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Alenquer quer candidatar tradição "Pintar e Cantar dos Reis" a património mundial

A Câmara de Alenquer demonstrou quarta-feira (11) a intenção de candidatar as tradições do "Pintar e Cantar dos Reis" a Património Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Este município do distrito de Lisboa "oficializou a intenção de candidatar a tradição do Pintar e Cantar dos Reis a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO", durante o "Encontro de Reiseiros", que decorreu no fim de semana, informou a autarquia em nota de imprensa.

"Trata-se de um passo muito importante e de grande responsabilidade, para o município e para os `reiseiros'. Vamos juntar toda a informação acerca daquilo que fazem, até porque são os actores principais desta tradição, que representa todo um concelho, enquanto comunidade bem viva a nível cultural", afirmou o vice-presidente da Câmara, Rui Costa, citado na nota de imprensa.

"Se não almejarmos ir mais além, perdemos a energia de querer sair na noite de reis, para manter a tradição bem viva. Vamos precisar de todos, é um processo participativo. O objectivo desta candidatura é manter viva a tradição e transmiti-la de geração em geração", frisou o vereador com o pelouro da Cultura.

O autarca adiantou que a candidatura deverá ser formalizada até ao final deste ano junto da comissão nacional da UNESCO, apesar de ter um prazo até Março de 2024 para o fazer.

Em Julho de 2021, as tradições do "Pintar e Cantar dos Reis" passaram a integrar o inventário do património cultural imaterial, segundo o anúncio publicado em Diário da República pela Direcção-Geral do Património Cultural.

Para esta entidade, a inscrição "reflecte os critérios relativos à importância da manifestação do património cultural imaterial enquanto reflexo da identidade da comunidade em que esta tradição se originou e se pratica, traduzida em práticas transmitidas intergeracionalmente, com recurso privilegiado à oralidade e à observação e participação directa".

A candidatura foi apresentada em 2016 pela Câmara Municipal de Alenquer, o concelho do país onde essas tradições têm maior expressão e ainda subsistem, mas estão em risco por existir uma menor adesão aos grupos de pessoas.

Na noite de 5 para 6 de Janeiro, cantam-se os reis de porta em porta, em alguns locais do país. Contudo, em algumas terras do concelho de Alenquer, são também pintados nas paredes das casas símbolos e desejos de felicidades para o ano que começa.

Os reiseiros, nome pelo qual são apelidados todos aqueles que fazem cumprir o ritual, dividem-se em dois grupos: o primeiro dos quais segue munido de lanternas, pincéis e tintas e marca o trajecto com pinturas, a vermelho e azul, de corações e vasos floridos, estrelas, símbolos de profissões – como uma balança ou um martelo – ou da sigla B.R., que quer dizer "Bons Reis".

O segundo grupo, após o apontador cantar a solo, entoa melodias e deixa votos de felicidades para o Ano Novo.

De acordo com o município, a tradição mantém-se viva em zonas como Catém, Casal Monteiro, Ota, Abrigada, Olhalvo, Pocariça, Mata e Penafirme, Cabanas de Torres e Paúla, cobrindo cerca de um terço da área deste concelho do distrito de Lisboa.

Há ainda memória de se terem pintado e cantado os Reis em Meca, Espiçandeira, Canados, Bogarréus, Fiandal, Bairro, Estribeiro, Valverde, Calçada, Pereiro, Aldeia Gavinha e Penedos.

As tradições remontam às celebrações da Epifania do Oriente que chegaram à Europa no século IV e sofrem modificações dando origem a outro tipo de manifestações.

Na Península Ibérica, o Dia de Reis começa a ser celebrado devido à chegada dos frades franciscanos e dominicanos ao território, sendo primeiro acolhidas no século XIII em Alenquer, no distrito de Lisboa.


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