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Casa dos Açores do Ontário festeja Carnaval com danças tradicionais da região

Por Natividade Ledo e Carlos Ledo
Sol Português

O Carnaval chegou e com ele chegaram também os animados desfiles e afamadas danças que atraem milhares de pessoas em todo o mundo, com maior reconhecimento no Brasil, mas também em Portugal – tanto no continente como nas ilhas.

Nos Açores, em particular na ilha Terceira, as festividades integram também um tipo de teatro popular que conferiu um cunho característico às danças carnavalescas e embora elas sejam mais vividas do outro lado do Atlântico, estas tradições emigraram também com as muitas centenas de milhares de açorianos que vivem agora na Diáspora, incluindo aqueles que escolheram radicar-se no Canadá.

Mesmo com o passar dos anos, os naturais dos Açores e seus descendentes não as esquecem e continuam a observá-las e a passá-las às novas gerações, como se pôde comprovar nos vários clubes portugueses que nos últimos dias mais uma vez acolheram festividades carnavalescas.

Assim aconteceu no passado sábado (10) na Casa dos Açores do Ontário (CAO), dia em que a prestigiosa colectividade realizou a sua festa de Carnaval e em que, mesmo com frio e neve a cair, as pessoas não ficaram em casa, acorrendo a este e a outros locais onde as danças foram desfilar, levadas por grupos locais que criaram músicas e enredos divertidos que cativaram o público.

No salão de festas da CAO, onde a apresentadora foi a presidente do Executivo, Susana da Cunha, e por onde passaram e desfilaram um total de 11 grupos, a animação durou até às cinco horas da manhã, proporcionada por danças criadas em torno de diferentes assuntos e temas, todas elas a provocarem gargalhadas e a boa disposição dos espectadores que não arredaram pé durante toda a noite.

A primeira actuação coube ao grupo Amigos do Carnaval de Toronto, do Graciosa Community Centre, que apresentou o enredo "Quem será o pai das crianças", uma dança carnavalesca com letra de Hélio Costa e música do próprio grupo, e que teve por mestres Ellah Medeiros e Nikita Sarmento.

Seguiu-se uma dança de pandeiro, trazida pelo grupo Amigos da Terceira, composto por 28 elementos, e para a qual o assunto escolhido foi "A Defender as Nossas Tradições".

As cantigas foram da autoria de Armindo Amarante e a música do próprio grupo, tendo por mestres Bruno Amarante e Diogo Silva, e Francisco Borba como ensaiador.

O pai do músico Tony Silveira sempre sonhou em formar uma dança com a família e esse sonho tornou-se realidade, trazido pela mão do filho que o homenageou com a actuação do grupo Bailinho de Hamilton.

Composto por 16 elementos, das mais diversas origens – do continente às ilhas açorianas, dos Estados Unidos da América ao Canadá – quer a letra quer a música que o grupo interpretou foi da autoria de Tony Silveira, enquanto Ilda Melo se encarregou dos trajes para este enredo intitulado "A Dança do Vizinho".

O Grupo dos Amigos das Tradições Terceirenses foi o quarto a actuar nessa noite e apresentou como assunto "Fofinha das Confusões", uma dança com letra de Roberto Picanço, música de Manny Ramos e direcção de José Ramos.

Criado pelo grupo Bailinho da Banda do Sr. Santo Cristo, "Desapega-te" foi a quinta dança que se exibiu, um enredo que teve letra e música composta pelo próprio grupo e que foi seguido por "As Desgraças ao Santo", tema apresentado pelo grupo Amigos da Casa, com letra de Mário Fernandes e música de Bruno Silva e Rúben Martins.

Coube a João Mendonça a composição da letra da sétima dança que se exibiiu na CAO nessa noite, da responsabilidade do grupo Irmandade do Imigrante e subordinada ao tema "Uma Tourada na Augusta".

Entretanto, liderado pelos mestres Tyler Leal e Alexa Sarmento, o Grupo dos Jovens Tradições da Terceira apresentou "Família XXXL", com letra de João Mendonça e música de Carla Branco.

Também o Centro Cultural Português de Mississauga esteve representado com um grupo, que apresentou "Restaurante à Moda do Freguês", um enredo com letra de Rui Garcia e música do grupo.

Já bem de madrugada, o grupo Bailinho da Igreja de São José de Oakville apresentou o tema "Duas Velhas de Viagem ao Canadá", com letra da autoria de Ramiro Nunes e música do grupo.

O espectáculo culminou com a chegada da décima primeira – e última – dança, a cargo do Grupo da Caloura, que com letra de João Mendonça e musicada pelo grupo apresentou "Cá em Casa Manda a Rosa".

Chegava-se assim à hora da despedida, mas ainda restavam sorrisos no rosto de toda aquela gente que alegremente ali passou maravilhosos momentos, esperançosos de voltarem de novo no próximo ano para mais uma dose de diversão carnavalesca na sua vertente mais popular e tradicional.


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