1ª PÁGINA


LIUNA Local 183:

Fim-de-semana em grande na celebração do Dia da Família

Por António Perinú e Fátima Martins

Sol Português

"Feel the Power" é o slogan da LIUNA Local 183, uma frase que não só reflecte o impacto que esta sindical tem a nível laboral, como representante de mais de 53.000 trabalhadores do sector da construção civil, mas também nas regalias que conquista para os seus associados, inclusive a nível de oportunidades de lazer e diversão.

A comprová-lo está o chamado Dia da Família Local 183, evento anual que abrange um fim-de-semana repleto de actividades, entre espectáculos, diversões e comes-e-bebes, tudo gratuito para os sócios do sindicato e seus familiares, a maioria dos quais são de origem portuguesa.

A décima edição deste convívio teve lugar no passado fim-de-semana, no parque Downsview, na zona norte de Toronto, e foi mais uma vez repartido por dois dias, sábado (8) e domingo (9), proporcionando momentos de alegria e lazer num ambiente descontraído de feira popular e o desfrutar de múltiplos divertimentos, concertos e actividades para adultos e crianças.

Este ano, porém, um percalço quase deitou por terra – literalmente – o evento, quando no fim da tarde de sexta-feira, já com tudo pronto, fortes rajadas de vento acompanhadas de chuva destruíram completamente cinco das gigantescas tendas que haviam sido instaladas para servirem de sombra e refeitório para o público.

Não só isso, mas metade do próprio palco onde iriam actuar os artistas ficou destruído na intempérie, bem como a tenda onde estavam instaladas as mesas de som e grande parte da aparelhagem que a empresa luso-canadiana TNT-FX havia colocado no local.

Como confirmou à nossa reportagem o responsável pela empresa, Tony Silva, o material ficou completamente danificado, o que obrigou a equipa técnica a trabalhar durante toda a noite para solucionar o problema e permitir que tudo estivesse operacional no dia seguinte.

No sábado, com tempo excelente, sol e uma temperatura na ordem dos 23º, não fora alguns vestígios dos estragos ainda visíveis em alguns locais e ninguém se teria apercebido do que ali se havia passado escassas horas antes.

Os visitantes desfrutaram das muitas actividades e atracções ao seu dispor, incluindo um mini zoológico com animais domésticos e exóticos, onde galinhas, coelhos, zebras e póneis – que as crianças podiam montar – surgiam a par de um terrário no qual se podiam apreciar vários lagartos e outros répteis.

Mas digamos que a grande atracção – sobretudo para os mais pequenos – eram os carrosséis e todas as outras diversões em que podiam participar e dar umas voltinhas, inclusive de comboio, e que os deixava com grandes sorrisos estampados no rosto.

Tal como tem vindo a acontecer todos os anos, uma vasta oferta gastronómica permitia satisfazer todos os gostos e paladares, fosse para portugueses, italianos, sul-americanos ou outras etnias, mas especificamente para os portugueses a equipa da empresa luso-canadiana Europa Catering permitia-lhes deliciarem-se com os paladares das bifanas, peitos de galinha e outros petiscos típicos, enquanto os mais "canadianos" apreciavam pizzas, hambúrgueres e cachorros quentes.

Gelados, churros e outros doces completavam a oferta, disponibilizada em vários veículos que se encontravam espalhados pelo gigantesco recinto reservado a esta feira.

Entidades oficiais e políticas

Pouco passava das 14h00 de sábado quando o secretário da Local 183, Marcello Di Giovanni, convocou ao palco os elementos que compõem o Executivo do sindicato, designadamente o administrador Jack Oliveira, o secretário-tesoureiro Luís Câmara, o presidente Nelson Melo, o vice-presidente Bernardino Ferreira e os directores Jaime Cortez e Patrick Sheridan.

A eles se juntariam também o vice-presidente da LIUNA, Joseph Mancinelli, o administrador da filial irmã Local 506, Carmen Principato, e um convidado especial vindo de Portugal, Carlos Silva secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT).

Depois de um momento para se escutar o hino nacional do Canadá, Marcello Di Giovanni convocou as entidades políticas convidadas para esse dia a juntarem-se aos sindicalistas em palco.

Assim foi que a ministra da Cidadania e Imigração do Ontário, Laura Albanese; o ministro da Imigração, Refugiados e Cidadania federal, Ahmed Hussen; os deputados Cristina Martins, Peter Fonseca, Michael Levitt, Marco Mendoncino, Judy Sgro e Francesco Sorbara; bem como a vereadora da Câmara Municipal de Toronto, Francis Nunziata, se dirigiram à multidão.

Antes porém, e como é habitual, caberia a Jack Oliveira abrir as alocuções com uma saudação aos sócios e familiares, assim como aos convidados, durante a qual referiu o importante papel dos membros já reformados, sobre os quais assenta todo o trabalho e a obra edificada pelo sindicato.

O administrador da "183" assim como do Conselho Distrital da LIUNA no Ontário (OPDC) não descurou o futuro, porém, salientando o papel que os mais de 53.000 sócios actuais tem na formulação da visão para o sindicato, contribuindo para o seu crescimento e para o fortalecimento dos benefícios de que podem desfrutar.

