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Iniciativa do ministro Charles Sousa resulta em mais de 500 perus para Banco Alimentar de Mississauga

João Vicente
Sol Português

Na terça-feira (12) de manhã, o ministro das Finanças do Ontário, Charles Sousa, esteve no Banco Alimentar de Mississauga (BAM) para formalizar a entrega de mais de meio milhar de perus que irão ajudar a dar um Natal mais caloroso e reconfortante a outras tantas famílias que recorrem a esta instituição para colmatar as suas necessidades.

A tarefa da entrega dos perus, propriamente dita, coube a José Mendes, da Mendes Fine Foods, o que também já é tradição desde que há nove anos a campanha "'Twas the Bite Before Christmas" (Era a Dentada na Véspera de Natal – uma brincadeira em rima com o título do clássico poema 'Twas the Night Before Christmas) tem vindo a juntar voluntários e a angariar verbas que são depois aplicadas na compra de aves a quintas locais para serem oferecidos ao BAM.

"Até à data já angariámos mais de 170 mil dólares, não só nós, mas a comunidade inteira", afirmou o deputado luso-canadiano eleito pelo círculo eleitoral de Mississauga-Sul, ao entregar oficialmente os 520 perus provenientes da campanha deste ano e ao destacar que além das aves, é ainda frequentemente feito um donativo em dinheiro.

No agradecimento aos voluntários, à organização "'Twas the bite before Christmas" e à equipa do BAM, "que todos os dias trabalham arduamente", Charles Sousa salientou que "enquanto nós celebramos este resultado num dia desta quadra natalícia, eles são os campeões que se esforçam diariamente", referindo ainda ser gratificante ver muitas das pessoas que beneficiam do banco alimentar ali a trabalhar como voluntárias.

Em declarações ao jornal Sol Português, o ministro elogiou o bom trabalho que está a ser feito pelo banco alimentar, salientando que a sua actividade permite às pessoas necessitadas receberem o auxílio de que precisam e merecem, "com dignidade", possibilitando-lhes melhor a sua qualidade de vida.

Por seu turno, o director executivo do BAM, Chris Hatch, referiu-se à importância deste alimento durante a quadra festiva, assim como ao facto de alguns dos perus serem de certificação halal, dado existir uma grande comunidade islâmica em Mississauga.

O facto desta iniciativa ajudar a sensibilizar a comunidade local é visto como uma mais-valia, especialmente considerando que a procura nos bancos alimentares aumentou 13% desde o ano passado.

"A necessidade, infelizmente, nunca foi maior, por isso receber esta fonte de proteínas, que é [...] tão dispendiosa, é realmente um donativo maravilhoso", disse Chris Hatch, que apontou o elevado custo da habitação como o factor-chave que tem exacerbado as dificuldades financeiras dos utentes do BAM.

Para Ellen Timms, gerente da Associação de Comerciantes de Port Credit (ACPC), há nove anos envolvida nesta iniciativa, so esforço necessário para a levar a cabo continua a ser o mesmo, mas em termos de organização, a experiência tem-os ajudado a limar as arestas e permite-lhes atingir o objectivo com mais eficiência.

Entre outras actividades, a ACPC incentiva os membros a colocarem caixas nos seus estabelecimentos "para recolha de bens alimentícios" e oferece sinalética para que possam informar os seus clientes, explica Ellen Timms, salientando ainda que realizam "pequenos eventos que fazem parte desta iniciativa".

Um deste decorreu na véspera, quando organizaram uma sessão de "cantigas de Natal no parque e os rotários recolheram 180 quilos de comida e 300 dólares em donativos no espaço de uma hora", referiu, acrescentando ainda que "entre esta enorme angariação de fundos do Charles [Sousa] e os eventos mais pequenos, que recolhem comida e dinheiro, é uma contribuição substancial para apoiar os nossos vizinhos" mais necessitados.

Este ano a campanha dos perus rendeu mais de 18 mil dólares e, cumulativamente, já resultou na aquisição e doação de mais de 5100 destas aves cujo consumo é tradicional na ceia de Natal.

Trata-se do maior donativo que o BAM recebe na época do Natal, segundo Emily Wiles, coordenadora online da estratégia de marketing e donativos deste banco alimentar, que refere o exemplo também da presidente da Câmara de Mississauga, Bonnie Crombie, no período de "Thanksgiving" (Acção de Graças) e que resulta sobretudo na angariação de grandes quantidades de lentilhas, arroz e outros alimentos junto das comunidades muçulmanas e outros grupos religiosos.

Peixe e verduras frescas são os tipos de alimentos mais difíceis de obter e de fornecer aos utentes dos bancos alimentares, por isso o BAM tem vindo a tentar inovar e no ano passado instalou um sistema de aquacultura que lhe tem permitido fornecer 45 alfaces por semana, assim como cerca de 40 peixes – neste caso, tilápia.

Colin Cotton é o "agricultor/piscicultor" encarregado desta fazenda urbana, situada a um canto do enorme armazém do BAM.

"Ser agricultor dentro de casa é uma maravilha, especialmente nesta altura do ano", diz Cotton, para quem "a outra vantagem é que nos permite produzir 365 dias por ano [...] e fornecer comida aos nossos clientes durante todo o ano, não só verduras mas também peixe, que é uma fonte de proteínas".

Para o ano, no décimo aniversário desta iniciativa, o BAM pretende realizar um evento especial, pelo que apela a quem esteja interessado em ajudar para que entre em contacto com a organização.


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