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AMMO: Associação das Mulheres Migrantes do Ontário

Nova organização de apoio às mulheres apresenta-se à comunidade

Por Jonathan Costa
Sol Português

A Associação das Mulheres Migrantes do Ontário (AMMO) apresentou-se formalmente à comunidade portuguesa e à comunicação social na passada sexta-feira (8), no decorrer de uma conferência de imprensa na Casa do Alentejo de Toronto (CAT).

Com 10 representantes – oito em Toronto e duas em Montreal – de diferentes áreas de trabalho e do mundo das artes, a AMMO funcionará como uma delegação da Associação Mulher Migrante - Associação Portuguesa de Estudo, Cooperação e Solidariedade, uma organização que presta apoio às mulheres portuguesas da diáspora.

No decorrer da sessão destinada a dar a conhecer a formação desta delegação do Ontário, Ilda Januário, Carmen Carvalho e Humberta Araújo dirigiram o encontro, ao longo do qual abordaram o processo de fundação, apresentaram alguns dos projectos planeados para este primeiro ano de existência, assim como afirmaram a dedicação desta associação ao estudo e divulgação do trabalho das mulheres migrantes residentes no Canadá.

"A mulher portuguesa ainda tem um longo caminho a percorrer", afirmou a secretária-geral da AMMO, Humberta Araújo, reconhecendo que embora hajam já "muitas mulheres em áreas que são extremamente importantes, como a política, economia, ou em empresas", há ainda "uma população feminina que está esquecida, num número elevado, e que necessita de apoio; é para isso que estamos aqui", afirmou.

A conferência de imprensa, que abriu com um momento de silêncio em memória das vítimas de violência doméstica em Portugal e no Canadá, incluiu também uma referência especial à sócia número um da CAT, Rosa de Sousa, que, como salientou Humberta Araújo, foi recentemente alvo de uma homenagem com a atribuição do seu nome ao museu da CAT.

"Um exemplo do sucesso das nossas mulheres luso-canadianas, que merece ser celebrado", afirmou a oradora, agradecendo ainda a Rosa de Sousa "por fazer parte da nossa inauguração"

Humberta Araújo destacou também "as mulheres que operam em fábricas, as jovens indocumentadas, as vítimas de violência, as mulheres com salários inferiores aos dos homens e que trabalham a dobrar" como "um dos focos principais do apoio prestado por esta instituição".

A oradora convidou os homens da comunidade a participarem nas reuniões, nas exposições artísticas e outros projectos, mas defendeu que, "por agora, todos os nossos membros serão do género feminino, para que se possa criar um clima de confiança e amizade entre nós".

No entanto, "mais tarde, após já termos estabelecido uma base mais forte, poderemos rever essa decisão", salientou.

No decorrer desta sessão informativa, Ilda Januário e Carmen Carvalho abordaram alguns dos detalhes da criação do primeiro projecto artístico que será produzido pela associação.

"Vamos lançar um livro sobre o testemunho de uma emigrante madeirense que sofreu de violência doméstica durante largos anos da sua vida, com foco especial nos abusos e agressões conjugais", revelou Ilda Januário, adiantando que "eu e a Carmen temos ainda muito trabalho pela frente", por isso "não podemos revelar o seu nome, ou o nome da obra".

Dado o projecto estar ainda numa fase inicial, há ainda muito a fazer para que o livro esteja pronto, mas esperam "publicar esta obra antes do final deste ano", afirmou.

Segundo explicaram as responsáveis pelo projecto, com a publicação desta obra literária a AMMO espera inspirar confiança e coragem em mais vítimas de violência doméstica, para que partilhem as suas experiências, memórias e emoções.

A propósito da ideia para a criação deste núcleo do Ontário, foi revelado que surgiu após um encontro com a presidente da Associação Mulher Migrante - Associação Portuguesa de Estudo, Cooperação e Solidariedade, Maria Arcelina Santiago, que elogiou a iniciativa destas representantes.

"Sinto um grande entusiasmo na revelação do ponto de vista das mulheres emigrantes residentes no Canadá. É deste tipo de energia que necessitamos, novas histórias, que inspirem as nossas mulheres a participar nas nossas iniciativas", afirmou Maria Santiago.

A reunião deu-se por concluída após uma declamação de poesia, com Aida Jordão a ler o poema "Manhã Cinzenta", de Natália Correia, poetisa açoriana, que nos seus versos destaca a dada altura: "Cruzei o mar em direcções diferentes. Por quantas terras fui, por quantas gentes, nesta longa viagem que não finda. Só uma estrada resta: mais nenhuma", e que receberam fortes aplausos do público.

Segundo as responsáveis, a AMMO vai agora preparar-se para participar nas Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Toronto com uma exposição artística intitulada "Fio de Ternura", que será revelada ao público na Peach Gallery, no dia 10 de Junho.


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