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Amor da Pátria em vésperas de meio século

Colectividade luso-canadiana comemora 49.º aniversário na presença de presidente fundador e entidades políticas locais

Por Noémia Gomes
Sol Português

O Centro Comunitário Amor da Pátria de Toronto celebrou no passado sábado (8) o seu 49.º aniversário, reunindo no salão de festas da Casa dos Açores do Ontário grande número de sócios e simpatizantes da colectividade, incluindo o seu primeiro presidente e fundador, o nonagenário Manuel Martins.

Em declarações ao jornal Sol Português, o ex-dirigente manifestou o seu orgulho ao ver a colectividade que ajudou a criar prestes a atingir o meio século de existência, lembrando um pouco do seu percurso.

A meros dias de celebrar também ele um aniversário – 93 anos, a 23 de Fevereiro – Manuel Martins declarou ter tido "a honra" de ser o iniciador das actividades deste clube que visava representar a cultura da ilha do Pico, e não só, e expressou a sua satisfação em ver que, volvidos todos estes anos, continua a servir de ponto de encontro para muitos portugueses e seus descendentes.

"Dediquei-me a ele [clube] durante 25 anos, com duas presidências da Direcção, passando pela Assembleia-Geral e Concelho Fiscal", refere, salientando que, de alguma forma, esteve "sempre envolvido" no Amor da Pátria, para além de ser também "membro da Canadian Legion e da Associação 25 de Abril" de Toronto.

"Hoje em dia vejo o Amor da Pátria como qualquer outra associação que tem tido altos e baixos", admitiu, mas considera que permanece sólida e, como refere, "com 93 anos, tenho esperança de ver o Amor da Pátria a celebrar 50 anos" de actividade.

Analisa Fraga, que actualmente preside ao Executivo, reforça a solidez do clube e mostra-se convicta de que apesar das dificuldades pelas quais as colectividades portuguesas passam, devido ao envelhecimento geral dos sócios, há sinais de esperança para o Amor da Pátria.

"As coisas têm corrido bem ao longo deste último ano e temos uma Direcção motivada a continuar os eventos para os açorianos", destacou a presidente, que está envolvida na Direcção e no Grupo Folclórico há cerca de duas décadas.

"Confesso que é difícil atrair juventude e trazer pessoas" novas, admitiu, "mas tenho fé que à medida que os filhos vão crescendo, temos mais tempo para dedicar ao clube" sugerindo que "o que temos que fazer é juntarmos-nos e assim temos mais esperança de continuar a manter as tradições, ensinar os nossos jovens" e continuar activos "por muitos mais anos".

No engalanado salão, decorado nos tons de preto e branco característicos das cores da colectividade aniversariante, era palpável a animação, com muitos dos convivas desde logo a envolverem-se em amena cavaqueira ao reverem amigos e conhecidos.

No início das cerimónias que precederam o jantar, o vice-presidente da Assembleia-Geral, Rui Fraga, e a assistente de cozinha, Vanessa Carapinha, fizeram jus ao seu papel de apresentadores, alternando entre o português e o inglês ao dirigirem-se ao público para dar as boas-vindas.

Como salientaram, quando somos crianças os nossos aniversários são esperados sempre com ansiedade, mas com o passar dos anos começamos a desejar que venham mais devagar.

Porém, "o contrario acontece com os nossos clubes: queremos muitos e muitos mais anos para podermos celebrar, conviver e divulgar a cultura portuguesa das nossas terras de origem", ressalvaram os mestres-de-cerimónia na sua mensagem conjunta, adiantando terem "uma grande noite planeada", com "jantar de gala confeccionado pela Churrasqueira Martins, convidados especiais, entretenimento, sorteios" e, como prémio de entrada, "uma viagem a Portugal".

Escutaram-se de seguida os hinos nacionais do Canadá e de Portugal, cantados à capela pelo músico e cantor Steven, após o que foi chamada ao palco a presidente da Assembleia Geral, Aida Carapinha, também ela ligada ao Amor da Pátria desde muito jovem.

Professando "um grande amor pelos costumes e tradições da nossa Pátria", a dirigente saudou sócios e amigos, dirigindo-lhes um agradecimento "por nos acompanharem e ajudarem a celebrar 49 anos da nossa cultura" ao mesmo tempo que lembrava que "a nossa missão é continuar a divulgar as nossas tradições e passá-las para os nossos filhos e netos".

"Hoje homenageamos e agradecemos aos passados presidentes do Amor da Pátria, especialmente ao fundador Manuel Martins" e "relembramos todos os directores e sócios falecidos", prosseguiu, concluindo com o pedido de "uma grande salva de palmas" para todos os que ajudaram "a trazer o clube até ao dia de hoje".

Depois de uma breve oração de graças e enquanto decorria o jantar, a vereadora e vice-presidente da Câmara de Toronto, Ana Bailão, agradeceu publicamente aos voluntários do clube pela sua dedicação, descrevendo-os como "país, filhos e netos, sempre a tentar preservar a nossa cultura com organizações como esta".

"Há 49 anos as situações eram mais difíceis e por isso se organizavam estas associações, para ajudar os emigrantes a manter a cultura das suas terras de origem", referiu a vereadora que ao terminar a sua alocução ofereceu à colectividade um certificado da autarquia em nome do presidente da Câmara de Toronto, John Tory.

O mesmo faria a deputada federal eleita por Davenport, Julie Dzerowicz, que trouxe consigo um certificado comemorativo em nome do Primeiro-Ministro canadiano, Justin Trudeau.

No seu discurso, Julie Dzerowicz congratulou a Direcção por organizar esta celebração e por louvar os fundadores "que fizeram muitos sacrifícios para manter os clubes que hoje servem as segunda e terceira gerações", lembrando da necessidade de "nos próximos 49" continuarem unidos "para que estes eventos continuem para as futuras gerações".

Após o jantar procedeu-se à cerimónia do corte do bolo de aniversário, que foi efectuado pelas presidentes da Direcção, Assembleia-Geral e Concelho Fiscal – Analisa Fraga, Aida Carapinha e Rosa Machado, respectivamente – passando então o serão para a componente musical.

O baile e animação ficou a cargo do agrupamento Mexe-Mexe, com o vocalista Henrik Cipriano a dedicar de imediato uma canção ao Amor da Pátria: "É tão linda a minha aldeia", do falecido Roberto Leal.

Entre um vasto repertório de músicas populares portuguesas, entremeadas com as anedotas engraçadas de Henrik Cipriano e o cantar dos "Parabéns" ao clube, o serão continuou pela noite fora proporcionando um agradável ambiente familiar a todos quantos se uniram nesta celebração.


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