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"Alma Nua":

Novo álbum de Clara Santos a lançar na 5.ª Gala do Fado em Hamilton

Por João Vicente
Sol Português

Quando há alguns anos Clara Santos surgiu pela primeira vez na cena fadista foi mais uma revelação, um novo astro cintilante entre os muitos valores artísticos que adornam a comunidade luso-canadiana e que, através das suas vozes, carinhosamente mantêm viva a tradição e a alma do fado.

Com uma personalidade radiante no seu dia-a-dia, que oscila entre risos e gargalhadas, quando entra em palco canaliza essa energia positiva e transforma-a em actuações emotivas que têm um impacto profundo no público.

Como nos confessa, procura no fado o contraste, inclinando-se nas suas actuações mais para o lado melancólico e para as "emoções fortes que rasgam o coração".

"Até a minha mãe me diz: `não pareces tu naquele palco', porque ela sabe como eu sou", explica a fadista, que diz sentir essa transformação assim que pisa o palco para cantar.

Há cinco anos sentiu que existia uma lacuna em termos deste género de espectáculos em Hamilton, cidade onde reside, e propôs-se preenchê-la com a realização de uma Gala de Fado.

Meio receosa, avançou e a gala foi tão bem recebida que no dia 6 de Abril se irá realizar já pela quinta vez, altura em que tenciona fazer também o lançamento oficial do seu segundo trabalho discográfico, "Alma Nua", sobre o qual se sentou recentemente para conversar com o jornal Sol Português.

"Destino", editado em 2016, foi o seu primeiro álbum, um projecto através do qual tentou aproximar-se do público com temas mais familiares – a única excepção, um original, escrito por José Mário Coelho para a falecida esposa, adaptado por Hernâni Raposo para Clara Santos – pois cantava fado havia pouco tempo.

Agora, esta fadista natural de Gafanha da Vagueira, Aveiro, prepara-se para lançar o seu segundo disco, uma obra que considera "um bocadinho mais moderna" e na qual inclui também alguns originais.

A componente "moderna" a que se refere tem a ver com as roupagens do piano, cajón e orquestra com que se veste a estrutura clássica do fado, uma tendência introduzida há alguns anos por alguns dos nomes mais sonantes deste estilo de música portuguesa, Património Imaterial da Humanidade.

"Este trabalho para mim significa mais quem eu sou", refere a fadista que, ao justificar ter-se aventurado a escrever algumas das letras desta nova obra, diz sentir já se ter integrado "um bocadinho".

"Perguntam-me sempre `porque é que tu cantas de olhos fechados?'", diz Clara Santos, passando a explicar que se esforçou bastante para escrever exactamente sobre isso, mas a letra não se estava a materializar por isso fez ver a Hernâni Raposo – que além se ser mais uma vez o produtor deu também a sua achega como letrista – o quanto era importante para ela que este assunto fizesse parte deste álbum.

Hernâni pegou nas múltiplas notas e frases ditadas pela inspiração de Clara e conseguiu conjugar todas aquelas ideias e pensamentos de forma coesa, deixando-a muito contente com o resultado.

A mãe da fadista também contribuiu com a letra para um dos temas que integram este álbum.

Diz-nos Clara Santos que a mãe gosta de "brincar com letras" e vai fazendo sugestões que "por vezes funcionam, mas outras vezes é tipo `mãe, adoro-te mas...'", porém desta vez acertou em cheio com o tema "Alma Fadista".

Também "Ai Fado", tema que a artista já vem a interpretar ao vivo há algum tempo e no qual agradece ao fado por tudo quanto tem contribuído para a sua vida, pelo "conforto" e pelo "carinho", vai agora integrar o alinhamento deste álbum.

O último original do disco, "Não Sou Eu", é um tema em que a fadista considera que "a letra fala por si" e por isso gostava que fosse o público a descobri-lo, em vez de ser ela a explicar o seu sentido.

Quanto às restantes faixas que compõem o CD, são clássicos de Amália, artista que diz continuar a ser a sua maior referência no fado.

"É uma coisa muito forte quando piso no palco – e não é algo que eu pense, mas sim o que as pessoas me dizem", afirma a fadista luso-canadiana considerando que "é isso que me define, é a minha expressão".

Como nos diz, a propósito do título do álbum: "sinto que quando canto o fado fico mesmo de `alma nua', dou 100 por cento quando estou em palco e as pessoas podem levar isso para casa" neste novo trabalho.

"Alma Nua" vai ser apresentado em Hamilton na 5.ª Gala de Fado organizada pela fadista, espectáculo que terá lugar na LIUNA Station no próximo dia 6 de Abril.

"Venham apoiar-me, claro, mas venham apoiar a nossa cultura pois não somos ninguém sem o público", lembra a fadista que terá como fadistas convidados Elizabete e Tony Gouveia, e acompanhamento musical de Hernâni Raposo (guitarra), Pedro Joel (viola) e Sérgio Santos (baixo).

As reservas podem ser feitas através do telefone 289 700-1134.


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