Escutou-se também uma intervenção de Joseph Mancinelli, que enalteceu a liderança e o trabalho desenvolvido pelo luso-canadiano e o seu executivo, bem como o empenho dos sócios que engrossam o universo da LIUNA – que conta já com 120 mil membros no Canadá.

Carmen Principato agradeceu o convite para estar presente nesse dia, salientando ser amigo de Jack Oliveira e que "estar na Local 183 é como estar na Local 506" uma vez que são todos uma grande família sob a bandeira da LIUNA, enquanto Carlos Silva viria a destacar o extraordinário impacto e a contribuição dos portugueses para estas organizações laborais.

Quando chegou a vez dos políticos usarem da palavra, todos saudaram e reconheceram o importante papel do sindicato na representação dos trabalhadores da construção civil, destacando o quanto têm contribuído para o crescimento e sucesso da cidade de Toronto, da província do Ontário e do Canadá.

No domingo estariam também presentes os presidentes da Câmara John Tory (Toronto), Bonnie Crombie (Mississauga) e Linda Jeffrey (Brampton), bem como os vereadores Ana Bailão, César Palacio, Martin Medeiros e Maria Augimeri.

Sucesso de Toy num espectáculo distintamente multicultural

No final dos discursos a música assumiu o papel preponderante e tal como em edições anteriores os responsáveis por este evento apostaram mais uma vez e sobretudo na contratação de artistas locais.

Este ano porém, um talento vindo de Portugal faria vibrar o público com uma mescla de sonoridades e temas num espectáculo decididamente multicultural que galvanizou o parque.

Depois das actuações de um naipe de artistas de algo gabarito representativos das comunidades italiana, hispânica e portuguesa – nas pessoas de Joey Coelho Corsino, Carlo Copola (substituído no domingo por Fantasia), e dos elementos dos Searas de Portugal, duo Som Luso e de uma banda de mariachi – Toy e a sua banda, vindos de Portugal, finalizaram os concertos.

O categorizado artista, que se fez acompanhar de quatro músicos e duas cantoras que proporcionaram segundas vozes femininas, cantou em várias línguas, passando com à vontade do português para o italiano, espanhol, francês, alemão e inglês, numa "volta ao mundo em canções".

Foi também intercalando uma série de versos de improviso dedicados à "183", a Jack Oliveira, Bernardino Ferreira, Luís Câmara e a Nelson Melo – poemas de ocasião com que brindou a organização e as pessoas que a constituem de forma original e do agrado do público.

Digno de referência também foi a presença de representantes das chamadas Primeiras Nações, que trouxeram as suas danças e cantares indígenas a estes Dias da Família, dando assim o seu contributo às festividades numa altura em que se comemoram 150 anos desta nação que é de todos, desde os povos nativos aos mais recentes imigrantes.

Durante os dois dias não faltaram sorteios, sendo dois dos prémios compostos por carrinhas de caixa aberta topo de gama – uma da Ford, sorteada no sábado, e uma Dodge Ram, no domingo.

Troca de impressões com o secretário-geral da UGT

Aproveitando a presença no local de Carlos Silva, secretário-geral da UGT, que esteve no Canadá a convite de Jack Oliveira, quisemos saber como este sindicalista português viu o movimento laboral canadiano e que lições tirou nesta sua estadia entre nós.

Carlos Silva, que chegou a Toronto dois dias antes, na quinta-feira (6), considerou que a lição que pôde tirar foi que existe aqui "um poder extraordinário" por parte dos sindicatos – "um poder sindical com outras regras de jogo, diferentes das europeias e de Portugal em particular" – ressalvando "acima de tudo uma grande afirmação de força por parte da LIUNA Local 183", por quem foi convidado.

Com respeito ao contacto com Jack Oliveira, revela-nos que "o conhecimento veio do congresso da UGT", em que o sindicalista luso-canadiano também participou, e que veio ao Canadá "pela mensagem que eu e o senhor Presidente da República recebemos" dizendo-se, no entanto, "longe de pensar que isto se transfiguraria de uma organização de tão grande envergadura".

O evento a que assistiu, uma comemoração do "Dia da Família" organizado por este sindicato, foi algo que o surpreendeu pela escala considerando que "uma coisa igual a esta só o 1.º de Maio em Portugal" – Dia do Trabalhador e que é comemorado conjuntamente por todos os sindicatos do país.

Com respeito às regalias de que auferem os trabalhadores representados pela "183", o secretário-geral da UGT manifestou-se "muito satisfeito, não só pela adesão das pessoas como pelos benefícios que esta organização consegue dar e prestar aos seus associados, quer aos activos quer aos que estão na situação de reforma".

"Eu acho que realmente o movimento sindical, como eu vi no Canadá e nos Estados Unidos, é diferente do nosso", salientou Carlos Silva declarando: "tomáramos nós em Portugal que dos 20 por cento que temos de taxa de sindicalização pudéssemos atingir a taxa de representatividade que, por exemplo, a 183 tem aqui, que na sua área é quase de 100 por cento, o que é extraordinário", concluiu.


Voltar a Sol Português