PENA & LÁPIS


Eleições autárquicas:

Não elegemos uma plataforma, elegemos uma pessoa com capacidade de ser líder

Por Idalina da Silva

Sol Português

No dia 12 de Junho fui votar antecipadamente para as eleições autárquicas. Fui votar para escolher a próxima pessoa que pode vir a ser presidente da Câmara Municipal de Toronto.

Após muita reflexão cheguei à conclusão que estava preparada para votar na pessoa que, a meu ver, pode fazer a nossa cidade sair dos problemas actuais. Milagres ninguém os faz, por isso digo – sempre o disse – que o mais importante não é a plataforma que cada concorrente apresenta.

Sem dúvida que uma plataforma eleitora é necessária, mas ela é usada como algo para um líder se apoiar. Na verdade, não elegemos uma plataforma, elegemos, sim, uma pessoa com a capacidade de ser líder, com qualificações para enfrentar a tarefa de gerir o governo municipal.

Só um exemplo: lembro-me bem quando David Miller anunciou em 2006, durante a campanha para presidente da Câmara de Toronto, o seu plano para alargar o sistema de transportes públicos na cidade. A única solução que ele apresentou era pedir apoio aos níveis superiores do governo para pagar as despesas.

Muito mudou quando o governo provincial se preparou para pagar as despesas, mas também muito mudou quando Rob Ford foi eleito e ignorou ou descartou partes dessas ideias. Anda hoje o plano apresentado em 2006, durante uma campanha, não está concretizado.

Quero dizer com isto que nem sempre o que é apresentado na plataforma e se promete é realizado, mesmo que esse plano seja inspirador.

A realidade de governar é lidar com imprevistos, avaliar estudos, ideias do mundo real e administrar o financiamento com base nos caprichos provinciais e federais. É o que espera o novo presidente.

John Tory teve, provavelmente, o melhor período como presidente da Câmara – até a pandemia surgir e todos os seus planos descarrilarem, obrigado-o a decretar o estado de emergência.

Portanto, ao avaliarmos os nossos próprios votos, precisamos de considerar não apenas os planos, mas também o que podemos esperar da pessoa em que vamos votar quando as coisas que prometeu não são realizadas. Isto é, quando se depara com a realidade confusa de governar e os eventos inesperados na vida duma cidade.

Por isso acredito que não elegemos uma plataforma, elegemos sim, um ou uma líder.

O novo presidente vai ser o CEO de uma organização com milhares de funcionários e um orçamento operacional de 16 mil milhões de dólares, cujo funcionamento pode ter graves consequências para a população de Toronto.

Vai também precisar de liderar um corpo legislativo de 25 vereadores que não têm formalmente que lhe prestar contas e onde não há um sistema partidário para aplicar disciplina. Cada um desses vereadores, eleitos com mandato próprio, é alheio ao novo presidente.

Então a pergunta que podemos fazer aos candidatos, para além de quais são as suas ideias, é o que é que os qualificam e quais as qualidades que trazem para conseguirem desempenhar a tarefa de gerência e política na Câmara Municipal de Toronto.


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