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25.º Santoínho em Toronto:

Associação Cultural do Minho
promove arraial fiel às origens

Por Rómulo Ávila

Sol Português

Cerca de 1000 pessoas deslocaram-se domingo (9) ao Tibetan Cultural Centre, em Etobicoke, para desfrutarem de um autêntico arraial minhoto promovido pela Associação Cultural do Minho de Toronto (ACMT).

Nesta que foi a 25.ª edição do arraial de Santoínho organizado pela colectividade minhota, não faltou uma encenação no meio do salão da tradicional desfolhada e da malhada do milho, fazendo com que, pelo menos por momentos, a mente viajasse até ao Minho.

Entretanto, sobre as mesas postas para a refeição destacavam-se o amarelo da broa de milho e a sardinha prateada, alimentos que proporcionaram uma viagem pelos sabores e aromas típicos de Portugal.

Para além destes, as bifanas, a doçaria regional, o caldo verde e o famoso champarrião também estiveram presentes numa festa que contou com muita animação musical, também ela a lembrar os sons e acordes do norte do país.

Foi assim que, depois duma interrupção obrigatória em virtude da pandemia de covid-19, o arraial de Santoínho voltou em força à ACMT, reproduzindo no Canadá a popular celebração originária de Viana do Castelo.

Paulo Pereira, presidente da Direcção da ACMT, disse ao jornal Sol Português que se sentia "feliz pelo sucesso da iniciativa, pois", como destacou, "ao fim de dois anos fechados, conseguimos encher uma sala e fizemos uma grande festa; um grande arraial como no Minho se faz".

Ao lado de uma placa que presta homenagem a António Cunha, o criador do Santoínho, Paulo Pereira agradeceu a todos pela comparência e pelo apoio, enfatizando: "vendo o que estou a ver, sinto que o nosso Santoínho nunca vai terminar".

A animação estava garantida e a abertura coube aos Bombos Alegres do Minho.

Pelo palco passaram Thiago Almeida; a banda Arco Íris, de Portugal; e Pedro da Concertina, vindo da Suíça, registando-se ainda a actuação do rancho da ACMT.

Tânia Barbosa, relações públicas da colectividade, afirmou em exclusivo ao nosso jornal que "a Associação está bem viva e continua no coração das pessoas", como o demonstrava a presença de um milhar de convivas.

"Queremos que a cultura e as tradições portuguesas nunca sejam esquecidas", referiu, fazendo ainda um apelo para que "todos se juntem às suas comunidades, aos seus clubes e às suas associações, pois", como fez questão de realçar, "só com o apoio de todos se consegue".

No decorrer do serão tivemos oportunidade de falar ainda com uma entusiástica participante, Maria, que se encontrava vestida a rigor e nos confessou ser grande apreciadora desta festa popular.

Ela que já viveu esta celebração em Viana e está agora no Canadá, fez questão de nos dizer que este arraial em Toronto é "uma cópia quase perfeita do nosso Santoínho original".

"A ACMT pensa nos pormenores todos, tudo é feito a rigor e estando aqui parece que estou em Portugal", afirmou, com o coração de Viana ao peito.

No que toca aos discursos, destaque para Rosa Portela, representante da Fundação Santoínho de Portugal, que frisou a união entre o Canadá e Portugal, seguindo-se o deputado da Assembleia da República António Maló de Abreu, que prometeu levar as aspirações da comunidade portuguesa ao plenário nacional.

No evento discursaram ainda Paulo Torres, presidente da Junta de Freguesia de Castelo de Neiva, de Viana do Castelo, que lembrou a importância de celebrar Portugal e as raízes da emigração junto da comunidade luso-canadiana.

Por seu turno, Laurentino Esteves, em representação da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO) teceu vários elogios à jovem mas competente Direcção da ACMT, enaltecendo a "forma como evocam e divulgam a portugalidade junto da comunidade que tem o seu país sempre no coração".

Face a este sucesso, para o ano haverá mais Santoínho, promessa que foi deixada pelos responsáveis da ACMT e aplaudida pelo público.


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