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Canadá/Covid-19: Ontário entra hoje na terceira fase de desconfinamento

No Canadá os dados relativos à pandemia de Covid-19 continuam a ser positivos, com o Ontário a registar na última semana só um dia com mais de 200 infecções e dois dias sem óbitos, mas a nível mundial todos os indicadores pioraram sensivelmente.

Assim, o número de infecções semanais em todo o mundo aumentou de 2,7 para mais de 3 milhões, a taxa de recuperação desceu ligeiramente, de 90,57 para 90,55 por cento, e registaram-se 56.000 óbitos _ mais 2.000 do que nos sete dias anteriores.

Por contraste, continuam a ser boas as notícias da evolução da pandemia no Canadá, onde o número de casos detectados numa semana voltou a diminuir, para 3.201, as 74 mortes registadas foram quase metade das que ocorreram na semana anterior, e a taxa de recuperação voltou a melhorar ligeiramente, de 97,72, para 97,77 por cento.

A meio da última semana. o resultado de um estudo levado a cabo pela Agência de Saúde Pública do Canadá levou a organização a concluir que mais da metade dos pacientes que contraem Covid-19 poderão vir a sofrer do chamado "síndrome pós-Covid", com sintomas durante mais de três meses após o contágio inicial.

O relatório agora emitido revela o resultado duma análise de acerca de três dezenas de estudos internacionais nos quais foi solicitado aos pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19 que indicassem se continuavam com pelo menos um sintoma a longo prazo.

Os resultados iniciais sugerem que mais de oito em cada 10 pacientes continuavam a ter pelo menos um sintoma entre quatro a 12 semanas após o diagnóstico, e mais 50 por cento relatou ter sintomas persistentes para além das 12 semanas.

Cansaço, dores, falta de ar e perturbações do sono foram os problemas mais comuns, seguidos de ansiedade, tosse e queda de cabelo.

O relatório nota, no entanto, existirem algumas dúvidas com respeito à fiabilidade dos dados recolhidos, uma vez que nos estudos analisados foram os próprios pacientes a relatar o seu estado de saúde, a selecção dos pacientes que participaram não foi feita de forma aleatória e desconhece-se a possibilidade de terem alguma doença antes de contraírem Covid-19.

Apesar disso, a directora dos serviços de saúde pública do Canadá, dra. Theresa Tam, indicou em comunicado que, embora a maioria dos pacientes recupere completamente em algumas semanas, esta situação _ já conhecida anteriormente e designada por "Covid prolongada" _ pode afectar pacientes de todas as idades, independentemente da gravidade inicial da infecção.

Entretanto foi também publicado um relatório do Departamento de Saúde Pública do Ontário que analisa a incidência de infecções confirmadas de Covid-19 em pessoas já vacinadas.

Desde que o programa de vacinação da província começou, a 14 de Dezembro de 2020, e até 26 de Junho de 2021, foram inoculados 9.8 milhões de habitantes com pelo menos uma dose de imunizante.

Desse número, apenas 0,16 por cento dos pacientes _ 15.592 pessoas, incluindo casos sintomáticos e assintomáticos _ foram infectados depois de parcialmente vacinados e apenas 0,02 por cento (1.635) dos que estavam totalmente imunizados contraíram a doença.

O número de infecções após a administração da vacina cai rapidamente, à medida que aumenta o período desde que foi dada _ primeiro sensivelmente, 10 dias após a primeira dose, e depois com uma queda particularmente abrupta decorridos 28 dias ou mais.

Só 4,6 por cento das infecções que foram contraídas após a segunda dose ocorreram 14 ou mais dias depois da inoculação final e são consideradas "situações excepcionais".

Face a um surto no número de mortes atribuídas ao consumo de droga durante a pandemia e do uso de estupefacientes, o governo do Ontário anunciou que irá despender mais 32,7 milhões de dólares anualmente para reforçar os serviços de toxicodependência da província.

Esta verba anual está incluído numa iniciativa que levará o governo a despender 3,8 mil milhões de dólares nos próximos 10 anos nos serviços de apoio à saúde mental e à toxicodependência.

Enquanto isso, e à medida em que prosseguem os esforços para a reabertura da economia, a autarquia torontina anunciou a criação duma parceria com a Câmara de Comércio da Região de Toronto e outros grupos empresariais com o objectivo de incentivar o regresso dos funcionários aos escritórios, aos restaurantes e às lojas no centro da cidade, bem como aos centros financeiros no aeroporto Pearson e no Scarborough Centre.

A campanha "We're Ready Toronto" _ centrada no regresso ao trabalho presencial e em atrair visitantes locais e turistas _ segue-se ao anúncio feito há algumas semanas de que seriam disponibilizados às pequenas empresas estojos gratuitos para triagem rápida de Covid-19.

O presidente da Câmara, John Tory, e a presidente da Câmara de Comércio, Janet de Silva, instaram também os outros níveis de governação _ provincial e federal _ para ajudarem durante esta fase de transição, à medida em que é anunciado o levantamento de restrições e novas directrizes para viagens e regresso aos locais de trabalho nos principais distritos financeiros do país.

O município torontino anunciou ainda em comunicado que a expansão da campanha VaxTO _ que ajuda a prestar informações e recursos sobre o processo de vacinação ao público _ vai contar com uma central telefónica e "micro-sites multilingues na internet, bem como publicidade social e digital".

Os residentes vão poder ligar-se e obter informações sobre a campanha de vacinação em 12 portais que, além do inglês, foram traduzidos para francês, chinês, persa, português, espanhol, urdu, vietnamita, bengali, italiano, tâmil e tagalo.

