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Morte de Raul Solnado origina manifestações

de pesar de vários quadrantes políticos e sociais

A morte de Raul Solnado, no sábado, dia 8, originou manifestações de pesar de vários quadrantes políticos e sociais, com o Presidente da República a lamentar o desaparecimento do actor que "marcou uma época e sucessivas gerações de artistas".

Raul Solnado morreu sábado de manhã, aos 79 anos, de doença cardio-vascular grave.

O humorista, actor e apresentador de televisão, que começou a trabalhar em 1947 no teatro amador, foi, até à sua morte, director da Casa do Artista, sociedade de apoio aos artistas, situada em Carnide, Lisboa.

Uma instituição onde, no sábado, reinou o "silêncio", como forma de assinalar "o luto" pela morte do actor, segundo disse à Lusa a actriz Manuela Maria, da direcção da instituição.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, manifestou o seu pesar pela morte de uma figura "que marcou uma época e sucessivas gerações de artistas" e cujo desaparecimento "deixa um enorme vazio".

Também o primeiro-ministro, José Sócrates, lamentou a morte do actor, considerando que foi um dos artistas mais amados e admirados pelos portugueses.

Numa nota enviada à agência Lusa, José Sócrates classifica Raul Solnado como "um artista ímpar, um cidadão exemplar e um dos grandes vultos da cultura portuguesa".

O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, realçou, por sua vez, o humanismo e a preocupação cívica de Raul Solnado, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, considerou a morte do actor como "uma grande perda para o país".

Ainda a nível político, o secretário-geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, lembrou Raul Solnado como uma figura "incontornável" da cultura portuguesa, que deu uma "contribuição importante pela democracia".

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, lamentou a morte de um actor com quem se "ria muito" e de quem vai "sentir a falta, tal como a generalidade dos portugueses ".

Já o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, afirmou que com a morte do Raul Solnado "Lisboa perdeu uma das figuras mais populares e queridas das últimas décadas".

No mundo artístico, várias foram as personalidades que manifestaram pesar pela morte de Solnado, salientando "a generosidade" e a "grande humanidade" de um actor "que soube sempre inovar".

O actor Rui Mendes qualificou Raul Solnado como "um actor generoso" que, "tal como Amália Rodrigues, perdurará na memória, ao lado de actores como Vasco Santana ou António Silva".

A actriz Alina Vaz, que contracenou com Solnado várias vezes, recordou-o como "um actor sempre inovador, que amava a vida", enquanto a escritora Alice Vieira afirmou que o actor "inventou a stand-up comedy" quando fez os Monólogos da Guerra".

Solnado foi figura marcante da cultura e do espectáculo em Portugal

O actor Raul Solnado, foi "uma das figuras mais marcantes da cultura e do espectáculo em Portugal no século XX", afirma a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) em comunicado.

A SPA distinguiu o actor em 2005 com a Medalha de Honra e com o Prémio de Consagração de Carreira, tendo ainda realizado uma exposição evocativa de mais de cinco décadas "da brilhante actividade artística em Portugal e no Brasil", em 2006.

Considerando que "a cultura e a vida artística portuguesas ficaram hoje mais pobres com a partida inesperada" de Solnado, "a SPA curva-se perante a sua memória e tudo continuará a fazer para que a sua obra como artista, criador e comunicador nunca caia no esquecimento".

Na mesma nota, a SPA realça a "polivalência dos seus talentos" e que Raul Solnado "esteve sempre presente nos grandes momentos da vida da cooperativa de autores de que era membro, sendo uma referência para todos".

A actriz Alda Pinto que contracenou com Raul Solnado em várias revistas e peças, recordou "a inovação que trouxe, quando tomou a direcção do Teatro Capitólio com Humberto Madeira e Carlos Coelho".

Foi durante esta temporada, e por sua iniciativa, que a actriz Milú reapareceu nos palcos portugueses, lembrou a actriz.

"Tive sempre muito bom trabalho com ele, e na contracena entendíamo-nos muito bem", disse.

"Numa das revistas, a `Haja saúde', tínhamos uma rábula que fazia tal sucesso que o público não nos deixava sair de cena", recordou.

A actriz integrou também o elenco da comédia "Há petróleo no Beato", da autoria de Solnado.

"Fizemos um enorme sucesso, mas tive problemas de saúde e fui substituida. Mas, passados dois anos, quando a peça foi gravada para televisão, o Raul foi-me convidar, era um óptimo colega", declarou.

Mais de meio milhar aplaudiram chegada da urna de Raul Solnado

Mais de meio milhar de pessoas receberam com aplausos e alguns acenos de lenços brancos, à entrada do Cemitério dos Olivais, o carro funerário que transportava a urna de Raul Solnado.

Apesar dos muitos populares e caras conhecidas do grande público, a cerimónia de cremação foi restrita à família e amigos próximos.

O encenador João Mota, a atleta Rosa Mota, os actores Luís Alberto, amigo desde a Sociedade Guilherme Cossoul, Rui Mendes e Eunice Muñoz, o compositor José Niza, eram algumas das caras conhecidas.

No talhão do crematório foram colocadas centenas de coroas e palmas de flores de cidadãos anónimos deixando apenas a mensagem "eterna saudade", a de instituições como o Páteo Alfacinha, dos Gato Fedorento, Câmara de Lisboa, Teatro Maria Vitória, Sociedade Portuguesa de Autores, Grupo Estoril Sol, ou Câmara de Lisboa.

Uma das coroas era de António Costa, candidato à Câmara de Lisboa, de quem Raul Solnado era mandatário sénior e de Mário Assis Ferreira, presidente do conselho de administração da Estoril Sol.

Os aplausos foram-se sempre ouvindo, enquanto alguns populares comovidos gritaram "Raul! Raul!". A cerimónia no cemitério foi acompanhada em directo por várias estações televisivas.

Fonte do Cemitério dos Olivais disse à Lusa que as cinzas foram entregues segunda-feira à família.


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