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Sindicato LIUNA angaria mais de 400 mil dólares para vítimas de Pedrógão Grande

Por João Vicente

Sol Português

A sindical Labourers's International Union of North America (LIUNA) apresentou na passada sexta-feira (7) um cheque no valor de 412.500 dólares destinado a auxiliar as pessoas afectadas pelos incêndios que recentemente devastaram a região centro de Portugal, particularmente Pedrógão Grande e aldeias circunvi-zinhas.

O cheque simbólico foi entregue à representante da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Toronto, Marisol Ribeiro, no decorrer de uma breve cerimónia no Consulado-Geral de Portugal nesta cidade, e representou o valor que acabava de ser depositado em nome do sindicato e suas filiais numa conta especial, com o nome de "Unidos por Pedrógão" e que foi aberta pelo banco a favor das vítimas.

"Orgulhamo-nos de ter activado uma rede que numa semana atingiu mais de 2.300.000 mil euros e orgulhamo-nos também da força e da credibilidade da Caixa, que teve mais de 33.000 doadores", frisou Marisol Ribeiro durante a cerimónia.

A conta passa agora a incluir também o montante angariado no Canadá pela LIUNA, cujo valor total será entregue à Fundação Calouste Gulbenkian para implementação do "plano de acção para a região, que contempla as entidades no terreno, entre as quais a União das Misericórdias, as Misericórdias e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) locais" por serem as que estão "habilitadas à identificação e concretização das iniciativas capazes de responderem às necessidades das populações", referiu a representante da CGD em Toronto.

Desde que os incêndios deflagram, em meados de Junho, que o sindicato e sindicais afiliadas encetaram esforços destinados a recolher donativos para ajudar no processo de reconstrução.

Jack Oliveira, que é o administrador da filial Local 183 bem como do Conselho Distrital da LIUNA no Ontário (OPDC, na sigla em inglês), recorda com lágrimas nos olhos o que sentiu ao ver as imagens de destruição e dor que lhe entraram em casa pela televisão.

"Quando me aproximei do senhor Joseph Mancinelli [vice-presidente da LIUNA] no dia seguinte, ele disse-me `vai fazer o que tens a fazer'", referiu comovido.

Não era o único, e à medida em que se foram escutando algumas das intervenções dos convidados, as lágrimas afloraram aos olhos de todos quantos ali se encontravam.

Joseph Mancinelli referiu a sua ligação aos portugueses e a Portugal, e fez um relato da sua recente passagem naquela região, no ano passado, na mesma estrada onde pereceram tantas das vítimas.

Entretanto, escutou-se um testemunho de alguém que esteve no terreno e com conhecimento em primeira mão da tragédia.

Carlos Silva, secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), esteve em Toronto com o director do Centro de Formação daquele sindicato português, Jorge Mesquita, a convite da LIUNA.

Aproveitando a ocasião, o sindicalista – que não só reside naquela região como é proprietário de um terreno e presidente da Assembleia Municipal de Figueiró dos Vinhos – fez uma breve mas vívida resenha da realidade naquela região e mesmo quem até ali tinha conseguido manter a compostura acabou por se render às lágrimas.

"Vivo numa aldeia chamada Campelo que ardeu toda, à excepção das casas", afirmou o secretário-geral da UGT, que destacou a perda de vidas e a forma como as comunidades em redor foram atingidas no seu dia-a-dia, comovendo quem o escutava.

"Oitenta e cinco por cento do meu concelho ficou destruído", continuou, sublinhando que "nos concelhos do norte do distrito de Leiria, a maior mancha de pinhal de toda a Europa ardeu", esfumaram-se "mais de 300 postos de trabalho", "500 casas" e "as pessoas perderam tudo: as vacas, as ovelhas, as galinhas, o seu meio de subsistência".

Em apoio às campanhas de angariação de fundos outros testemunhos se viriam a escutar, nomeadamente do cônsul-geral, Luís Barros, e do ministro das Finanças do Ontário, Charles Sousa, mas nenhum tão forte e comovente como o do secretário-geral da UGT que pintou um retrato vívido do que presenciou e das repercussões dos incêndios.

As suas palavras foram enaltecedoras de iniciativas como esta a que veio assistir no Canadá, um pouco por acaso, mas que classificou como um "gesto de extremo humanismo e solidariedade".

Segundo destacaram os responsáveis da LIUNA, embora a iniciativa que permitiu juntar estes 412.500 dólares tenha partido da Local 183, com o aval e apoio da OPDC, foi um esforço colectivo para o qual contribuíram sindicatos e filiais de toda a região ocidental da província.

Através da Fundação Calouste Gulbenkian, o dinheiro será empregue na reconstrução e para apoio dos que mais dele necessitam, para que possam reconstituir as suas vidas e voltar à normalidade.


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