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Convívio dos Naturais e Amigos de Água de Pau

Noite animada rende 15.000 dólares para Comissão de Festas N.S. dos Anjos

Por João Vicente
Sol Português

Pelo segundo ano consecutivo, Patrícia Borges chamou a si a responsabilidade de reanimar o convívio de amigos e naturais de Água de Pau e para a mais recente edição, que decorreu no passado sábado (8), no salão de festas da LIUNA Local 183 em Toronto, quase conseguiu duplicar o número de participantes.

Felicíssima por ter acrescentado mais 300 convivas aos 350 que tinham comparecido no evento do ano passado, a organizadora – que desempenhou ainda as funções de recepcionista e mestre-de-cerimónias nessa noite – fez questão de destacar que está apenas a dar seguimento aos encontros que Nuno Cabral lançou em 2001 e que durante 12 anos continuou a realizar.

Fruto da iniciativa deste ano, foram angariados 15.000 dólares que serão direccionados para a Comissão de Festas de Nossa Senhora dos Anjos, santa padroeira desta vila pertencente ao concelho da Lagoa em São Miguel, Açores.

Como realçou Patrícia Borges, "quem é da vila de Água de Pau sabe a importância que tem a nossa procissão e a nossa rainha que é a nossa padroeira – a rainha mãe que é Nossa Senhora dos Anjos".

Por esse motivo foram convidados para este convívio o pároco de Água de Pau, João Furtado, bem como José Martins, que integra a Comissão de Festas de Nossa Senhora dos Anjos da paróquia e que viria a agradecer a quantia angariada nessa noite pois, como indicou, irá ajudar com as despesas de "iluminação, fogo de artifício e para pagar às bandas", entre outras.

Para o padre João Furtado, que em Junho celebra 37 anos como sacerdote – os últimos 15 em Água de Pau – a igreja "é como que uma casa-mãe de todas as casas" e a vila uma terra "muito bonita nas suas gentes".

Como descreve, são "pessoas muito felizes [e] alegres, que têm um grande sentido de pertença à comunidade" e que, imbuídas de "espírito de fraternidade e comunhão entre todos", tornam a freguesia num local "muito hospitaleiro" e "acolhedor".

Para este convívio, o entretenimento foi o que se pode descrever como "Made in Água de Pau" – ou pelo menos com uma costela pauense, que é o gentílico ou a forma como são designados os naturais da vila.

Para além do cantor David Loureiro, vindo de Bristol, no estado de Rhode Island, EUA, actuou também a cantora Sylvie Pimentel, de Montreal, um novo bailinho, originário de Brampton e intitulado Despensa da Vila de Rabo de Peixe, e ainda o conhecido conjunto luso-canadiano, Banda Karma.

Sylvie Pimentel viria a expressar o orgulho que sente nos pais por terem partilhado com ela as suas tradições e a terra que passou também a ser dela, já que, como destacou, procurou e obteve a nacionalidade portuguesa apesar de ter sido Montreal que a viu nascer.

A cantora de Montreal, que diz ter começado a cantar aos 15 anos, trouxe a esta festa muita "música para bater o pé" pois, como salienta, gosta que "o pessoal" cante com ela.

Tal como ela, também David Loureiro começou a cantar na adolescência, partilhando o seu talento com várias comunidades lusas ao longo dos anos, e para esta actuação trouxe na bagagem, além de marchas, música popular e romântica, também "duas ou três canções alusivas a Água de Pau", como realçou.

O cantor, que dirige também a revista "A Praça", conta já com sete álbuns editados e tal como a colega de Montreal indicou sentir-se em casa neste evento por estar no meio das suas gentes.

Esse sentimento sobressaiu particularmente quando Sylvie Pimentel subiu ao palco e perguntou quem entre o público era da sua família, levantando-se de imediato algumas dezenas de mãos.

A artista viria ali a dar conta da existência de uma parente que desconhecia, mas mesmo assim informou os presentes de quem são o pai e a mãe, reforçando a imagem de um meio pequeno, onde todos se conhecem e relacionam de forma amigável e familiar, mesmo não sendo família de sangue.

Esta familiaridade viria a transparecer também durante a actuação do artista de Bristol quando a filha de Patrícia Borges e uma amiga se tornaram dançarinas de apoio durante as primeiras músicas, numa demonstração de à-vontade que é quase exclusiva de meios como este, onde a família vai além dos parentes – neste caso transplantados para o Canadá.

Todos os convidados viriam a ter a oportunidade de dirigir algumas palavras ao público e a organizadora fez questão não só de referir os patrocinadores como de presentear os que se encontravam no salão com um certificado emoldurado, comemorativo da ocasião, recebendo por seu turno um terço das mãos do padre João Furtado e uma imagem da santa padroeira da vila que lhe foi entregue por José Martins.

Ao longo do serão foram sendo leiloados vários artigos que se encontravam expostos numa mesa, perto do palco – desde brandy a calçado, presuntos e até uma viagem a Portugal.

Entretanto, e para além dos artistas convidados que levaram de imediato o público à pista de dança, os espectadores acompanharam com gosto e alegria a actuação do grupo de dança de Brampton bem como da banda Karma, que igualmente divertiu e animou os convivas com o seu reportório.


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