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LIUNA Local 506

Torneio anual de bocce evoca memória de falecido dirigente em prol de boas causas

Por João Vicente
Sol Português

Várias centenas de praticantes de bocce deslocaram-se na passada sexta-feira (10) ao centro de formação profissional da sindical LIUNA Local 506, em Richmond Hill, onde, organizados por equipas, se degladiaram da forma mais amistosa e pacífica possível – tudo por uma boa causa.

Disputava-se o 27.° torneio anual de bocce – uma espécie de jogo de petanca, mas de inspiração italiana – organizado por esta filial do sindicato Labourers' International Union of North America (LIUNA) e que, segundo nos revelou o seu administrador, tem como propósito angariar verbas para fins beneficentes.

Em declarações ao jornal Sol Português, Carmen Principato apontou Nick Barbieri, antigo tesoureiro da "506", como o impulsionador deste torneio, cujas receitas revertem para obras de caridade, e que ainda hoje, na sua ausência, continua a realizar-se em seu nome.

Os participantes começaram a chegar cerca das 7h30 e a registar as equipas que dali a pouco começaram a tomar conta das caixas de terra batida onde as partidas se disputam e onde, fazendo os seus lançamentos, tentavam chegar mais perto da bolinha branca, que é o objectivo do jogo, ou afastar com as suas as bolas dos adversários.

Entre os participantes viam-se bastantes idosos, alguns dos quais se identificavam pelas suas camisolas como reformados de um ou outro sindicato, como foi o caso de Campo Gaetano, que se tornou sócio da "506" em 1964 e se aposentou em 2002.

Ao lado praticavam-se também outros jogos de perícia tradicionais, designadamente, um em que os participantes punham um saquinho cheio de feijão numa pá e tentavam acertar em buracos numa tábua ainda bem distante, cada um com sua pontuação – mais difícil do que parecia e poucos foram os que tiveram sucesso – o outro uma longa superfície onde se faziam deslizar toonies (moedas de dois dólares) por forma a que aquele que ficasse mais perto da linha sem bater na garrafa nem passar para o outro lado ganhava uma série de prémios contidos num carro de mão.

Quando se deu por encerrado este segundo concurso, cerca do meio-dia, Honorio Maola foi declarado o vencedor.

É costume, cada vez que uma das filiais da LIUNA realiza uma angariação de fundos, as outras darem o seu apoio e esta ocasião não fugiu à regra.

A Local 183, por exemplo, além de patrocinar o evento ainda competiu com uma equipa de sócios no activo e outra de reformados, e por lá passaram também o administrador Jack Oliveira, assim como o vice-presidente Bernardino Ferreira e o membro do Executivo Jaime Cortez; além ainda do vice-presidente da LIUNA e responsável pelas regiões central e oriental do Canadá, Joseph Mancinelli, assim como o presidente da CCWU, Joel Filipe, entre outros.

A realização deste torneio esteve a cargo do presidente da "506", Roly Bernardini, e do tesoureiro, Tony do Vale, outro luso-canadiano que também deu a sua achega, mas nem por isso o decano destas andanças, Carmen Principato, deixou de passar o dia numa roda viva.

Desde socializar um pouco com os participantes a vender rifas de fio a pavio, e ainda participar numa das equipas do torneio, este líder sindical teve tempo para tudo e ainda dirigiu algumas palavras à comunicação social.

"Doamos mais de 50 mil dólares anualmente e escolhemos caridades que normalmente não recebem fundos do governo, por isso [é uma quantia importante] que ajuda muita gente", referiu Roly Bernardini a propósito deste encontro, destacando ainda o orgulho que tem de todos os participantes, convidados e patrocinadores.

Salientando a presença de muitas das empresas que empregam trabalhadores filiados na "506", o presidente desta filial sindical ressaltou ainda o facto de ser um evento "mais íntimo", que promove a interacção entre todos ao longo do dia, o que lhe confere um carácter diferente dos habituais torneios de golfe.

Também Joseph Mancinelli aludiu ao facto do encontro permitir um "excelente convívio", além de angariar fundos para obras de caridade, tal como outros eventos organizados pela LIUNA, e expressou a sua admiração pelo empenho desta filial recordando que a "506" reúne cerca de 5 a 6 milhões de dólares anualmente para esse fim, só na zona central e leste do Canadá.

Jack Oliveira gracejou que a Local 183 se costuma dar bem na tabela classificativa, mas claramente o ênfase do evento é o dinheiro angariado para boas causas pelo que o dirigente da "183" elogiou Carmen Principato e o seu executivo "pelo excelente trabalho desenvolvido".

Este ano a verba angariada foi entregue à Fundação de Thalassemia do Canadá e à organização Motionball, que receberam cada uma um cheque no valor de 25 mil dólares.

Thalassemia é uma doença genética, portanto passada de pais para filhos, e que afecta maioritariamente pessoas de origem mediterrânica, africana, africana, do médio oriente ou chinesa.

Segundo referiu o porta-voz e ex-presidente da fundação, Riyad Elbard, é possível evitar passar esta doença aos filhos, caso ambos os pais sejam testados para detectar a presença do gene defeituoso.

A doença afecta a produção de glóbulos vermelhos e os seus efeitos são controlados com transfusões sanguíneas periódicas, apesar destas causarem outros problemas.

Entretanto, com os avanços científicos na área genética há esperança de que venha a ser possível editar os genes defeituosos, mas para isso é ainda preciso muito dinheiro para custear a pesquisa e o desenvolvimento dessas novas técnicas, pelo que a contribuição proveniente da 506 foi muito apreciada pelos responsáveis.

Motionball, por seu turno, é uma organização cujo objectivo é sensibilizar novos profissionais – e potenciais futuros doadores, voluntários ou patrocinadores – para o movimento paralímpico através de eventos sociais e desportivos.

Emma Lambert é a especialista em eventos nacionais da Motionball e, segundo explicou, estes permitem fazer parelhas entre jovens profissionais e atletas paralímpicos para angariar fundos para os atletas, ao mesmo tempo que ajuda os profissionais e atletas a estabelecerem laços entre si.

Tanto a Motionball como a Fundação de Thalassemia tiveram participação activa neste torneio de bocce, até porque uma das finalidades do evento é proporcionar divertimento e convívio ao mesmo tempo que se reúnem fundos para ajudar boas causas.

Este ano estão actualmente a decorrer obras no centro de formação profissional da "506", por isso o dia foi tanto de bocce como serviu como uma espécie de "casa aberta" para que as pessoas pudessem apreciar os melhoramentos e adições em curso nas instalações.

Para o ano a Local 506 faz 100 anos, em Novembro de 2019, e Carmen Principato celebra 50 anos desde que ingressou na 506, pelo que a próxima edição deste evento decerto irá ser ainda maior e melhor.


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