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Em noite de Gala:

Sindical Local 183 atribui 93 bolsas de estudo no valor de mais de 750 mil dólares

Por João Vicente
Sol Português

Quase uma centena de jovens, muitos deles luso-canadianos, receberam sexta-feira (6) as suas bolsas de estudo da sindical LIUNA Local 183, prémios cujo valor colectivo ultrapassa os 750.000 dólares.

A cerimónia decorreu durante o jantar anual do Fundo Fiduciário de Bolsas de Estudo do sindicato, que decorreu no salão Gerry Gallagher perante os familiares dos jovens e um grupo de convidados e entidades políticas

Desde que foi criado há 19 anos como forma de facilitar o acesso dos filhos e netos dos sócios da "183" ao ensino superior, o número de premiados tem vindo a aumentar, tendo este ano sido seleccionados 93 estudantes entre as centenas de candidatos.

Cada bolsa tem um valor potencial de 10.000 dólares, repartidos em tranches de 2500 dólares anuais ao longo de um máximo de quatro anos, dependendo da duração do curso.

Esta preciosa ajuda monetária contempla alunos que irão frequentar instituições de ensino superior em áreas tão diversas como arte, ciências, administração de empresas, física, arquitectura, engenharia civil e muitas outras.

O administrador da Local 183, Jack Oliveira, caracterizou este evento como "um orgulho para pais e filhos", e estendeu um agradecimento especial tanto aos sócios activos como aos pensionistas, sem esquecer a comunicação social, porque, como destacou "somos nós todos juntos que fazemos isto acontecer".

A cerimónia abriu com o secretário da "183", Marcello Di Giovanni, a convocar ao palco o administrador do sindicato.

Jack Oliveira, por sua vez, pediu aos elementos que compõem a Direcção do sindicato para que se juntassem a ele, prosseguindo a destacar a presença neste evento de Joseph Mancinelli, vice-presidente da LIUNA e responsável pela zona central e oriental do Canadá, bem como de Carmen Principato, administrador da filial irmã, Local 506.

Joseph Mancinelli, que foi o impulsionador da criação de bolsas de estudo para os sócios quando era administrador da sindical Local 837, começou por referir que além destas duas filiais da LIUNA, também a "506" e as afiliadas de Otava e Sudbury apresentaram, ou estão para apresentar em breve, os seus programas de bolsas de estudo.

Isto demonstra, na sua opinião, que o sindicato não só está dedicado a servir os sócios como as suas famílias e considerou que, de todos os investimentos da LIUNA – "quer se fale de edifícios maravilhosos, como a sede da Local 183, ou do fundo de pensões, que ocupa o quinto lugar entre os fundos que mais rapidamente crescem no Canadá – é o investimento que é feito nos membros e nestes jovens o mais importante".

Como oradora esteve uma luso-canadiana, Daisy Oliveira, que há apenas oito anos se contava entre os jovens que então receberam bolsas de estudo da "183" e este ano foi convidada para falar aos premiados sobre o impacto que esta ajuda monetária teve na sua trajectória profissional.

"Preparem-se, porque os vossos entes queridos vão gabar-se disto à família toda durante o resto do ano", brincou a jovem enfermeira, que exerce a profissão há quatro anos, e que viria a aconselhar os estudantes a confiarem nas suas capacidades e a perseverarem, lembrando-os que "o resultado vale a pena".

Entretanto, após a oração de graças proferida pelo pastor Bill Sunberg antes do jantar, enquanto decorria a refeição passaram a ser chamados ao palco vários políticos dos diferentes níveis de governação ali presentes.

Da esfera federal foram três os deputados que subiram ao palco, a começar por Julie Dzerowicz que citou como exemplos a nova governadora geral e ex-astronauta, Julie Payette, e a activista Malala Yousafzai, encorajando os estudantes a trabalharem com afinco e a aproveitarem todas as oportunidades com que se depararem.

Judy Sgro, que trouxe cumprimentos do Primeiro-Ministro Justin Trudeau, recordou quando 19 anos antes integrou o comité responsável pela selecção dos primeiros bolseiros, na altura apenas 25 jovens, e Michael Levitt lembrou os premiados deste ano, agora quase uma centena, que são "fonte de muito orgulho para as vossas famílias, comunidades e todos os canadianos".

Em nome do Governo provincial, a deputada Cristina Martins cumprimentou os jovens e os familiares que os apoiaram, permitindo-lhes atingir este importante patamar nos seus estudos, e incentivou-os a continuarem a fazer o seu melhor pois "acreditamos em vocês e precisamos de vocês".

Linda Jeffrey, que preside à Câmara Municipal de Brampton e que esteve acompanhada nessa noite pelos vereadores Martin Medeiros e Pat Fortini, lembrou que "a educação abre portas", motivo pelo qual a cidade está a apostar num novo campus da Universidade Ryerson, que será construído, como destacou, por trabalhadores sócios da LIUNA.

Tal como vários outros oradores, o seu homólogo de Caledon, Allan Thompson, lembrou os estudantes de que um dia devem partilhar o seu sucesso com a comunidade onde se inserirem, bem como com aquela que os apoiou até chegarem a este patamar.

Por último, escutaram-se dois vereadores da Câmara Municipal de Toronto, a começar por Anthony Perruzza que elogiou a LIUNA por tudo o que faz pelos seus membros e pelos estudantes, considerando que isso estabelece um novo exemplo para todos os trabalhadores e que "quando os trabalhadores e as suas famílias se dão bem, todo o país se dá bem".

A sua colega, Ana Bailão, que havia sido nessa tarde indigitada para o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto – o que lhe mereceu um caloroso aplauso da plateia – trouxe uma mensagem do autarca John Tory e na sua alocução apelou a uma maior intervenção por parte dos vários níveis de governo no sentido de apoiarem o movimento laboral.

No final da refeição, os dirigentes sindicais da "183" alinharam para entregar as bolsas e procedeu-se à cerimónia com o administrador do plano de benefícios do sindicato, Chris McNeill, a chamar cada um dos 93 estudantes premiados.

Esta gala anual, que já vai na sua 19.ª edição tem vindo a distinguir cada vez mais jovens, que são escolhidos por um comité independente tendo em conta factores como as suas notas, experiência de trabalho ou voluntariado e um ensaio que têm de apresentar juntamente com a candidatura.

Desde 2006 foram atribuídos quase quatro milhões de dólares em bolsas a jovens estudantes, muitos deles luso-canadianos, como é o caso de Jeniffer Cordeiro, que este ano vai estudar criminologia e pensa vir a seguir Direito, e que se disse extremamente grata por esta ajuda que vai aliviar o esforço dos pais.

Segundo o administrador da "183", a intenção é conseguir entregar mais de 100 bolsas, o que Jack Oliveira espera venha a concretizar-se já no próximo ano, como nos afirmou após a cerimónia, salientando que "o que o Jack diz, o Jack faz".


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