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Davenport: Nova clínica de vacinação para comunidades de língua portuguesa

Mais de 600 pessoas inoculadas num só dia contra a Covid-19

Por Luís Aparício
Sol Português

Ao longo do dia de sábado (10) foram muitos os moradores de Toronto, na sua maioria falantes de português, que passaram pela clínica de vacinação contra a Covid-19 no Davenport-Perth Neighbourhood and Community Health Centre para receberem uma dose do imunizante das farmacêuticas Pfizer ou Moderna.

Segundo informações fornecidas posteriormente pela equipa da vice-presidente da Câmara, Ana Bailão, foram inoculadas nesse dia mais de seis centenas de pessoas, a segunda vez que esta iniciativa centrada na comunidade lusófona superou as expectativas depois do sucesso de idêntica realização no dia 5 de Junho.

"Estamos com mais pessoas aqui, hoje, do que tivemos na primeira iniciativa", ressalvou Ana Bailão logo pela manhã, ao indicar à nossa reportagem que "pouco depois das 10h30" já tinham dado mais de 300 números, "portanto estão aqui mais de 300 pessoas que vão ser vacinadas".

A vereadora, que representa o distrito de Davenport, voltou a reiterou a importância de sensibilizar as pessoas para a vacinação, procurando chegar "àquelas 25 por cento que são muito difíceis de atingir" e facilitar ao máximo todo o processo ao eliminar quaisquer barreiras linguísticas.

"Estamos a trazer [a vacinação] até às pessoas de expressão de língua portuguesa, na área que elas conhecem bem e na língua em que estão mais confortáveis", referiu, lembrando que "tudo isso cria confiança e facilidade de acesso" já que, "noutras comunidades étnicas nota-se exactamente a mesma coisa".

A cargo da autarquia torontina, a campanha VaxTO, que pretende levar ao público informações e recursos de vacinação contra a Covid-19, viu as suas capacidades expandirem-se desde que passou a contar com um call center (central telefónica) e 12 micro-sites multilíngues na internet (incluindo o idioma português), bem como publicidade social e digital.

Apesar de nos últimos dias o número de infecções no Ontário ter evoluído de uma forma mais favorável e do governo provincial ter confirmado que a terceira fase do plano de desconfinamento e reabertura vai arrancar a 16 de Julho _ cinco dias antes do que era inicialmente previsto _ Ana Bailão sublinha que não é hora para parar e que "agora é tentar ao máximo conseguir mais de 75 por cento [de inoculados] com as duas doses da vacina, e ultrapassar os 80 por cento com uma dose".

Luso-canadianos incentivam outros a vacinarem-se

A clínica de vacinação, que funcionou das 10h00 às 18h00, ofereceu a vacina contra Covid-19 a maiores de 12 anos, não havendo necessidade de marcação ou de ter cartão de saúde.

Os utentes podiam ainda ser atendidos na sua própria língua, encontrando-se no local uma equipa de voluntários que falavam português.

Para além da primeira dose, a clínica administrava igualmente a segunda injecção a quem tivesse sido inoculado no dia 5 de Junho, situação que se aplicava a Liliana Lucas, 34 anos, que aproveitou para completar a sua imunização com a segunda dose da vacina da Pfizer.

"Na primeira [injecção] que levei, senti o braço um pouco dormente e uma ligeira dor de cabeça, mas depois, ao segundo dia, já estava tudo normal", referiu, fazendo votos de que "com esta segunda dose seja igual, porque muita gente que eu ouvi, no meu trabalho, sentiram mais sintomas."

Embora reconheça ter tido algum receio inicialmente e não querer apanhar a vacina, incentiva todos os que ainda hesitam em dar este passo a fazê-lo porque, como destaca, "se a gente fizer a nossa parte, se Deus quiser, o mundo vai voltar a ser o que era antes".

Também a sexagenária Maria Anjos aproveitou para receber a segunda dose, afirmando com entusiasmo: "que toda a comunidade portuguesa venha levar a vacina, que é muito boa para todos nós! Para tirar este coronavírus, para ver se ficamos descansados".

Também Tânia Tavares, 28 anos, disse sentir-se bem e contente por ter apanhado a segunda dose da vacina, "porque não sei o que vai acontecer no futuro, por isso, estou a tentar proteger-me, à minha família e aos meus amigos à minha volta", referiu.

Depois de atingir o marco de 60 por cento dos residentes totalmente inoculados, a autarquia torontina iniciou no fim-de-semana uma nova campanha para concentrar esforços nos bairros da cidade com as taxas de vacinação mais baixas.


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