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Concerto de Natal marca 43.º aniversário da Banda do Sagrado Coração de Jesus

Por João Vicente
Sol Português

Como seria de esperar, a música teve um papel preponderante durante as cerimónias comemorativas do 43.° aniversário da Banda do Sagrado Coração de Jesus (BSCJ), da Igreja de Santa Helena, festividades que tiveram lugar no passado sábado (9) no Europa Convention Centre, em Mississauga.

Entre temas clássicos, natalícios e modernos, houve um pouco de tudo e para todos os gostos, e mesmo alguns dos veteranos que estão na banda desde o seu início, na década de '70, vibraram com a interpretação de algumas das novas adições ao repertório.

Primeiramente, e enquanto as pessoas se iam sentando nos seus lugares, escutou-se um quarteto constituído pelo maestro-adjunto, Sandro Melo, no contrabaixo, Luís Pacheco na tuba, Leo Silva na trompete, e Ricardo Rocha no trombone, numa interpretação de músicas de Natal.

Pouco depois a presidente da administração da BSCJ, Pitty Domingos, acolhia quantos ali se deslocaram com algumas palavras de agradecimento pela sua presença, destacando a presença de representantes da Banda do Senhor Santo Cristo, bem como da Irmandade do Imigrante, da Irmandade da Paróquia de Santa Helena e da Associação 25 de Abril neste encontro.

A dirigente referiu ainda a presença do ministro das Finanças do Ontário, Charles Sousa, que se encontrava acompanhado da esposa e da cunhada, antes de pedir ao vice-presidente da BSCJ, Artur Alves, para dar graças pela refeição prestes a ser servida e que uniu todos em animado convívio.

Em declarações ao jornal Sol Português, Pitty Domingos realçou que a banda está de boa saúde e progride, embora, como todas as organizações comunitárias, não deixe de ter também alguns desafios à sua frente.

Assim, e apesar de contar com bastantes elementos e músicos, a presidente nota que um dos desafios com que se tem debatido tem a ver com a falta de voluntários, algo que atribui a uma falta de tempos livres.

A banda tem, no entanto, uma vantagem sobre muitas das outras instituições comunitárias pois tem bastantes elementos jovens, realça, apontando que só este ano se retiraram cinco membros, mas o facto de terem vários jovens a frequentar a escola de música permite-lhes continuarem a preencher as posições que vão ficando livres.

São exemplos disso Luís Criador e Brandon Domingos, dois dos muitos jovens que integram esta banda luso-canadiana.

Luís Criador toca trombone com a BSCJ desde que, juntamente com alguns colegas de escola com quem já estudava música, decidiu que queria aprofundar a aprendizagem e levá-la mais além.

Desde aí nunca mais olhou para trás e está contente com a decisão que tomou salientando que, embora não tivesse músicos na família, desde que se juntou à BSCJ já vários primos se dedicaram também à música.

Além de gostar de tocar, aprecia também o convívio e a camaradagem entre os colegas e a única coisa que lhe custa mais "é acordar cedo para ir aos ensaios ao domingo de manhã", opinião partilhada por Brandon Domingos que com ele milita na banda mas que, ao contrário do Luís, cresceu rodeado de música.

É que o Brandon é filho de Pitty e do maestro da BSCJ, Miguel Domingos, e, como nos diz, "o meu pai tocava clarinete quando era miúdo e eu também sempre quis tocar".

"Primeiro andei na banda só a marchar [...] depois é que comecei a tocar e até estive na escola de música", diz com orgulho.

Compara-se com o pai, mas não tem ilusões pois considera que o pai é melhor e também que será difícil, senão impossível, seguir uma carreira de música clássica no Canadá.

O reverso da moeda são os veteranos da banda, que acompanham com gosto a evolução desta filarmónica e vibram por verem sangue novo dar continuidade a um projecto com mais de quatro décadas de existência.

Também eles começaram cedo na música, como foi o caso de João Ferreira que começou com a banda em 1974, quando tinha apenas 13 anos.

Na sua opinião, o repertório antigo era muito pesado e agora está mais bonito: "É muito diferente hoje, é melhor", diz, acrescentando que "dá mais gosto".

Alberto Moniz, que tinha apenas 10 anos quando entrou para a banda de música da sua terra, tem hoje 81 anos e tanto o filho e a filha já passaram pela BSCJ, onde ele próprio continua a tocar trompete.

São de exemplos como estes, dados por jovens e veteranos, que se foram construindo os 43 anos de história que conjuntamente se celebraram nesse dia.

Entretanto, e dando continuação aos trâmites da comemoração, o presidente da Assembleia-Geral, Hélder Correia, passou a chamar, um por um, todos os elementos da BSCJ que com o seu contributo têm garantido a existência e o progresso desta filarmónica luso-canadiana.

Foi ainda apresentado um vídeo, produzido por Danny Avelar e Xpression Video, que, em jeito de homenagem, sobrepôs fotos de actuações e momentos de convívio da BSCJ em 2017 à música dos Tragically Hip, cujo cantor, Gord Downie, faleceu em Outubro.

Uma homenagem surpresa levou Hélder Correia a chamar ao palco Charles Sousa, Sandro Melo, o maestro Miguel Domingos e Pitty Domingos, onde lhes revelou terem sido distinguidos com prémios em reconhecimento pelo empenho, dedicação e/ou apoio prestado à banda.

Ao receber o seu louvor, o ministro Charles Sousa destacou o contributo da BSCJ para elevar a presença e a participação da comunidade lusa no país, nomeadamente através da sua participação em eventos e paradas como a do Dia do Canadá.

"Os meus filhos têm orgulho de serem luso-canadianos por causa dos exemplos dos outros", disse o ministro das Finanças do Ontário, acrescentando que se encontrava naquela sala para celebrar "o calor da portugalidade", sentindo-se como "em casa".

Pouco depois também a deputada provincial Cristina Martins viria a dirigir-se ao público para enaltecer a actividades dos voluntários que fazem da BSCJ "o que ela é", ao mesmo tempo que chamava a atenção para vários elementos da banda que este ano receberam prémios do governo provincial pelo seu serviço voluntário, enfatizando que teria toda a satisfação em ver esse número aumentar.

Ao terminar a sua alocução, a deputada convidou o ministro das Finanças para conjuntamente procederem à entrega de um certificado do governo à BSCJ, em reconhecimento da sua contribuição para o enriquecimento cultural do Ontário.

O ponto alto das comemorações registou-se depois do jantar, quando a banda actuou em pleno numa demonstração de extraordinária versatilidade que lhe permitiu passar elegância das marchas militares ao pop e rock moderno, terminando com as sonoridades natalícias.

Pelo meio, o maestro Miguel Domingos viria a trocar a batuta pelo microfone e com Sandro Melo a dirigir a banda, interpretou, com a sua voz de tenor, o clássico "You raise me up", após o que o jovem saxofonista Justin Alves se juntou a ele para em conjunto interpretarem "Hallelujah".

Por fim, a banda passou a interpretar música tradicional de Natal pelo que foi com os sons típicos da quadra que com bastante reboliço e humor se recebeu a chegada do Pai Natal ao salão.

Dado por terminado o concerto, passou-se ao exterior da sala onde a rotunda figura do homem das barbas brancas se sentou num trenó que até ali tinha servido de cenário para o público tirar fotografias e foi dali mesmo que se encarregou de distribuir as suas prendas pela pequenada reunida em seu redor.

A comemoração viria a terminar mais tarde, com música para dançar numa selecção do DJ New Edition Entertainment.


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