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Casa das Beiras vende prédio onde está sedeada

Decisão aprovada por unanimidade em Assembleia-Geral em véspera de retoma das actividades

Por João Vicente
Sol Português

Foi por unanimidade que no passado domingo (9) e em Assembleia-Geral os sócios da Casa das Beiras (CB) aprovaram a venda do edifício que lhes serve de sede, sito ao número 34 da rua Caledonia, em Toronto.

Embora à primeira vista possa parecer que esta decisão surge no rescaldo da pandemia de Covid-19 e possa estar relacionada com eventuais dificuldades financeiras da colectividade, a verdade é outra, esclarece o seu presidente, Bernardino Nascimento.

Segundo revela, era uma decisão que já vinha a ser ponderada há mais de dois anos, desde que a firma de empreiteiros que é proprietária da maior parte do terreno que abrange o quarteirão onde o prédio está situado lhes fez uma oferta.

Segundo Bernardino Nascimento, a empresa pretende avançar com um ambicioso empreendimento que irá desenvolver todo aquele terreno, incluindo a parcela actualmente ocupada pela sede da CB, mas a oferta inicial não foi suficientemente aliciante para convencer os sócios da colectividade a vender o imóvel.

Depois de novas negociações e com a empresa empreiteira a necessitar de uma resposta definitiva até 9 de Agosto ou teria de desistir do projecto, a oferta final levou as duas partes a firmarem o acordo de venda por um valor que Bernardino Nascimento se escusou a revelar mas que envolve vários milhões de dólares dado o valor actual dos terrenos em Toronto.

Contudo, o presidente do CB destaca que o montante foi apenas um dos factores que foram considerados pelos mais de quarenta sócios que compareceram à Assembleia-Geral.

A firma empreiteira chegou mesmo a fazer uma proposta que incluía a sede da CB no projecto, dedicando-lhe um espaço com um salão ainda maior do que o actual e instalações novas, mas essa opção não foi considerada viável pela colectividade uma vez que implicaria um longo interregno, por tempo indefinido – meses ou até anos – entre a demolição do prédio e a construção e finalização da obra.

Essa incógnita, aliada ao eventual congelamento das actividades do clube durante esse período, levou a que a resposta fosse negativa.

Em Assembleia-Geral este domingo – a terceira que realizaram este ano para ponderar e decidir este assunto – os sócios avaliaram a nova proposta e, segundo o presidente, o valor da oferta estava mais em sintonia com o mercado e com as necessidades da colectividade, que terá de encontrar novas instalações, e isso pesou fortemente na decisão.

Como nos conta, a sede está localizada numa zona bastante antiga mas que desde há alguns anos tem estado a atravessar uma fase de renovação dos imóveis existentes e de construção de novos empreendimentos, tanto residenciais como comerciais.

"Fomos sempre aguentando e não queríamos vender porque estávamos bem aqui", diz-nos Bernardino Nascimento que considera aquele "um local fantástico" além de que "não havia razão nenhuma para vendermos".

Contudo, "com a pressão toda que nos foram fazendo chegámos a um ponto de ver que de facto não podíamos estar a impedir a construção nesta área, porque vai ser válido para a cidade e para a comunidade, ao mesmo tempo que nos fizeram uma oferta razoável", explica.

Assim, e uma vez reunidas as condições necessárias, a decisão não tardou pelo que a CB tem já em vista dois locais onde potencialmente poderá assentar raízes, ambos na zona em torno da intersecção das ruas Rogers, Keele e Weston Road.

Embora Bernardino Nascimento desconfie que uma das propriedades poderá já ter sido vendida, a outra permanece uma opção viável e a investigar.

Mas primeiro será necessário concluir o acordo, que deverá fechar em Dezembro, depois da inspecção do subsolo que entretanto irá decorrer.

Caso a firma empreiteira conclua que se reúnem as condições técnicas para levar avante o projecto que pretende construir, a CB tem cerca de um ano e meio para procurar uma nova sede, podendo permanecer no edifício durante esse período, isenta do pagamento de renda.

Uma vez fechado o negócio, será convocada nova Assembleia-Geral para esclarecer os sócios sobre o processo, escolher uma nova Direcção e estabelecer uma comissão de directores e sócios para procurar uma nova propriedade e proceder à mudança.

Bernardino Nascimento está confiante de que a CB vai ter um bom futuro porque a nova sede terá melhores condições e dará menos trabalho.

"Tendo melhores condições para os sócios, acho que vai dar mais interesse", permitindo-lhes dedicarem-se à Direcção já que serão instalações modernas, "com menos trabalho e despesa" e por isso "os sócios vão aderir mais", diz.

A lista de aspirações para o novo local inclui o desejo de que o salão e a cozinha sejam no mesmo piso uma vez que, como nos explica, ter de subir e descer escadas para servir as refeições noutro andar é algo que sobrecarrega os voluntários.

É ainda pretendido que a nova propriedade tenha estacionamento em quantidade razoável e que o imóvel tenha espaço para escritórios e sala de reuniões; uma área para exposição de artesanato, casas de banho mais espaçosas e, de uma maneira geral, instalações mais modernas.

Questionado sobre a eventualidade de dedicarem um espaço especificamente para a juventude do clube, confessa que é algo que ainda não foi considerado mas que a seu ver é uma ideia a apresentar oportunamente aos sócios uma vez que o objectivo "é continuar a puxar os jovens à colectividade".

"Só espero que todos os sócios continuem a acreditar neste projecto e todas as pessoas que não são sócias mas gostam muito da nossa casa e aparecem nos nossos eventos, que continuem a aderir porque a Casa das Beiras não está a fechar as portas – está apenas a tentar renovar-se com melhores condições", ressalva.

Agora que Toronto entrou na terceira fase de desconfinamento a CB pretende começar a organizar alguns eventos ao fim-de-semana e apesar das regras não permitirem dançar nem a participação de público em número suficiente para justificar a contratação duma banda, o presidente está convicto de que a sede reúne as condições necessárias para se realizarem ali bons repastos e convívios com a instalação de uma esplanada.

O primeiro encontro realiza-se já amanhã, sábado (15), com bacalhau à lagareiro e a promessa de que será mantido o devido distanciamento e com obediência às restantes directrizes e recomendações emanadas dos vários níveis de governo.

Segundo Bernardino Nascimento, a oferta destes encontros gastronómicos vai ser limitada aos sábados à noite, para não competir com a Casa do Alentejo que começou na última semana a servir jantares às sextas-feiras à noite e almoços ao sábado no restaurante O Sobreiro, situado nas suas instalações.

"Até podem almoçar na Casa do Alentejo e virem jantar à Casa das Beiras", sugere o presidente da CB com uma gargalhada, adiantando que será uma forma de "ajudarem as nossas colectividades, porque precisamos de ter alguma coisa em movimento porque as despesas aparecem diariamente".

Tendo em conta que os lugares são limitados, as reservas têm de ser feitas com antecedência, podendo para isso entrar em contacto pelos telefones 416 604-1125 ou 416 824-5675.

Fotos: António César


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