PENA & LÁPIS


Ainda o Coronavírus

Por Inácio Natividade
Sol Português

Não estamos a viver uma profecia irónica. Todos vivemos em frequente stress, nervosos, receosos que o Covid-19 nos bata à porta, contudo temos a obrigação de superar o medo, só assim podemos ser úteis uns aos outros. Ficar em isolamento como medida de precaução tem o seu preço, faz parte da prevenção e contenção contra o vírus. Faz parte de orientações estratégicas de saúde pública e ferramenta estratégica de combate à pandemia. Temos de obedecer cegamente.

Enquanto a pandemia durar, todos, e não apenas médicos, enfermeiros e todo o pessoal de saúde, somos peças imprescindíveis de uma armadura anti-coronavírus, sem esquecer cientistas a pesquisar, para obter uma vacina e os voluntários que se encontram neste momento na linha da frente.

Tudo terminará bem, quando houver uma sintonia entre todos os actores, seguindo à risca as recomendações do sector de saúde.

Os dias são difíceis e as semanas mais difíceis de passar, como um relógio que tanto adorávamos, e repentinamente perdeu os ponteiros que marcavam as horas. Por vezes, existe a falta de concentração para a leitura de jornais ou ver televisão. Por vezes, existe medo de ver as notícias. Andamos enervados, quiçá inquietados, mas há motivos para isso. Há no mundo mais de 1 milhão e 300 infectados, e mais de 55 mil pessoas perderam a vida. As autoridades sanitárias canadianas prevêem que de entre 3000 e 15.000 canadianos poderão perder a vida, mesmo com as medidas de prevenção em vigor. No total, a província prevê mais de 80.000 casos, e 1600 mortes até ao final de Abril.

Como se não bastasse, quando saímos à rua existe, a priori, o receio do contágio, mantemos a distância social e não esquecemos a máscara. Quando nos deparamos com alguém conhecido, um rápido sorriso, e um cumprimento à distância. E caso seja um membro da família, lamentamos o facto de não podermos sequer dar um abraço ou beijo na face. Visitas à casa de familiares e amigos está fora de questão, assim como receber visitas. Algumas famílias chegam ao ponto de avisar que enquanto prevalecer a pandemia não querem visitas.

Nunca imaginei que devido ao Covid-19, visitas familiares se tornariam indesejáveis.

Já para os reformados o isolamento coloca-os em situação delicada. A Dufferin Mall e os cafés deixaram de ser poiso ideal para as infinitas cavaqueiras. Estando em casa, as pessoas devem viver harmonizadas evitando discussões inúteis e não recorrer ao insulto e à violência verbal ou física. Lembrem-se, tudo tem consequências que podem ser gravosas.…

Mas se Deus quiser tudo vai passar e tudo voltará a ser como antes, mas quem o garante?

O facto é que não devemos desafiar a morte com a ideia que só acontece aos outros, aos idosos. As estatísticas aqui no Canadá desmentem. Os mais atingidos pelo vírus têm menos de 60 anos. Nenhuma faixa etária é imune ao Covid-19.

Devemos deixar de pensar que é mais uma gripezinha. Quem tiver sintomas deve de imediato entrar em contacto com quem de direito.


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