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Canadá/Covid-19:

Ontário regista primeira semana com menos de 100 casos diários

Numa altura em que o número de mortes no Brasil ultrapassa os 100.000 e a Nova Zelândia celebra 100 dias livre de infecções, o Canadá continua a conter a pandemia e tenta voltar à normalidade

O número de pessoas infectadas pelo vírus corona levou seis meses a atingir os 10 milhões mas foram precisas apenas seis semanas para duplicar, registando-se actualmente mais de 20 milhões de casos em todo o mundo, mais de metade dos quais vivem em três dos cinco países com maior população: Estados Unidos da América, Índia e Brasil.

Assim, e a nível mundial, a infecção continua a espalhar-se a um ritmo acelerado, registando-se no espaço da última semana 1,8 milhões de novos casos que elevaram o total para 20,2 milhões, dos quais 12,8 milhões (63,3 por cento) são dados como recuperados e 737.000 resultaram em óbitos.

A nível nacional, porém, a taxa de recuperação no Canadá (87,3 por cento) afigura-se bem mais positiva, com 106.000 das 121.000 pessoas infectadas a superarem a doença, tendo-se registado um acréscimo de 2.500 novos casos e mais 38 mortes na última semana que elevaram o número de óbitos para 9.027.

De segunda-feira (3) a domingo (9) a província do Ontário registou menos de 100 casos diários, algo inédito em vários meses e sinal de que a taxa de infecção continua a amenizar.

Entretanto, prosseguem as medidas destinadas a estimular a economia pelo que a meio da semana o governo federal avançou com uma iniciativa que visa facilitar o investimento de milhares de milhões de dólares por parte dos governos provinciais em projectos de infra-estrutura destinados a lidar com os desafios da Covid-19.

Segundo a ministra da Infra-estrutura, Catherine McKenna, vão ser disponibilizados desde já 10 por cento dos 33 mil milhões de dólares que Otava prometeu despender em projectos provinciais e territoriais, e que se equipara ao valor dos investimentos que serão feitos pelos respectivos governos.

De Otava vieram também pormenores de uma iniciativa orçada em 469 milhões de dólares, destinada a ajudar a indústria piscatória a recuperar dos efeitos do confinamento e da paragem da economia durante a pandemia.

Já a indústria da aviação civil, também ela a braços com graves problemas financeiros devido à paragem de grande parte da sua actividade, procura deslindar, em conjunto com o governo federal, que tipo de informações sobre os passageiros deve fornecer ao governo e como partilhar esses dados.

As conversações centram-se em torno dos voos domésticos e do tipo de informação que as linhas aéreas devem fornecer às autoridades para facilitar o rastreamento dos casos de Covid-19.

Foi ainda a meio da última semana que o Canadá anunciou ter firmado acordos com a gigante da indústria farmacêutica Pfizer e com a firma americana de biotecnologia Moderna para o fornecimento de milhões de doses das suas vacinas experimentais.

No seguimento das avaliações que estão a ser feitas a vários tipos de programas governamentais e à forma como estes têm cumprido com os seus objectivos face à crise actual, um relatório publicado no final da última semana sugere que o Programa Federal de Estabilização destinado a proteger as províncias de eventuais choques económicos é inadequado, sobretudo nesta era de pandemia, pois nunca foi submetido a qualquer actualização significativa desde que foi criado, em 1967.

Entretanto, uma sondagem efectuada pela firma KPMG revela que mais de metade dos canadianos têm receio de voltar ao trabalho e que 77 por cento mostram-se preocupados se os colegas estão infectados com o novo vírus corona.

Cerca de 60 por cento dos inquiridos disseram que se recusariam a voltar aos empregos se acharem que o local de trabalho não é suficientemente seguro e 57 por cento mostraram preocupação sobretudo em terem de partilhar áreas comuns.

O Centro de Acção dos Trabalhadores, um grupo de defesa dos direitos dos trabalhadores, intercedeu junto do governo federal para que reconsidere a forma como funciona o actual seguro de desemprego dado que o benefício de emergência CERB está prestes a terminar e estima-se que cerca de quatro milhões de pessoas venham a transitar para os quadros dos desempregados.

A nível provincial, o Primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, prometeu que seriam oportunamente apresentadas medidas destinadas a melhorar as condições de trabalho dos empregados do sector de apoio pessoal pois, segundo indicou, têm desempenhado um papel preponderante na luta contra a Covid-19, apesar de sobrecarregados e mal pagos.

No final da semana surgiu um anúncio conjunto dos governos federal e provincial a dar conta de uma nova verba para apoiar o ensino infantil no Ontário.

Segundo Doug Ford, 234,6 milhões de dólares provenientes dos dois níveis de governação vão ser dedicados aos espaços de educação infantil e primária na província, incluindo para reforço das medidas de desinfecção e limpeza.

Foram também revelados novos dados do Departamento de Estatísticas do Canadá que apontam para a criação de 419.000 empregos no mês passado, graças à retoma da actividade em mais sectores da economia.

Aquele departamento de estatística revelou ainda que a taxa de desemprego no Canadá se ficou pelos 10,9 por cento em Julho, o que representa uma melhoria significativa face aos 12,3 por cento registados no mês anterior – números que em ambos os casos ultrapassaram as expectativas do mercado.