A campanha para tentar vacinar a população que ainda não o fez prossegue com o anúncio de que desde o meio-dia do último sábado (10) quatro das clínicas a cargo da autarquia começaram a aceitar maiores de 18 anos sem marcação prévia para a administração da primeira ou segunda dose de imunizante mRNA (Pfizer ou Moderna).

As clínicas estão situadas no Toronto Congress Centre, no Centro Comercial Cloverdale, no The Hangar (Downsview) e no Centro de Convenções Metro Toronto.

A nível do Ontário, o governo provincial indicou também a intenção de organizar clínicas temporárias e móveis, sem necessidade de marcação prévia, por forma a tentar alcançar o maior número possível de pessoas ainda por vacinar, ao mesmo tempo que prepara a transição dos actuais centros de vacinação em grande escala, embora ainda sem datas estipuladas.

Segundo o governo, os médicos de família e as farmácias vão passar a ter um papel preponderante na campanha de vacinação, por forma a incentivar a população que está ainda reticente a imunizar-se contra o coronavírus.

Além disso, há ainda "a possibilidade" de se virem a abrir clínicas de vacinação nas escolas, caso as autoridades de saúde federais aprovem a inoculação de crianças com menos de 12 anos.

Na quinta-feira (8) ficou-se a saber que já mais de metade dos adultos no Ontário tinham completado a sua imunização e que 10 milhões, ou 68,4 por cento da população (78,7 por cento com mais de 18 anos), tinham recebido a primeira dose da vacina.

Apesar disso, o Primeiro-ministro Justin Trudeau indicou que tão cedo não iria autorizar a reabertura das fronteiras a estrangeiros sem estarem devidamente vacinados, para não arriscar a recuperação nacional.

O próximo passo, segundo o chefe do governo federal, vai ser a tomada de medidas para autorizar os estrangeiros imunizados a visitarem o país sem ser por motivos essenciais, embora sem adiantar, por enquanto, quaisquer datas.

Recorde-se que o Canadá acabou de alterar as regras fronteiriças para os canadianos e residentes permanentes imunizados e desde o dia 5 de Julho deixou de exigir o cumprimento de duas semanas de quarentena à chegada ao país, desde que os testes de despistagem da Covid-19 _ feitos antes e ao chegarem à fronteira _ sejam negativos.

Justin Trudeau indicou ainda estarem a colaborar com as autoridades de saúde americanas com vista à criação de um plano para a eventual reabertura da fronteira terrestre entre os dois países, mais uma vez sem adiantar datas.

Na recta final da semana o governo do Ontário anunciou que daí a oito dias _ isto é, hoje, sexta-feira (16) _ a província passaria à terceira fase do plano de desconfinamento, cinco dias antes do que era previsto.

Nesta fase será levantado um número ainda maior de restrições à actividade comercial e social, incluindo no interior de estabelecimentos vários, desde restaurantes a ginásios, e nos encontros em grupo ao ar livre, embora sujeitos à exigência do uso de máscaras e de distanciamento.

A partir de hoje é possível reunir até 100 pessoas em acontecimentos ao ar livre, salvo algumas excepções, e 25 dentro de portas, enquanto que as cerimónias religiosas e outras voltam a poder realizar-se no interior de edifícios desde que se obedeçam às regras de distanciamento.

Também os restaurantes passam a poder servir refeições no interior e não apenas nas esplanadas _ sem limites por mesa desde que mantenham dois metros de distância entre cada grupo de clientes _ e os clubes e estabelecimentos do género vão poder abrir a 25 por cento de capacidade, até um máximo de 250 pessoas.

Ginásios e centro desportivos podem abrir a 50 por cento da capacidade interior e os espaços desportivos com bancadas ficam igualmente limitados a 50 por cento da capacidade, mas podem acomodar até 1.000 pessoas.

O mesmo se aplica às casas de espectáculos, cinemas e teatros, enquanto que os auditórios ao ar livre podem atingir 75 por cento da capacidade, até um máximo de 15.000 espectadores.

Os estabelecimentos comerciais podem abrir com capacidade determinada pela observação de dois metros de distância entre clientes, enquanto que os que prestam serviços pessoais _ mesmo aqueles para os quais é necessário retirar a máscara _ voltam a poder retomar a sua actividade.

Os salões de festas e outros eventos ficam limitados a 50 por cento da sua capacidade, até um máximo de 1.000 pessoas, e os agentes imobiliários podem voltar a organizar mostras de casas abertas ao público, desde que o espaço permita aos visitantes manterem dois metros de distância entre si.

Museus, galerias e monumentos históricos, aquários, jardins zoológicos e botânicos, casinos e casas de bingo, parques de diversões, feiras e mercados rurais podem também voltar a abrir a 50 da capacidade interior e 75 por cento ao ar livre.

Entretanto, no último fim-de-semana a Região de Peel atingiu um novo marco significativo na luta contra a pandemia com 50 por cento da população adulta vacinada enquanto que a autarquia de Toronto anunciou ter completado a imunização de 60 por cento dos adultos que residem no município.

A nível nacional, no início desta semana o país já tinha completado a vacinação de mais de metade da população com idade superior a 12 anos _ 16,9 milhões de pessoas, mais de 10 milhões das quais receberam a segunda dose há pelo menos 14 dias, período após o qual o sistema imunitário é considerado ter reagido de forma suficiente para completar a imunização.

O governo federal anunciou que iria doar 17,7 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca à aliança COVAX, que distribui vacinas pelos países com menos posses, e incentivou os canadianos a fazerem donativos para ajudar as campanhas de vacinação noutros países.

Entretanto, pais e especialistas ligados ao sector da saúde continuam a pedir esclarecimentos ao governo sobre a forma como as crianças com menos de 12 anos _ que não estão ainda autorizadas a ser vacinadas contra a Covid-19 _ se encaixam nos planos de desconfinamento da província do Ontário.


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