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17.ª Grande Gala do Fado no CCPM:

Luísa Rocha abrilhanta espectáculo de homenagem a Amália Rodrigues

Por João Vicente e Noémia Gomes

Sol Português

Um ano após o seu falecimento, o vestido que Amália Rodrigues usou no histórico concerto que deu no Olympia, em Paris, chegava ao Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) onde serviu de inspiração para um espectáculo que viria a tornar-se numa tradição anual dedicada à rainha do fado.

No passado sábado (7), a Grande Gala do Fado dedicada a Amália voltou a realizar-se na sede desta colectividade pelo 17.º ano consecutivo, enchendo o salão de adeptos da canção nacional para escutarem uma voz vinda de Portugal.

Além da fadista convidada, Luísa Rocha, aqui se deslocaram também os músicos Guilherme Banza (guitarra), Rogério Ferreira (viola) e Frederico Gato (viola-baixo), o radialista e apresentador da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), José Carlos Malato, e ainda uma surpresa a que Luísa Rocha aludiria logo no início da sua actuação, mas que só mais tarde viria a revelar.

Luísa Rocha, que começou a cantar fado bem cedo, com apenas cinco anos de idade, diz-nos que desde logo encontrou em Amália uma inspiração e um impulso para fazer mais e melhor – ainda que, reconhece, na altura nem compreendesse as palavras que ela cantava.

"A Amália é aquela diva fabulosa que consegue conquistar todos os corações e arrebatar todas as almas", como nos explica, destacando que "tocava até numa criança com cinco anos e isso também explica um bocado a forma como ela e outros fadistas hoje tocam a alma de pessoas que não falam português".

Sensibilizada desde cedo pela linguagem universal do fado, a artista diz-nos que foi crescendo e adaptando a voz e o estilo até chegar aos discos de originais, alguns dos quais o público do CCPM teve oportunidade de escutar essa noite, entre os quais "Fado Veneno" que dá nome ao seu mais recente trabalho e cuja letra é da autoria de José Carlos Malato.

Por seu turno, o autor atribui o ímpeto para escrever fados aos dois documentários que realizou sobre o projecto "Fado pelo Mundo", em que apresentou as actuações de Aldina Duarte em Macau e de Kátia Guerreiro no Olympia, em Paris.

Parte do processo de preparação envolveu uma investigação aprofundada acerca de fado, o que o inspirou e, a certa altura, levou-o a aventurar-se e fazer uma letra para um tema, acabando depois por escrever mais.

"A letra é, de facto, uma construção – uma espécie de lego ao qual depois se junta o sentimento – (...) barro divino, como Amália tão bem cantava", diz-nos Malato.

Dessa experiência resultaram alguns fados, que foram gravados por outros fadistas, mas este considera-o "muito especial", embora confesse que a letra não foi feita a pensar especificamente na Luísa.

Visto a fadista já ter tido vários nomes importantes da música a escreverem para ela, Malato, como estreante nestas andanças, considera-se honrado pela companhia e pela escolha, pois o convite partiu da própria Luísa Rocha.

No decorrer deste serão fadista, José Carlos Malato foi apresentado ao público pelo presidente do CCPM, Tony de Sousa, e desde logo se esforçou por estabelecer uma ligação directa com o público, atravessando a sala, cumprimentando os espectadores e conversando, aqui e ali, até chegar a hora de chamar ao palco a fadista convidada.

Luísa Rocha começou por estimular a curiosidade do público ao anunciar que daí a pouco viria a palco uma surpresa, antes de se lançar numa interpretação de clássicos de Amália entremeados com alguns do seu próprio repertório, tais como "Estranha forma de vida", "Maria da Cruz", "Sabe-se lá", "Preciso de te ver" e vários outros, incluindo "Fado Veneno"

Cerca de 20 minutos após o começo do espectáculo, a fadista chamou então ao palco a surpresa que tinha anunciado para essa noite, na pessoa de João Caçador, fadista, músico, compositor e empresário.

João Caçador, com quem José Carlos Malato mantém uma relação assumida há cerca de um ano, como foi revelado, expressou a sua gratidão pelo convite de Luísa Rocha para actuar nessa noite, bem como ao CCPM pela iniciativa, e interpretou dois temas: "Triste Sorte" e "Canoas do Tejo", ambos muito aplaudidos pelo público.

De volta ao palco, Luísa Rocha enveredou então por outra vertente do fado, com temas mais corridos, convidando o público a acompanhá-la com palmas e nos refrões, o que nem sempre aconteceu com grande energia, até que os músicos se lançaram num corridinho e a artista desceu à plateia, puxando por ele.

Para encerrar o espectáculo a fadista interpretou uma série de temas universalmente conhecidos, como "Cheira Bem, Cheira a Lisboa", "Coimbra" e "Lisboa à Noite", participando depois numa sessão de autógrafos e fotografias conjuntamente com José Carlos Malato.

A fadista, que se revelou extremamente satisfeita com este espectáculo e confiante de que voltará em breve para mais actuações no Canadá, prepara neste momento um novo trabalho que deverá ser gravado ao vivo, possivelmente na casa de fados onde actua – O Fado em Si – e comercializado em Março ou Abril de 2018.

O disco será uma compilação de temas extraídos dos seus dois últimos álbuns e de outros fados do seu repertório habitual, mas terá também um original, segundo revelou.

Por seu turno, Malato, que já fez vários programas de televisão nos Estados Unidos, confessa que nunca nunca tinha vindo ao Canadá e reconhece que na Europa esta comunidade não é tão bem conhecida como a dos EUA.

Nesta passagem pelo país diz ter ficado muito bem impressionado, quer com as pessoas, quer com a força da comunidade e a diversidade de clubes e associações, apontando como uma possibilidade a RTP vir cá "fazer um programa em grande nos próximos meses".

Entretanto o presidente do CCPM já deu a conhecer o alinhamento de artistas para a Gala do ano que vem, um cartaz que trará Gonçalo Salgueiro de volta a este palco assim como a fadista Mara Pedro.

Antes disso, porém, a canção nacional ainda voltará a deliciar os seus fãs em pelo menos dois espectáculos, o primeiro já em Janeiro, com a fadista Sara Correia, e outro em Abril, com um elenco ainda por determinar.


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