Entretanto, o principal fornecedor de energia eléctrica no Ontário, Hydro One, anunciou que vai prolongar, por tempo indefinido, a proibição de cortar a electricidade aos clientes residenciais com contas em atraso e que tem estado em curso desde o início da pandemia.

Segundo aquela entidade semi-privada, a prorrogação dos cortes estava prevista terminar no fim do mês de Julho mas foi prolongada devido às temperaturas elevadas que se têm registado e à continuação das restrições impostas para travar a pandemia.

A Hydro One anunciou ainda que pretende implementar um programa destinado a ajudar os clientes com maior dificuldade em pagar as suas contas de electricidade.

No sábado (8) foi tornado público que as medidas propostas pelo governo federal para o reinício das aulas em Setembro incluem muitas que foram já adoptadas pelo governo do Ontário, embora, em alguns casos, vão mais longe.

Entre as sugestões inclui-se o regresso às aulas de forma faseada, o uso de visores e não apenas máscaras pelos professores, a instalação de divisórias acrílicas, além de melhores sistemas de ventilação, e a realização de aulas ao ar livre sempre que possível.

Recorde-se que o governo do Ontário anunciou que no novo ano lectivo os alunos do ensino secundário vão voltar às aulas presenciais durante meio-dia, sendo o resto do tempo preenchido online, por forma a que haja um número menor de alunos nas salas de aulas.

Entretanto o ensino primário irá retomar as aulas presenciais ao longo de todo o dia, mas o número de alunos por turma manter-se-á igual ao que se praticava antes da pandemia.

A este respeito o Departamento de Saúde da Câmara Municipal de Toronto pronunciou-se para indicar que as medidas aprovadas pela província para o regresso às aulas são adequadas na sua maioria, mas que as turmas do ensino primário, com o mesmo número de alunos como anteriormente, são demasiado grandes para garantir a segurança das crianças e dos professores.

Apesar disso, o governo provincial diz que o plano para a reabertura das escolas, que foi aprovado pelas Direcções Escolares, vai prosseguir, embora indique que a província será "flexível" face à evolução da pandemia.

No domingo (9), uma nova comunicação emitida pela responsável dos serviços de saúde canadiano incentivava o público a não perder a esperança, apesar da necessidade de continuar a retrair-se de participar em várias actividades nesta altura em que o Verão atinge o seu auge.

A analogia usada pela Dra. Theresa Tam para descrever as medidas de contenção da pandemia no Canadá são de que por vezes é preciso "martelar" para se poder depois "dançar"

"Não percam a esperança, continuem a dançar e a ser parte da solução", urgiu a directora dos serviços de saúde que considera que se controlou a pandemia com o "martelo" e agora é altura para "dançar" enquanto se procura manter a taxa de infecção baixa até que surja uma vacina ou tratamento eficaz.

No início da semana o governo Liberal de Justin Trudeau voltou à defesa, desta feita perante alegações da oposição de que o programa destinado a ajudar as empresas a pagar as suas rendas comerciais, CECRA, deveria ter ficado sob a alçada do departamento de Finanças e Impostos e não da Corporação de Hipotecas e Habitação do Canadá (CHMC, na sigla em inglês).

Maeva Proteau, porta-voz do ministro das Finanças, Bill Morneau, defendeu a decisão que disse ter sido considerada a melhor opção dado aquela organização especializada em hipotecas ter conhecimentos do mercado imobiliário canadiano.

Foi ainda esta semana que o governo provincial deu a conhecer que também a região de Windsor-Essex iria passar quarta-feira (12) à terceira fase de desconfinamento – a única na província que estava ainda na segunda fase devido aos repetidos surtos de Covid-19 que surgiram entre a população de trabalhadores rurais sazonais e que obrigaram as autoridades a adiar a transição.

Na terça-feira (11) o Ontário anunciou terem sido detectados apenas 33 novos casos de Covid-19 na província, o número mais baixo desde que foi decretado o estado de emergência que durou até 24 de Julho.

O Primeiro-ministro Doug Ford anunciou ainda que iria acelerar o projecto para a construção de um lar da terceira-idade nas instalações do Hospital Humber River, em Toronto, de que resultarão 320 novas vagas até ao final de 2021.

Entretanto, continuam a chegar ao Canadá passageiros vindos de outros países com Covid-19, revela o governo federal, que no período entre 1 e 4 de Agosto detectou a doença em passageiros de 18 voos diferentes e das mais diversas origens, da Suíça ao Qatar, incluindo um de Lisboa para Montreal.

Todos os passageiros que chegam ao Canadá em voos internacionais são obrigados a manter-se isolados durante 14 dias, independentemente de terem ou não a doença.

As autoridades não notificam os passageiros dos voos onde foram detectados casos do vírus corona e os peritos destacam que o risco de infecção a bordo de aeronaves é muito reduzido.

Segundo indicam, em todos os casos de infecções que são contraídas entre grupos de pessoas, raramente estas acontecem no contexto de uma viagem e estão quase sempre associadas a encontros de cariz social, incluindo funerais, ou a bares e outros locais de convívio.


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