-se um aumento "lento mas constante" no número de casos de Covid-19 ao longo da estação outonal, advertindo, no entanto, que "não é motivo para pânico" uma vez que "as taxas de infecção vão oscilar ao longo do tempo" podendo-se desde já antecipar que "vão continuar a aumentar".

O médico sugeriu ainda que um aumento no número de casos não resultaria automaticamente na imposição de confinamentos extensivos a toda a província, mas poderia dar aso à adopção de restrições localizadas.

Quer ele quer o governo passaram a enfatizar o número de internamentos hospitalares em vez de infecções diárias, o que se reflectiu no portal que divulga os dados do Ministério da Saúde que revela que cerca de 80 por cento das hospitalizações contabilizadas envolvem pessoas que não estavam vacinadas ou estavam apenas parcialmente inoculadas.

Segundo o dr. Kieran Moore, conta-se que nos próximos dias se atinjam as restantes metas necessárias para que a província possa passar além da terceira fase do seu plano de desconfinamento e reabertura.

Contudo, várias organizações médicas e autoridades de saúde expressaram já o seu desagrado com o levantamento de mais restrições, o que provavelmente acabará por influenciar o governo a suspender a sua intenção de ir além do que já autorizou nesta fase.

O Ontário assinala agora três semanas desde que passou à terceira fase do plano de reabertura, mas continua sem conseguir atingir as metas de vacinação que permitiriam abrandar ainda mais as restrições:

A província estipulou como condições para passar além da actual fase que 80 por cento da população com mais de 12 anos deve estar inoculada com pelo menos uma dose de imunizante, 75 por cento totalmente vacinada e todas as unidades de saúde devem ter vacinado 70 por cento dos moradores qualificados que estão sob a sua jurisdição. Até à data, apenas tinha sido atingida a primeira destas metas.

Na sexta-feira (6) o Departamento de Saúde do Canadá acrescentou à lista de efeitos raros da vacina Pfizer-BioNTech a paralisia de Bell – uma afecção que consiste de um período temporário de fraqueza ou paralisia dos músculos faciais, com sintomas que podem incluir a perda de sensação no rosto, dores de cabeça, babar-se e dificuldade em fechar um olho.

Segundo o departamento, foram declarados casos de paralisia de Bell em 311 pacientes no Canadá após receberem a vacina, embora isso não signifique que esta tenha sido a causadora.

Contudo, e por precaução, aconselham quem tiver sintomas a procurar os serviços médicos.

As fronteiras canadianas reabriram segunda-feira (9) aos cidadãos americanos vacinados, mas há muito que um grupo de líderes empresariais canadianos e americanos tinha vindo a pressionar o congresso americano para aliviar as restrições na fronteira terrestre com vista a evitar os "tremendos atrasos" que se previam devido aos agentes fronteiriços terem de considerar dados adicionais relativos ao estado de vacinação dos viajantes – o levantamento de restrições dos EUA aos visitantes canadianos só está previsto para dia 21.

Tudo esteve ameaçado, porém, quando os sindicatos que representam os 9.000 funcionários fronteiriços canadianos avisaram o governo de que entrariam em greve a partir das 6h00 de sexta-feira (6).

Contudo, à última hora foi alcançado um acordo entre a entidade empregadoras e os sindicatos para a adopção de um novo acordo colectivo de trabalho.

Apesar disso, os viajantes debatem-se actualmente com grandes dificuldades não só em conseguirem passagens para os destinos que procuram, e a preços acessíveis, como para serem atendidos nos aeroportos e embarcarem nas aeronaves.

Na terça-feira (10) eram partilhadas nas redes sociais imagens de longas filas para aceder aos balcões dos serviços alfandegários do Aeroporto Internacional Pearson de Toronto.

O aeroporto respondeu, através da plataforma Twitter, que os atrasos se deviam ao elevado número de passageiros, aliados aos procedimentos adicionais de triagem relativa à Covid-19.


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